O potencial de consumo dos moradores de Santa Cruz do Sul registrará expressivo avanço em 2026. Segundo o levantamento IPC Maps, a evolução será de 10,81% em relação ao ano passado, superando com folga a média nacional de 2,3%. Com esse desempenho, o município deve movimentar R$ 8,02 bilhões ao longo do ano.
O perfil do consumo local também se diferencia do cenário nacional. No País, pela primeira vez, a classe C assumiu o topo da expectativa de gastos. O estrato, que já liderava em número de domicílios, ganhou poder de compra devido às migrações sociais – tanto de famílias vindas das classes D e E quanto pelo empobrecimento de fatias da classe B. Em Santa Cruz, contudo, a classe B resiste na liderança e detém 41,1% da renda local, ante 34,1% da classe C.
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Na divisão por setores, a habitação concentra a maior reserva de recursos no município, superando R$ 1,85 bilhão. Nessa categoria, a classe C tem o maior potencial, com mais de R$ 757 milhões. Na sequência aparece o segmento de veículos próprios, com R$ 960,8 milhões – mercado este puxado pela classe B, responsável por R$ 444,1 milhões.
Os produtos afetados pelo chamado “imposto do pecado” também estão na mira da classe C. O grupo projeta gastar R$ 22,7 milhões com tabaco, enquanto os consumidores de maior poder aquisitivo (classe B) devem desembolsar R$ 1,9 milhão com o item. Já o mercado de bebidas deve movimentar R$ 43,7 milhões entre os consumidores da classe C e R$ 37,9 milhões na classe B.
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A radiografia do consumo ganha relevância extra com a reforma tributária, que desloca o eixo da arrecadação da produção para o destino das mercadorias. Sob as novas regras, cidades com mercado interno forte passam a reter uma fatia maior do bolo tributário.
Entre os integrantes da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp), apenas cinco aparecem entre os cem maiores mercados do Estado. Santa Cruz do Sul lidera a região e mantém o 14º lugar no ranking do Rio Grande do Sul. Depois aparecem Venâncio Aires, Rio Pardo, Vera Cruz e Candelária. Na ponta de baixo estão Vale Verde, Gramado Xavier e Herveiras. Porto Alegre lidera o ranking gaúcho e, quando guardadas as proporções populacionais, apenas Bento Gonçalves supera Santa Cruz em eficiência de consumo por habitante.

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Em âmbito nacional, a economia deve movimentar R$ 8,6 trilhões este ano. O ritmo de expansão, contudo, é considerado modesto se comparado a períodos anteriores, reflexo direto dos efeitos da política monetária contracionista. Para Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora, 2026 será atípico e desafiador. “As recentes guerras ao redor do globo impactam o bolso dos brasileiros pela ameaça de aceleração inflacionária”, aponta.
Em números
Santa Cruz do Sul consolidou sua relevância econômica ao manter, pelo terceiro ano consecutivo, a 14ª posição no ranking estadual de potencial de consumo. No cenário nacional, o município registrou avanço: saltou da 175ª colocação, no ano passado, para o 167º lugar entre as 5.569 cidades brasileiras. O principal diferencial santa-cruzense em relação à média do País é a força da classe B, que lidera os gastos locais e supera a classe C no município-polo do Vale do Rio Pardo.
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