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OPINIÃO

Régis de Oliveira Júnior: “O perigo invisível que pode decidir o seu voto”

Foto: Agência Brasil

O cenário eleitoral de 2026 testa o limite da nossa resistência institucional. As normas recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definem fronteiras claras para o uso de sistemas automatizados nas campanhas oficiais. A regra pública chega sempre atrasada para enfrentar a lógica das grandes corporações.

O ecossistema paralelo espalha conteúdos fraudulentos com uma velocidade que a máquina estatal jamais conseguirá acompanhar em tempo real. A desinformação algorítmica cobra um custo oculto altíssimo da administração pública e da sociedade.

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Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2026 demonstrou que o combate à mentira sintética consome milhões em recursos operacionais do Estado. A facilidade para gerar vídeos falsos cria um mercado clandestino altamente rentável para criminosos.

A eficiência computacional hoje barateia a destruição da verdade factual. Sistemas estatísticos sem supervisão humana punem primeiramente a população mais vulnerável. Um eleitor bombardeado por imagens hiper-realistas manipuladas acaba privado do seu direito sagrado à escolha consciente.

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Ocorre então uma perigosa ilusão institucional. O Estado acredita que controla o processo eleitoral, enquanto corporações distantes definem o que o cidadão vê e consome. A ignorância programada corrói silenciosamente a representação republicana.

A liberdade de expressão não ampara o modelo de negócio que rentabiliza a fraude cibernética. Sem aplicar punições financeiras severas às gigantes da tecnologia, nós continuaremos reféns de arquiteturas desenhadas para o caos social.

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Multar apenas o operador menor que divulga mentiras nos aplicativos de mensagens significa ignorar a raiz estrutural da crise. Nós precisamos enfrentar a infraestrutura tecnológica que impulsiona o extremismo para reter a atenção do usuário.

O modelo matemático destas redes funciona como um ímã de radicalização política. O país aceita atuar como cobaia de um experimento estrangeiro contínuo sem exigir qualquer salvaguarda. A verdadeira inovação protegeria o nosso tecido social.

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A saída racional exige a aplicação do princípio inegociável da soberania de dados. As empresas globais devem submeter os seus códigos de recomendação a auditorias públicas rigorosas e independentes. A operação mercantil dentro do território nacional requer subordinação irrestrita à jurisdição brasileira.

Essa atuação deve respeitar os valores constitucionais. O patrimônio informacional do nosso povo não pode servir exclusivamente para engordar balanços financeiros no exterior. A IA opera exatamente conforme as diretrizes impostas pelos seus criadores.

O determinismo tecnológico é uma farsa financiada por quem lucra diariamente com o nosso apagão cívico. A eleição deste ano não deve consagrar o algoritmo mais fechado ou veloz do mercado.

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Nós temos o dever histórico de impor a responsabilidade civil das plataformas e a transparência algorítmica. Isso devolverá o controle do futuro às mãos legítimas do eleitor brasileiro. Vale destacar que, como em qualquer debate político, existem outras visões possíveis sobre este tema.

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