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Sala das Rosas amplia acolhimento e orientação a mulheres vítimas de violência

Foto: Rodrigo Assmann

Professoras Caroline Fockink Ritt e Maitê Damé Teixeira e a bolsista Gabriele Weber da Silva, atuam no acolhimento

Em um ambiente discreto, longe de qualquer exposição, a Sala das Rosas se consolida como um importante espaço de acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica em Santa Cruz do Sul. Localizada no Bloco 18 da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), a iniciativa oferece orientação, escuta qualificada e encaminhamentos para quem enfrenta situações de opressão e, muitas vezes, não sabe por onde começar.

Coordenada pelas professoras Caroline Fockink Ritt e Maitê Damé Teixeira, a Sala das Rosas foi criada em 2025 para ampliar e dar um caráter mais reservado à atuação jurídica, que já vinha sendo desenvolvida pelo curso de Direito da universidade. O grande diferencial do espaço está justamente na recepção. Antes de qualquer questionamento burocrático ou técnico, a prioridade é o acolhimento.

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É neste ponto que a professora Caroline esclarece a verdadeira vocação da sala, diferenciando-a de um balcão de petições ou de um balcão policial tradicional. O local não realiza o atendimento jurídico em si, mas funciona como uma instância acolhedora de escuta e direcionamento para mulheres que, muitas vezes, chegam cercadas de dúvidas e medos, sem sequer terem registrado um boletim de ocorrência. O espaço serve para que a vítima compreenda suas opções e desenhe seus próximos passos.

A estrutura física também foi estrategicamente pensada para preservar a privacidade e a integridade psicológica da família. Enquanto as mães relatam suas histórias em uma sala fechada, as crianças permanecem em um espaço recreativo. Outro aspecto fundamental é a discrição proporcionada pelo ambiente acadêmico. Ao cruzar o campus, a mulher não é rotulada publicamente como vítima.

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Ela entra na universidade misturando-se aos estudantes e funcionários, o que reduz drasticamente o medo do julgamento social e da exposição. Grande parte das mulheres que procura as duas professoras e sua equipe de bolsistas — selecionadas criteriosamente pela sensibilidade humana, e não apenas pelo currículo — chega em busca de esclarecimento. É frequente que as vítimas de violência psicológica e moral estejam paralisadas por ameaças patrimoniais e familiares.

Uma porta de entrada

A Sala das Rosas funciona como uma ágil porta de entrada. Quando a mulher manifesta o desejo de ingressar com ações de divórcio, pensão alimentícia ou dissolução de união estável, ela recebe um encaminhamento prioritário e interno para o Gabinete de Assistência Judiciária (Gaj), evitando as triagens convencionais e as longas filas públicas.

O serviço é totalmente gratuito para aquelas que se enquadram nos critérios institucionais de vulnerabilidade econômica. No entanto, por rigor ético, o projeto não faz indicações de advogados particulares para mulheres de classes abastadas; nesses casos, elas são orientadas a buscar a listagem oficial de profissionais junto à Subseção da OAB.

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Diante de novas dinâmicas de opressão, como a perseguição digital (stalking) realizada até mesmo por canais atípicos, a Sala das Rosas atua na identificação dessas condutas para dar suporte no cumprimento e no monitoramento de medidas protetivas de urgência.

Em situações de risco extremo, como o acolhimento de sobreviventes de tentativas de feminicídio, o espaço mobiliza rapidamente uma rede estratégica de proteção. Essa atuação abrange desde o encaminhamento seguro para a Casa de Passagem do município — cujo endereço é mantido sob sigilo — até a articulação de vagas escolares prioritárias para os filhos e o direcionamento imediato para os serviços de atendimento psicológico da própria universidade.

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Projeto originou a Sala das Rosas

A Sala das Rosas integra o projeto de extensão “Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar: Direitos e Garantias Legais da Mulher Agredida”, criado em 2013, desenvolvido no curso de Direito da Unisc e coordenado de forma conjunta pelas professoras Caroline Fockink Ritt e Maitê Damé Teixeira e pelo professor Eduardo Ritt.

A iniciativa pioneira estende sua atuação diretamente para dentro das forças de segurança, alocando bolsistas em salas reservadas nas delegacias de polícia da região e colaborando ativamente com a Brigada Militar no monitoramento das medidas protetivas de urgência, por meio da Patrulha Maria da Penha. O projeto, que já recebeu financiamento internacional do Consulado da República Tcheca para sua expansão regional, contabiliza mais de 528 atendimentos oficiais.

O projeto foi agraciado na categoria Responsabilidade Social, no 35º Baile dos Destaques 2025, promovido pelo Rotary Club Santa Cruz do Sul Oeste e pela Gazeta Grupo de Comunicações.

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Sala das Rosas

  • Horário de atendimento:
  • De segunda a sexta-feira, das 8 horas ao meio-dia
  • e das 13h30 às 17h30 | Bloco 18 da Unisc
  • Contato: 51 3717 7695 e e-mail [email protected]

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