Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

"POR ELAS. PELA VIDA"

Autoestima como prevenção e ferramenta de superação

A violência contra a mulher pode acontecer de diversas formas, conforme a Lei Maria da Penha. Ela pode ser física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Independente de como ela acontece, pode também trazer consequências para a saúde mental e a autoestima das mulheres por tempo indeterminado. 

Segundo a psicóloga Vera Brandão Miranda, as feridas a longo prazo podem acabar por corromper a imagem que a mulher tem de si mesma. “Ela começa a se perder na sua própria identidade, passa a não se reconhecer mais, e o que acontece? Vai começar a ter dúvidas sobre ela mesma”, explica.

Foi o que aconteceu com uma santa-cruzense de 26 anos que não quer ser identificada. Ela sofreu agressão psicológica do antigo namorado por anos e, quando a violência chegou a marcas físicas, conseguiu sair da relação e o denunciou. No entanto, as sequelas seguiram com reflexos na sua saúde mental. “Ele me tirou a felicidade, o amor próprio, minha autoestima e minha confiança. Fiquei meses pensando que nunca mais iria me relacionar com ninguém e com medo de andar na rua”, conta.

Publicidade

LEIA TAMBÉM: Roberta Salvatori leva missão a diferentes frentes na área da beleza

Ela explica que passou pela situação sozinha, sem contar para familiares. Até que conseguiu compartilhar com uma amiga e, a partir disso, se reerguer. Mais tarde, se apaixonou novamente e construiu uma família. Hoje, é capaz de falar do crime abertamente, mas segue “com marcas que jamais vão ser apagadas”, admite.

Os traumas podem causar impactos nas esferas profissional, social e familiar da vida da mulher. Também podem impactar aqueles que estão à sua volta, seja pela mudança de humor da vítima, que é observada pelas pessoas de seu convívio, quanto pelos que sofrem os respingos da violência, como os filhos. 

Publicidade

Ainda segundo a psicóloga, a violência geralmente não se encerra com os atos de um agressor. Isso porque algumas mulheres tendem a seguir envolvidas em outros relacionamentos abusivos. “É um ciclo que se repete, e, se não é olhado, há grande chance de ser repetido nas próximas gerações. Isso vai se perpetuando porque a violência não se encerra sozinha.”

LEIA TAMBÉM: Natália Corrêa transforma bastidores em protagonismo no audiovisual

Atenção psicológica na rede

Professoras e bolsistas responsáveis pela Sala das Rosas

Em Santa Cruz do Sul, nota-se uma grande presença de profissionais da saúde mental em ambientes de assistência jurídica e policial. A psicóloga da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Fernanda Dornelles Copetti, explica que o serviço é de extrema importância na integração, visto que grande parte das vítimas chega à delegacia com baixa autoestima e vergonha. “A equipe está treinada e integrada para recebê-las com olhar humanizado.” 

Publicidade

Sentindo a necessidade de um atendimento contínuo e mais rápido para mulheres vítimas de violência doméstica, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher buscou pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). 

Assim surgiu a Sala das Rosas, um espaço de acolhimento sigiloso e orientação jurídica para vítimas de violência doméstica dentro da Unisc. Ele é desenvolvido por professores do curso de Direito, em parceria com o de Psicologia; sempre que uma mulher precisa de atendimento, é acolhida com orientações jurídicas e suporte mental. 

Segundo a professora Caroline Ritt, uma das responsáveis pelo projeto, a equipe oferece algumas formas de encaminhamento. “Pelo fato de ela ser atendida na Sala das Rosas, não vai precisar entrar na lista de espera do Serviço Integrado de Saúde (SIS). Fizemos o encaminhamento internamente. A mulher não vai ficar sozinha”, ressalta.

Publicidade

LEIA TAMBÉM: Silvane Severo: a música como propósito de vida

Caminhos para sair do ciclo de violência

A psicóloga Fernanda Dornelles Copetti (foto), que atua junto à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), ressalta a importância de buscar ajuda em situação de violência. Tudo começa com a denúncia, mas, além dela, é necessária a assistência psicológica para romper as consequências que essas ações podem desenvolver a longo prazo. 

“Alterações de sono e apetite, desânimo, autoestima no geral (incluindo como ela passa a se perceber emocional e corporalmente), podendo desenvolver fobias e Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT). Por isso a importância do acompanhamento psicológico para minimizar os impactos emocionais”, reforça Fernanda. 

Publicidade

Por isso, a necessidade de a mulher passar pelo processo de cura. “Ele começa quando a mulher volta a se enxergar com verdade, com dignidade, com paixão, com respeito por si mesma”, explica a psicóloga Vera Brandão Miranda. 

Além disso, a profissional também destaca a importância que o ciclo social tem na reconstrução da autoestima de uma mulher agredida. “Hoje, há muitos caminhos que a mulher pode buscar, como grupos de apoio”, complementa.

LEIA TAMBÉM: Adriane Hilbig: a história de quem navega pela coragem de fazer acontecer

Violência de outras formas

A Lei Maria da Penha versa sobre agressões ocorridas no âmbito doméstico. Porém, a violência contra a mulher vai além desse contexto e pode ocorrer de diversas formas e em locais diferentes, como no ambiente de trabalho e nas demais instituições sociais. Embora a legislação brasileira assegure a igualdade entre todos, ainda não há, de forma específica, a tipificação da misoginia. Um projeto de lei com esse objetivo já está em tramitação e foi recentemente aprovado pelo Senado. 

O texto define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”. Na prática, ela pode ser definida nas situações em que a mulher é menosprezada ou ignorada só por seu gênero e, por muitas vezes, se manifesta através de atos ou falas violentas, que também geram prejuízos para a saúde mental das vítimas. “No mundo corporativo, muitas vezes a mulher precisa provar que ela é melhor”, enfatiza a psicóloga Vera Brandão Miranda (foto). Isso pode gerar autocobrança e competitividade excessiva.  

A profissional também salienta a importância de a sociedade buscar mudança. Brincadeiras desconfortáveis ou machistas não devem ser aceitas em qualquer ambiente.

VEJA MAIS NOTÍCIAS DO CADERNO ELAS

QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.