A capacidade de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegou ao limite no Hospital Santa Cruz (HSC). Diante da superlotação registrada na emergência e nas unidades de internação, a instituição acionou o Plano de Capacidade Plena no nível 3, medida que prioriza os atendimentos de urgência e emergência.
Na prática, o hospital segue atendendo normalmente, mas concentra sua estrutura assistencial nos pacientes em estado mais grave. Pessoas com quadros de menor gravidade são orientadas a procurar outros serviços da rede pública, incluindo Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
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Em entrevista à Rádio Gazeta, a diretora assistencial do HSC, Eliane Krummenauer, explicou que o plano funciona como um protocolo para reorganizar os fluxos quando a capacidade operacional da instituição é atingida. “Hoje, nossa porta de entrada do SUS e as unidades de internação estão lotadas. Esse alerta serve justamente para informar a população de que nossa estrutura está voltada principalmente aos casos de urgência e emergência”, afirmou.
O aumento da demanda, segundo a diretora, não está relacionado primordialmente às doenças respiratórias. A maior pressão é resultado do crescimento de casos graves característicos do inverno, como infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), além do fluxo de pacientes encaminhados de municípios vizinhos. O Hospital Santa Cruz é referência em especialidades como cardiologia e traumatologia, o que também contribui para a elevada ocupação.
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“É importante deixar claro que não estamos deixando de atender ninguém. Estamos priorizando os casos urgentes e pedindo a colaboração da população para que procure a rede básica quando se tratar de situações de menor gravidade”, reforçou Eliane.
Hospital Ana Nery chega a 85% da taxa de ocupação
O Hospital Ana Nery informou que mantém o fluxo dentro da normalidade, registrando ocupação de 85,35% e contava com seis leitos do SUS disponíveis. Atualmente, a casa de saúde conta com 62 leitos destinados ao sistema público.
Em nota, a assessoria de imprensa explicou que o índice está dentro do perfil da instituição, que é contratualizada pelo SUS para o tratamento de pacientes oncológicos e atua como referência para 49 municípios.
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O médico infectologista do Ana Nery, Eduardo Sonda, alertou que a chegada do inverno favorece o aumento dos casos de gripe, principalmente pelo vírus influenza. Segundo ele, as baixas temperaturas, aliadas à permanência em ambientes fechados e com pouca ventilação, facilitam o contágio. “Alguns cuidados simples podem fazer a diferença, como manter a vacinação em dia, evitar aglomerações, higienizar as mãos com frequência e utilizar máscara para quebrar a cadeia de transmissão.”
O especialista diz que essas medidas são ainda mais importantes para idosos e pessoas com comorbidades. Em caso de sintomas como febre, tosse, coriza ou falta de ar, a recomendação é buscar atendimento médico.
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A Prefeitura de Santa Cruz informou que não houve um aumento significativo nos atendimentos gerais, exceto por casos de problemas cardíacos, AVCs e outras situações que geraram reflexos no hospital. Além disso, o Centro Materno Infantil (Cemai) registrou movimento dentro da normalidade.
Fluxo de internações pelo SUS é afetado
A alta ocupação também comprometeu o fluxo de internações pelo SUS. A Unidade São Francisco opera com todos os leitos ocupados e há pacientes aguardando transferência da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta, da sala de recuperação da Hemodinâmica e do bloco cirúrgico para a ala de internação.
Embora o hospital espere a liberação de vagas em razão das altas médicas, a direção avalia que o movimento ainda não será suficiente para normalizar a situação.
Por isso, o Plano de Capacidade Plena continua ativo no nível 3 enquanto for necessário. A medida tem como objetivo garantir a segurança dos pacientes e assegurar que os casos mais graves recebam atendimento prioritário. O cenário segue monitorado e pode sofrer alterações conforme a disponibilidade de leitos.
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Demanda também aumentou na região
Na área da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde (13ª CRS), o acumulado de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) chegou a 319. O dado reforça a importância de estratégias de atendimento. A maioria, 163 (51,1%), é de homens, e os idosos de 60 a 79 anos somam 109 pacientes.
A coordenadoria abrange os municípios de Candelária, Gramado Xavier, Herveiras, Mato Leitão, Pantano Grande, Passo do Sobrado, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Vale do Sol, Vale Verde, Venâncio Aires e Vera Cruz. Até o momento, 26 pessoas morreram pela doença. Do total, 15 (57,69%) eram homens e 16 tinham entre 60 e 79 anos.
Venâncio Aires lidera os indicadores da região, com 157 hospitalizações e 14 mortes. Santa Cruz do Sul aparece em seguida, com 72 internações e cinco óbitos. Em 2025, a região registrou 823 internações e 77 mortes em função da SRAG.
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