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CULTURA

Com lançamentos de Cassionei Petry e Dulci Hohgraefe, sábado vai ser de Conexões Literárias no München

Foto: Rodrigo Assmann/Banco de Imagens

Mestre em Letras e professor, Cassionei Niches Petry elabora resenhas literárias e também ensaios de víés cultural. Já Dulci Alma Hohgraefe autografa em simultâneo dois livros que acaba de lançar

O projeto Conexões Literárias no München, desenvolvido pela administração do condomínio do München Open & Mall, na área central de Santa Cruz do Sul, e pelo Sesc Santa Cruz do Sul, em parceria com a Academia de Letras de Santa Cruz do Sul, prevê mais uma edição para este sábado, 25. A programação, gratuita e aberta à comunidade, inicia-se às 14h30 no hall do empreendimento, com atividade de contação de histórias com a escritora Valquíria Ayres Garcia, sob o tema “O Sapo Sapofe Contando sua História”.

A partir das 15h30, dois autores lançarão novas obras: o santa-cruzense Cassionei Niches Petry autografa Uma biblioteca na cabeça e Dulci Alma Hohgraefe, de Restinga Sêca, mas radicada em Santa Cruz, autografa duas obras, 100 reflexões para a alma e Enigmas da alma. Esses livros podem ser adquiridos no local. Ambos, bem como Valquíria, são integrantes da Academia de Letras.

Serviço

  • O quê: Conexões Literárias no München, no hall do München Open & Mall
  • Quando: neste sábado, 25, a partir das 14h30
  • Onde: no hall do München, no centro de Santa Cruz do Sul

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Sobre livros e leituras

Ao longo de uma década, o professor e escritor santa-cruzense Cassionei Niches Petry, de 47 anos, veiculou nas páginas da Gazeta do Sul resenhas a partir de obras que estava lendo. Agora, esses textos, acrescidos de mais alguns, que publicara em outros jornais e revistas, bem como em sites e em seus espaços na internet, foram agrupados em livro. Uma biblioteca na cabeça: ensaios de crítica literária (2002-2012), sob o selo da editora paranaense Kotter, proporciona, em 216 páginas, um instigante guia de leitura acerca de alguns dos mais importantes autores e algumas das mais celebradas criações da literatura nacional e internacional.

O volume terá o primeiro momento de lançamento em Santa Cruz do Sul neste sábado, 25, na parte da tarde. A sessão de autógrafos, a partir das 15h30, ocorre em simultâneo a lançamento também de duas obras da escritora Dulci Alma Hohgraefe, no evento Conexões Literárias no München, no saguão do München Open & Mall, na área central da cidade.

Professor na rede estadual de ensino, mestre em Letras – Leitura e Cognição, Petry é romancista e contista. Em seus ensaios e nas resenhas, evidencia seu contato de longa data com mestres da literatura mundial, dos clássicos aos contemporâneos, e em diferentes gêneros. São obras e autores que agora convida seus próprios leitores a também apreciarem.

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Para adquirir: exemplares estarão à venda no local por R$ 79,70. O livro pode ser adquirido também com o autor ou no site da editora Kotter, de Curitiba (PR)

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Uma estante de luxo

Entre gaúchos, brasileiros e estrangeiros, pelas páginas de Uma biblioteca na cabeça desfilam, ensaio a ensaio, grandes nomes da literatura em todos os tempos. E o artigo que abre o conjunto (em sequência a breve apresentação) é nada menos do que “Prêmio Nobel para um santa-cruzense”. Trata-se da resenha de Cassionei para O grau Graumann, romance no qual o pernambucano Fernando Monteiro define que um certo Lúcio Braun Graumann, nascido em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, é o primeiro brasileiro a ganhar o Nobel de Literatura na história.

“Costumo dizer que minha religião é a Literatura. Sou devoto, dentre outros, de São Machado de Assis e de São Julio Cortázar. E quem seria Jesus? Franz Kafka, é claro. Assim como o homem de Nazaré, Kafka teve problemas com o pai (“por que me abandonaste?”, perguntou Cristo na cruz), não se casou, nem teve filhos (por mais que tentem provar que Jesus se envolveu com Maria Madalena) e só obteve reconhecimento depois de morto. Além disso, podemos dizer que ambos são o que são graças à traição de um amigo. Não quero polemizar sobre o evangelho de Judas, tão atacado por conservadores da igreja, mas, se Iscariotes não tivesse dado o beijo delator, provavelmente não conheceríamos hoje o cristianismo e os crucifixos não estariam decorando as paredes de milhões de casas em todo o mundo (aliás, essa é a única religião a ter como símbolo um instrumento de tortura). O ‘Judas’ de Kafka foi Max Brod, a quem havia sido confiada a missão de queimar todos os escritos não publicados em vida pelo autor tcheco. Se ele tivesse cumprido o que Kafka pedira, não conheceríamos boa parte de seus contos e romances, principalmente O processo (cuja melhor edição é a da Companhia das Letras, com tradução de Modesto Carone).”

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De “O mundo é kafkiano”

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Cuidar do corpo é cuidar da alma

Um tema ou um conceito perpassa a obra da professora e escritora Dulci Alma Hohgraefe: “alma”. Se o termo constitui o seu segundo nome próprio (que herdou de sua mãe, que assim também se chamava), acabou por se transformar em uma das mais constantes investigações que fez ao longo da vida, apoiada em sua ampla formação em humanidades.

E duas das mais recentes concretizações de seus estudos ela compartilha neste sábado com o público, na forma de dois novos livros de sua autoria: 100 reflexões para a alma e Enigmas da alma, ambas editadas pela Vírtua, de Caxias do Sul, pela qual, na prática, lançou toda a sua obra, que agora totaliza 24 títulos.

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Ela autografa os dois volumes a partir das 15h30, no evento Conexões Literárias no München, iniciativa da administração do condomínio desse estabelecimento, situado na área central de Santa Cruz do Sul, em parceria com o Sesc Santa Cruz do Sul e a Academia de Letras de Santa Cruz do Sul. Exemplares poderão ser adquiridos no local (veja o box de serviço, à direita).

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Dulci é natural de Restinga Sêca, a cerca de 110 quilômetros de Santa Cruz do Sul, no sentido de Santa Maria. Nesta segunda-feira, 27, ela completa 73 anos. Está radicada em Santa Cruz desde a juventude, tendo se fixado nessa cidade para cursar o ginásio e o Técnico em Contabilidade, no Colégio Mauá. Nunca mais perdeu os vínculos com Santa Cruz. Ampliou a sua formação com o Curso de Letras na Unisc, e depois com especialização em Supervisão Escolar e o mestrado em Educação na PUCRS.

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Na atuação profissional, teve vínculo com escolas públicas e privadas, e cumpriu funções relevantes na Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e na Secretaria Estadual de Educação. Junto à Unisc, teve participação decisiva na implantação do campus da instituição em Capão da Canoa e do Centro de Educação Profissional (Cepro). Após a sua aposentadoria da atividade docente e diretiva, realizou trabalho voluntário no Educandário Thales Theisen, no Bairro Faxinal.

Hoje aposentada, em meio a suas leituras e seus estudos, Dulci divide-se entre temporadas em Santa Cruz e em sua terra natal, a localidade de São Miguel, às margens da RSC-287, onde desfruta da comodidade e da paz do… Recanto da Alma. Nessas oportunidades amplia suas reflexões e pesquisas sobre espiritualidade em geral, que se traduzem em textos inspirados e inspiradores, muitos dos quais compartilha com os leitores da Gazeta do Sul, como colaboradora assídua da seção “Interativo”, na página 2 de cada edição.

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Um dos novos livros, 100 reflexões para a alma, é justamente uma seleção que fez de parcela desses textos veiculados no jornal. Agora, agrupados, proporcionam aos leitores uma percepção de conjunto: pela abordagem, podem tanto ser lidos na sequência natural em que aparecem no volume como podem ser apreciados abrindo-se a obra ao acaso. Em todas as situações, tem-se uma proposta de forte e constante valorização dos potenciais humanos, sempre com a preocupação de preservar e alimentar a sensibilidade em cada um.

Já em Enigmas da alma apresenta um processo de elevação ou de espiritualização. Como frisa em um poema de abertura, “Enigmas são provocações / Que geram reflexões / Buscando entendimento / Que possa trazer alento.” E de alento, afinal, a humanidade anda muito carente.

“Em plena era tecnológica que avança a passos céleres, precisamos estar atentos e despertos para acompanhar o ritmo e a velocidade impostos, mas ao mesmo tempo preservar a serenidade e o equilíbrio para observar e avaliar cada situação ou desafio com que nos deparamos, acolhendo os aprendizados que possam agregar.

Outra exigência imprescindível é a prontidão para acomodar mudanças, abrir espaço para o novo, desapegando de velhos hábitos ou crenças limitantes que dificultam avanços e progressos na trajetória evolutiva, sem perder a direção e o foco dos nossos propósitos.

Esse é o contexto posto, porém temos que ter o discernimento do que é passageiro e o que permanece intocável em sua essência, que são as virtudes a serem conquistadas, baseadas nos valores nobres que norteiam a vida e a sobrevivência nesse espaço comum que habitamos.

Na Criação tudo obedece a uma ordem, cujas regras sustentam e viabilizam a manutenção da vida em todas as suas formas de manifestação, permitindo equilíbrio e harmonia ao todo; são as chamadas leis naturais, inscritas na consciência, portanto inscritas em cada ser.

Somos seres únicos e singulares, mas sujeitos a todo tipo de influência do meio, bem como dos outros, da mesma forma que nossas escolhas e decisões influenciam os semelhantes, visto que imersos em energias comuns, mas cada qual absorve e acomoda de acordo com a sua história e suas vivências, de acordo com seu estágio evolutivo.”

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