A sequência de dias chuvosos e úmidos no Rio Grande do Sul aumenta a ocorrência de mofo dentro das residências. Paredes, cantos pouco ventilados, móveis e até banheiros podem apresentar as manchas escuras típicas dos fungos. A Rádio Gazeta ouviu um especialista no assunto. A entrevista na íntegra está disponível no final da matéria.
Segundo o professor adjunto da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Valeriano Antônio Corbelini, o mofo precisa principalmente de umidade, mas também encontra alimento na poeira e na matéria orgânica acumulada nas superfícies. “Mofos são fungos, na verdade, e se instalam na superfície, nas paredes porosas”, explica.
Ele destaca que gordura das mãos, poeira e outros resíduos podem se acumular nas rugosidades das paredes e, com a umidade, facilitar o desenvolvimento.
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Inverno favorece o aparecimento
O período de frio e chuva é especialmente favorável aos fungos. Com as pessoas mantendo portas e janelas fechadas, há menos troca de ar. Além disso, as paredes ficam frias e podem concentrar umidade. “Existe nessa época do ano, no inverno nosso aqui, mais característico de se formar esse processo”, afirma Corbelini.
Os locais menos ventilados são os mais propícios, especialmente cantos de paredes e áreas escondidas. O professor lembra ainda que o mofo não depende de luz para crescer.
Cuidado na hora da limpeza
A limpeza periódica é a principal forma de prevenção. Corbelini recomenda atenção especial aos locais mais escondidos e pouco arejados. “O ideal seria em torno de duas em duas semanas, mas, senão, na medida do possível, uma vez por mês, passar um paninho úmido”, orienta.
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Se o mofo já apareceu, a remoção exige mais cuidado. O professor recomenda uma desinfecção antes da limpeza e alerta para um erro comum: passar pano seco sobre a mancha. “Não adianta passar um pano seco por cima, não se faz sob hipótese alguma isso, porque ele vai liberar esporos, ele vai espalhar no ambiente”, alerta.
A orientação é manter a superfície úmida durante a remoção, usando uma esponja ou pano molhado. Depois, pode ser feita a limpeza normalmente.
Mofo pode afetar a saúde
O principal risco está relacionado ao sistema respiratório. A atenção deve ser maior em casas onde vivem pessoas com alergias, asma ou doenças respiratórias. “O risco maior sempre é o respiratório”, afirma o professor.
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Por isso, mesmo que a mancha pareça apenas um problema estético, o ideal é não deixar o mofo se acumular.
Ar-condicionado também exige cuidados
O ar-condicionado pode ajudar no conforto térmico, mas não substitui a renovação do ar. É importante abrir portas ou janelas de tempos em tempos e manter os filtros limpos. “As pessoas acham que é simplesmente ligar o ar de tempos em tempos. O ar não se renova dentro da sala”, explica Corbelini.
Segundo ele, filtros contaminados podem acumular grande quantidade de fungos e espalhar esporos pelo ambiente.
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Evite receitas caseiras
O professor também alerta contra misturas e receitas encontradas na internet para combater o mofo. Algumas podem não funcionar e até favorecer determinados fungos. “Não fazer nenhuma invenção de última hora que aparece bastante na internet”, recomenda.
Para evitar o problema, a estratégia é simples: limpeza frequente, ventilação e controle da umidade.
“Uma limpeza periódica, dificilmente vocês vão observar algo desse tipo crescendo em casa, independente de se fizer frio, chuva”, resume Corbelini.
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*Com colaboração de Lucas Malheiros
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