Nem toda dor persistente após um acidente ou contusão deve ser encarada como um incômodo passageiro. A causalgia – uma dor intensa e contínua provocada por lesões nos nervos periféricos – tem acendido um alerta na rotina profissional, ambiente onde posturas inadequada e movimentos repetitivos costumam agravar quadros físicos. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o Hospital Humaniza, da Hapvida em Porto Alegre, registrou 1.282 atendimentos ligados à condição, representando 8,53% do total de consultas do período.
O dado ganha peso frente à realidade regional. Estudo da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) indica que a prevalência de dor crônica na Região Sul atinge 42% da população acima dos 50 anos, índice superior à média nacional de 37% estimada pelo Ministério da Saúde. O cenário reforça a necessidade de combater o hábito de ignorar os primeiros sinais transmitidos pelo corpo.
Apesar de a má postura não causar a causalgia diretamente, a falta de ergonomia atua como estopim para sobrecargas musculoesqueléticas severas. Segundo o ortopedista Victor Dezotti, da Hapvida, permanecer longos períodos na mesma posição afeta diretamente estruturas que vão da coluna cervical e lombar aos ombros, punhos e joelhos. Trabalhadores de escritório e profissionais envolvidos em esforço físico repetitivo lideram as estatísticas de vulnerabilidade aos sintomas.
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Para mitigar os riscos, a orientação médica foca em ajustes simples no ambiente profissional. Adoção de apoio lombar, regulagem dos braços na digitação e tela na linha do horizonte devem vir acompanhadas de pausas preventivas. O ideal é levantar a cada 30 ou 40 minutos para realizar alongamentos e manter uma rotina de exercícios físicos fora do expediente, fortalecendo a musculatura para as exigências diárias.
Fique atento aos sinais
A causalgia manifesta-se comumente em mãos, pés, braços ou pernas, podendo vir acompanhada de inchaço, alterações na cor e temperatura da pele, ressecamento ou suor excessivo. Nesses casos, a região afetada passa a responder com sensibilidade exacerbada até mesmo a toques leves.
Quando procurar ajuda:
Dores que persistem por mais de 30 a 60 dias, aumentam progressivamente ou surgem associadas a formigamento, perda de força e limitação de movimentos exigem avaliação médica imediata. Sintomas neurológicos associados são indicativo claro de que o quadro requer investigação especializada.
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