A escolha de um método contraceptivo vai muito além da prevenção da gravidez. Idade, histórico de saúde, rotina, efeitos desejados e características do ciclo menstrual são alguns dos fatores que devem ser considerados antes de definir qual opção é mais adequada para cada mulher. Para a ginecologista Indira Dini Schwengber, não existe um método que seja o melhor para todas.
Segundo a médica, a definição deve levar em conta a história clínica, as expectativas e as prioridades da paciente. Além de evitar uma gestação, algumas mulheres podem buscar a redução do fluxo menstrual, melhora da acne ou da oleosidade da pele.
» Confira o Caderno Elas de agosto na íntegra
Publicidade
Atualmente, existem diferentes opções de métodos contraceptivos, hormonais e não hormonais. Entre os hormonais estão as pílulas combinadas, que associam estrogênio e progesterona, e as pílulas compostas somente por progesterona. Também existem os contraceptivos injetáveis: os combinados, com estrogênio e progesterona, de aplicação mensal; e os que têm apenas progesterona, aplicados a cada três meses.
Outra alternativa é o implante subdérmico, como o Implanon, colocado sob a pele do braço. O dispositivo consiste em uma pequena haste de plástico flexível, aproximadamente do tamanho de um palito de fósforo, que libera continuamente o hormônio etonogestrel, que é um tipo de progestágeno. Ele atua principalmente inibindo a ovulação e tem duração de três anos. O método ganhou ainda mais destaque com a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso a uma opção contraceptiva de longa duração.
Também estão entre as opções os DIUs hormonais, que liberam progesterona e podem permanecer por cinco a oito anos, conforme o tipo. Há ainda o anel vaginal, que libera uma combinação de estrogênio e progesterona e é trocado a cada três semanas; e o adesivo transdérmico, também com estrogênio e progesterona, utilizado durante três semanas, seguido de uma semana sem o adesivo.
Publicidade
Entre os métodos não hormonais estão os preservativos masculino e feminino e os DIUs de cobre ou de cobre com prata. Enquanto os preservativos funcionam como uma barreira, os DIUs não hormonais liberam metais que dificultam a ocorrência da gestação.
Segundo Indira, na grande maioria dos métodos hormonais, o principal mecanismo para prevenir a gravidez é o bloqueio da ovulação. A exceção são os DIUs hormonais, que atuam de outras formas para evitar a gestação. A variedade de opções reforça a importância da avaliação individual. Os efeitos colaterais também podem variar de acordo com a paciente e com o método. Indira ressalta que a maioria não apresenta sintomas adversos.
Interferência de antibióticos
Uma dúvida comum está relacionada ao uso simultâneo de anticoncepcionais e outros medicamentos. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a maioria dos antibióticos não reduz a eficácia dos anticoncepcionais. Entretanto, há exceções. A orientação é conversar com o ginecologista.
Publicidade
Pílula do dia seguinte
A pílula do dia seguinte não deve ser utilizada como método contraceptivo de rotina; deve ser reservada para situações específicas em que houve uma relação sexual desprotegida e existe risco de gestação.
Acompanhamento faz parte
Mais do que escolher um método, a ginecologista destaca a importância de acompanhar regularmente a opção adotada. As necessidades de uma mulher podem mudar ao longo do tempo, assim como seu estado de saúde, sua rotina e suas prioridades. A contracepção não deve ser encarada como uma decisão definitiva. A avaliação individual permite ajustar o método às diferentes fases da vida.
Atenção ao estrogênio
Algumas mulheres não devem utilizar métodos que contenham estrogênio. É o caso de quem já teve trombose, apresenta hipertensão não controlada, histórico de infarto ou acidente vascular cerebral. Mulheres com diabetes de longa duração também precisam de atenção especial. Enxaqueca com aura e o tabagismo são outros fatores que devem ser avaliados pelo ginecologista.
Publicidade
Quando começar a usar
O uso de anticoncepcionais pode ser iniciado a partir do momento em que a menina já menstrua. Conforme Indira, quando não há problemas relacionados ao fluxo menstrual e a adolescente ainda não iniciou a vida sexual, pode-se aguardar. A médica ressalta, porém, que a orientação muda quando existe a possibilidade de início da vida sexual.
Aumento de peso
Segundo a ginecologista, não há comprovação de que os anticoncepcionais façam as mulheres engordarem. A exceção apontada é o contraceptivo injetável trimestral, que apresenta pequeno aumento do risco de ganho de peso.
Publicidade
Quer receber notícias de Santa Cruz do Sul e região no seu celular? Entre no nosso novo canal do WhatsApp clicando aqui. Ainda não é assinante Gazeta? Clique aqui e faça agora!