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ELEIÇÕES 2026

Priscila Voigt reforça ser contra parcerias público-privadas e privatização

Foto: Expedito Engling

Nutricionista, Priscila Voigt é a candidata ao governo do Estado pelo Unidade Popular. Ela fez residência em saúde coletiva em Porto Alegre, tendo atuado também como coordenadora do Movimento de Luta nos Bairros (MLB), que trabalha pela moradia digna, destinando lugares abandonados para receberem moradores, a partir da organização de ocupações desses espaços. 

Apresentando-se como candidata verdadeiramente de esquerda, posiciona-se contrária ao estabelecimento de parcerias público-privadas (PPPs) e às privatizações, que considera uma destinação dos recursos públicos para as empresas. Destacou, durante a entrevista à Gazeta Grupo de Comunicações, a abertura do espaço para o partido. “Tentam fazer parecer que existem apenas quatro candidatos, mas a verdade é que esses quatro defendem um projeto de direita”, critica. 

Apontando a necessidade da atenção à violência doméstica, destaca que sua chapa é 100% feminina, com a vice Naftaly Pereira do Nascimento, também do UP. 

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Entrevista – Priscila Voigt, candidata ao governo do Estado

  • Gazeta do Sul – De que forma a senhora acredita que o Estado pode auxiliar na produção rural, em especial de tabaco? O nosso programa político tem um ponto específico – e, para mim, que sou nutricionista, é central inclusive na minha trajetória –, que é a luta pela reforma agrária e pela produção de alimentos que possamos comer. Nós defendemos uma mudança radical no modelo de produção agrícola no nosso Estado. Queremos produzir para alimentar o nosso povo. No Rio Grande do Sul, temos 1,7 milhão de gaúchos que vivem em segurança alimentar. Isso significa que passam fome. E é preciso, inclusive, investir no pequeno produtor, porque a maior parte do que consumimos é fruto da agricultura familiar: 70%. O agronegócio exporta, principalmente, soja e gado, e não fica produção para o povo gaúcho, para o povo brasileiro comer. E é preciso melhorar também as condições de trabalho do produtor. Esses produtores agrícolas dessa pequena produção, inclusive a do tabaco, sofrem com jornadas estenuantes de trabalho, passando de dez a 12 horas e chegando às vezes até a 16 horas. Isso tem um impacto muito grande na saúde. O próprio uso indiscriminado de agrotóxicos e, muitas vezes, a intoxicação pela planta do tabaco. Então tudo isso impacta profundamente a saúde do produtor, do trabalhador agrícola, do camponês. Essa questão também é importante para a gente, além de ter um investimento massivo nessa agricultura familiar, porque hoje a maior parte do dinheiro, inclusive federal, vai para o agronegócio. Enquanto isso, muitos agricultores familiares quebram e precisam vender a sua propriedade.
  • Geograficamente, Santa Cruz do Sul pode ser polo estadual de logística, mas a região tem problemas de infraestrutura. Como a senhora acredita que isso possa ser viabilizado? Quando se fala em ser um polo logístico, falamos de vários modais, de podermos, de fato, investir no transporte ferroviário, porque isso também é melhorar as rodovias. Diminui o número de caminhões e os acidentes de trânsito, porque, melhorando também a qualidade de vida desses trabalhadores. Muitos caminhoneiros trabalham em situações precárias, com uma jornada grande, não podendo descansar. Investir nas ferrovias é importante, e também melhorar as estruturas das rodovias. Nós, da Unidade Popular, não somos favoráveis nem às concessões, nem às PPPs, nem às privatizações. Na prática, são privatizações das rodovias, porque isso dá dinheiro para uma empresa privada, e ela visa o lucro. Ou seja, material pior, demora nas obras… Hoje, por exemplo, a EGR, que é a empresa pública, gerencia apenas 5% das rodovias do nosso Estado. Então, a responsabilidade maior é das empresas privadas, que gerenciam. É importante que a gente consiga criar frentes emergenciais de trabalho que possam resolver diversos problemas estruturais de várias regiões. Contratar as pessoas que vivem no local e usar a tecnologia e o conhecimento das universidades e dos trabalhadores. Contratando os trabalhadores de forma direta pelo Estado, vai ser resolvido de uma forma mais ágil.
  • Sobre a EGR, a senhora defende a manutenção ou a extinção da empresa? O problema não está na EGR. Nós defendemos que seja construído e gerenciado diretamente pelo poder público. Se o nome é esse, se a empresa é essa, esse é um outro debate, mas nós defendemos que o gerenciamento das rodovias seja feito diretamente pelo Estado. Isso significa a paridade do dinheiro público para as concessões. O governo quer fazer leilão na Bolsa de Valores e, nesses leilões, esse dinheiro vai para as concessões dessas empresas. Elas não fazem as obras que prometem e ainda lucram, além do dinheiro público, com os pedágios. Houve CPIs sobre os pedágios, e acreditamos que pedágio é roubo, essa é a verdade. Nós vamos acabar com os pedágios. Vamos investir fortemente o dinheiro público na construção e na manutenção das rodovias, investir na qualidade das rodovias e fazer com que a partir das frentes emergenciais de trabalho nós possamos contratar os trabalhadores das regiões para construírem as obras. Com certeza serão mais ágeis do que hoje estão acontecendo, justamente porque eles ficam enrolando para ganhar mais dinheiro público e lucrar com isso.
  • O que o seu plano prevê para minimizar os efeitos dos fenômenos climáticos? Todo momento que chove no nosso Estado, como estamos vivendo agora, é aterrorizante para todo o povo gaúcho. Porque a gente não sabe o que vai acontecer, se vamos ter que sair de novo das nossas casas, se as famílias vão ser afetadas, se vamos perder tudo na enchente outra vez. E o que afetou o nosso povo na enchente – e que infelizmente não foi só em 2024 – foi a maior parte porque é que mais de 95% do nosso estado foi afetado. Mas a região dos Vales sofre com isso todos os anos. Esse enfrentamento é importante e a política de priorizar o lucro, de desmatar, de produzir sem se preocupar, inclusive, com a natureza, com o meio ambiente, gerou isso. Precisamos investir pesado nas infraestruturas dos diques de contenção. Infelizmente, ainda não foi entregue nenhuma obra nessa área.

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