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VOCAÇÃO

Sílvia Genz encontrou na fé um propósito para transformar vidas como líder religiosa

Foto: Divulgação

Sílvia Beatrice Genz, natural de Santa Cruz do Sul, é a atual presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e dedicou-se a transformar vidas e ajudar comunidades

Uma pastora que abriu caminho para as mulheres na liderança religiosa. Sílvia Beatrice Genz, natural de Santa Cruz do Sul, é a atual presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e dedicou-se a transformar vidas e ajudar comunidades. Nessa história, há uma protagonista que encontrou dentro da igreja uma maneira de exercer a liderança, ao oferecer acolhimento e se dedicar com compaixão a cada pessoa que encontrou. Eleita como pastora-presidente da IECLB, em 2018, Sílvia é uma mulher sábia, que ensina sobre perdão, sobre respeito e a nunca perder a fé.

Há 43 anos, ela contribui com o ministério pastoral e acompanha de perto o trabalho de 18 sínodos – unidades regionais que fazem parte da estrutura da Igreja – com mais de 3.600 comunidades distribuídas em todo o Brasil. Nascida em Linha Nova, no interior de Santa Cruz, Sílvia sempre sonhou em exercer uma profissão que trabalhasse diretamente com as questões sociais. E encontrou.

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Um pastor da Alemanha, amigo de sua família, a encorajou para seguir a vocação religiosa. À época, chegou a dizer a ele: “Mas não existem mulheres pastoras.” Então, a jornada iniciou-se aos 15 anos, como estudante do Colégio Mauá, em Santa Cruz. Após se formar no ensino fundamental, mudou-se para São Leopoldo com o objetivo de cursar o ensino médio no Instituto Pré-Teológico.

No jeito doce e sereno de se comunicar, com o marcante sotaque alemão em sua fala, Sílvia Beatrice Genz conta que vivenciou uma época de muito aprendizado no internato. Ao longo da estadia, teve a oportunidade de estudar inglês, latim e grego, e se preparava todos os dias para ser pastora. Havia poucas mulheres na profissão, pois os homens eram ampla maioria. “As pessoas me diziam que eu deveria escolher um caminho diferente, mas continuei firme na Teologia”, destaca.

Sílvia residiu em diversas cidades: Colorado do Oeste, em Rondônia; Palmitos e Chapecó, em Santa Catarina; e em Marques de Souza e Lindolfo Collor, no Rio Grande do Sul. Em meio ao trabalho, sempre esteve presente na educação das filhas. Antes mesmo de ser eleita pastora-presidente da IECLB, em 2018, ela já havia sido indicada para ser a segunda vice-presidente, mas recusou. Sílvia disse não por entender, naquele momento, que precisava cuidar da família. Ela recorda que, mesmo assim, sentia-se dividida e não queria deixar a comunidade sem auxílio pastoral. “Então, disse sim.”

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Ao lado da família, a pastora sinodal Sílvia compartilha momentos de lazer e afeto para além das atividades pastorais

Diálogo e inclusão feminina

Sílvia é a primeira e única mulher a ocupar a presidência da IECLB. Ao desempenhar um papel decisivo para aproximar as pessoas da instituição, a religiosa considera que toda a sua trajetória testemunhou a seu favor. “Sempre fui uma pastora preocupada com a questão feminina”, enfatiza.

Na primeira comunidade que visitou após a eleição, relata que foi cautelosa ao se apresentar porque sabia que os moradores eram tradicionais e conservadores. Ela conta que estava dirigindo um Fusca e, habitualmente, os homens da localidade iriam até o veículo para receber o pastor. Porém, foram as mulheres que se adiantaram para recepcionar a nova líder da igreja. Foi preciso aprender a ter paciência e manter a calma para que as pessoas compreendessem e aceitassem sua liderança. Devagar e sem prejudicar ninguém, Sílvia buscou maneiras de incluir as mulheres nas conversas e nas decisões dentro da igreja e das comunidades.

Sílvia dedica-se há mais de quatro décadas ao papel de líder espiritual

Ao falar sobre os desafios que precisou enfrentar, destaca que, há cerca de seis anos, foi aprovada a criação da Política de Justiça de Gênero, pois não havia equidade nos sínodos. “Eram sempre e somente homens. Hoje, as representantes femininas podem e conseguem demonstrar à sociedade que são capazes de liderar”, defende. Aos poucos, a mudança cultural foi acontecendo diante dos olhos de Sílvia.

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Legado às novas gerações

Sílvia salienta que, em Vitória, capital do Espírito Santo, o cargo de pastora sinodal é atualmente ocupado por uma mulher, algo que “jamais teria passado na cabeça de alguém há alguns anos”, reflete. Há oito anos à frente da IECLB e há mais de quatro décadas dedicando-se ao papel de líder espiritual, a presidente sustenta que, com muito diálogo e compreensão, os espaços foram sendo abertos nas casas, nas famílias e nas comunidades. “Nós abrimos porteiras de arame e passamos por cima de pontos estreitos”, acredita.

A pastora relembra um diálogo significativo com uma senhora de 99 anos, a quem perguntou o que deveria fazer para também alcançar aquela idade. Segundo Sílvia, a mulher respondeu com convicção: “É preciso ter coragem para viver.” Hoje, com 69 anos, compartilha sua sabedoria com os jovens ao propagar que aprender a ter serenidade e determinação e praticar o perdão são os melhores ensinamentos que pode oferecer. Sílvia considera que, ao errar, é importante aprender a recomeçar.

Embora a dor seja inevitável para todos, a saída está em criar conexões verdadeiras cultivando laços de afeto, sinceridade e alegria. Ela entende que o sofrimento está no mundo, mas a felicidade também. “Encontrei pessoas maravilhosas que me conhecem e reconhecem a diferença que fiz na vida delas. Sou realizada porque ajudei pessoas que desejavam voltar a viver quando já haviam desistido”, disse.

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“A leitura e o diálogo ensinam a enxergar as dificuldades do outro; assim podemos acolher por meio dos conhecimentos que adquirimos”, complementa Sílvia. Em razão disso, ela afirma que o estudo é a melhor escolha para a vida. “Ninguém poderá nos tirar a sabedoria que possuímos”, frisa.

 

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