Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

INFRAESTRUTURA

Rio de Janeiro dá lições para acelerar a transformação do saneamento no Rio Grande do Sul

Profissionais dos veículos de comunicação do Rio Grande do Sul puderam conhecer de perto as iniciativas adotadas pela companhia no Rio de Janeiro

Antes marcadas pela degradação resultante da falta de saneamento, a Baía de Guanabara, a Lagoa Rodrigo de Freitas e praias como Flamengo e Botafogo hoje ostentam uma nova realidade. Conhecidas como símbolos do Rio de Janeiro, essas áreas começam a se tornar exemplos de recuperação ambiental resultante de investimentos em infraestrutura, tecnologia e gestão.

As transformações nesse sentido foram apresentadas a profissionais de jornais diários do interior do Rio Grande do Sul, entre eles a Gazeta do Sul, nos dias 13 e 14 de agosto, durante visita às operações da Águas do Rio, empresa que, assim como a Corsan, faz parte do Grupo Aegea.

A concessionária iniciou sua operação em novembro de 2021, dois anos antes de a Aegea assumir a estatal gaúcha. O intervalo permite observar resultados já consolidados de um processo de modernização que também está em curso no território sul-rio-grandense.

Publicidade

As duas estruturas, porém, possuem dinâmicas distintas. No Rio de Janeiro, a Águas do Rio responde pela distribuição de água e pelos serviços de coleta e tratamento de esgoto em sua área de atuação, enquanto a produção do recurso permanece sob responsabilidade da Cedae. Já a Corsan atua em todo o ciclo do saneamento – da captação e tratamento ao fornecimento –, além do esgotamento sanitário em 317 municípios gaúchos.

Mais do que conhecer intervenções e equipamentos, a imersão permitiu compreender um conceito central: o saneamento começa onde quase ninguém vê, mas seus reflexos são coletivos.

Aprendizado

Pessoas também fazem parte da infraestrutura

Publicidade

Outro aprendizado está na relação construída com as comunidades. Na Mangueira, comunidade com cerca de 100 mil habitantes, a presença da empresa vai muito além da execução de obras. Segundo dados apresentados durante a visita, 5 mil moradores de comunidades trabalham na Águas do Rio e outros 1,7 mil atuam como interlocutores entre a empresa e a população, contribuindo para viabilizar obras, estabelecer parcerias e fortalecer o relacionamento com os territórios.

A estratégia ajuda a construir a chamada licença social para operar. Obras de saneamento interferem na rotina das cidades, abrem ruas, alteram o trânsito e exigem tempo para serem sua conclusão. Quando existe diálogo, presença e participação da comunidade, a compreensão sobre a importância dessas intervenções aumenta e a população passa a fazer parte da transformação.

Benefícios para a preservação do meio ambiente

Os efeitos da recuperação não se limitam às praias. Na Baía de Guanabara, a modernização de estações, tubulações e outras estruturas ampliou a capacidade de coleta e tratamento. Segundo a Águas do Rio, mais de 80 milhões de litros de água contaminada com esgoto deixaram de chegar diariamente ao ecossistema.

Publicidade

O biólogo, fotógrafo e cinegrafista Ricardo Gomes, do Instituto Mar Urbano, acompanha a região há três décadas e relata uma melhora perceptível da qualidade da água e o aumento da presença de espécies como tartarugas-verdes, raias, golfinhos e baleias-jubarte.

Na Lagoa Rodrigo de Freitas, outro símbolo da cidade, o biólogo Mário Moscatelli acompanha há 36 anos o processo de recuperação dos manguezais. A parceria com a Águas do Rio, iniciada em 2022, impulsionou novas ações de restauração ambiental e recuperação da biodiversidade.

Onde antes predominavam a poluição e o mau cheiro, surgem novas possibilidades de lazer, turismo e convivência. A recuperação ambiental passa a gerar impactos positivos também para restaurantes, comércio, atividades econômicas e valorização dos espaços urbanos. O saneamento deixa de ser apenas infraestrutura e passa a integrar a transformação social e econômica da cidade.

Publicidade

Quando uma obra subterrânea devolve uma praia às pessoas

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa atuação está sob a terra. O Interceptor Oceânico, túnel de 9 quilômetros que recebe os efluentes de grande parte da Zona Sul carioca, passou pela primeira grande desobstrução de sua história. Cerca de 2 mil toneladas de resíduos acumulados ao longo de décadas foram retiradas da estrutura.

Com a recuperação do sistema, o trecho final do Rio Carioca, que lançava águas contaminadas na Praia do Flamengo, passou a ser direcionado ao sistema de interceptação. Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o conjunto de intervenções contribuiu para reduzir em 92% a poluição da praia, que voltou a ser própria para banho após quase quatro décadas.

É uma tradução concreta do impacto do saneamento: uma intervenção que começa em uma estrutura subterrânea termina com pessoas voltando a ocupar espaços que haviam sido perdidos para a poluição.

Publicidade

Avanço exige ações conjuntas

A realidade gaúcha tem outra escala e desafios próprios. Quando a Aegea assumiu a Corsan, em 2023, a cobertura de esgoto era de 19%. Hoje está próxima de 30%. Para acelerar a universalização até 2033, a Companhia vem ampliando investimentos e adotando soluções capazes de ganhar tempo e escala, como as estações modulares de tratamento de esgoto, que reduzem de anos para meses o prazo de implantação dessas estruturas.

A experiência do Rio ajuda a mostrar por que essa aceleração é importante. Não existe uma única obra capaz de transformar uma cidade. Há uma sequência de ações: ampliar redes, recuperar estruturas, incorporar tecnologia, combater perdas, fortalecer o relacionamento com as comunidades e manter os sistemas funcionando de forma eficiente.

No Rio de Janeiro, cinco anos de trabalho já permitem visualizar resultados que antes pareciam distantes. No Rio Grande do Sul, o desafio envolve 6,5 milhões de pessoas distribuídas em 317 municípios e ocorre em um contexto desafiador, marcado por eventos climáticos cada vez mais severos.

Por isso, olhar para o Rio de Janeiro não significa buscar uma solução para copiar. As duas operações pertencem ao mesmo grupo, mas atuam em territórios, modelos e escalas diferentes. A experiência da Águas do Rio oferece a oportunidade de observar, dois anos à frente, os resultados de uma transformação que também começa a ganhar forma no Rio Grande do Sul.

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.