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"muito prazer"

Jorge Furtado retorna à comédia com filme sobre amor e algoritmo

Foto: Divulgação

Quase 20 anos depois de “Saneamento Básico, o Filme”, Jorge Furtado retorna à comédia na telona com “Muito Prazer”, em cartaz nos cinemas. A espera valeu a pena: o filme parte de uma situação improvável para construir uma história que, por trás do humor, olha para questões cada vez mais presentes no cotidiano, como a maneira que os algoritmos interferem no que consumimos, desejamos e na forma como nos relacionamos.

A convite da Primeiro Plano, a Gazeta do Sul assistiu à produção e entrevistou o cineasta — que possui uma antiga relação com Santa Cruz do Sul — e o elenco principal. A história acompanha Rubem (Daniel de Oliveira), um motorista de aplicativo que recebe uma herança inesperada do tio: o Motel Pérola. Entretanto, depara-se com o estabelecimento fechado e o prédio em ruínas. Lá, descobre que Grace (Luísa Arraes), ex-funcionária, morava em uma das suítes.

Atolado em dívidas e sem saber como fazer o negócio funcionar, Rubem une-se a Grace e reativa o motel. Sem dinheiro e com o estabelecimento longe de dar lucro, os dois encontram uma solução pouco convencional para aumentar o faturamento: gravar os clientes e comercializar os vídeos na internet. O trio é completado por Nalva (Samantha Jones), que ajuda a transformar a ideia ousada em um negócio lucrativo.

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Apesar da situação absurda, o roteiro de Furtado evita transformar seus personagens em caricaturas para contar uma história essencialmente humana: a de pessoas tentando encontrar alguma saída para uma vida que não saiu exatamente como planejavam.

Uma das melhores características de “Muito Prazer” é que, embora envolva pornografia, câmeras escondidas e um motel como cenário principal, o filme não está interessado em apelar ou chocar. Por mais que seja motivo de piada, o universo adulto é usado para falar de intimidade, exposição e, principalmente, de como a tecnologia passou a participar de experiências que antes pertenciam exclusivamente ao campo pessoal.

Assim como o Motel Pérola se torna um personagem inusitado, que vai ganhando uma nova roupagem com o sucesso da empreitada do trio, o algoritmo aparece quase como uma presença invisível. Ele passa a organizar desejos, indicar caminhos e oferecer respostas antes mesmo de sabermos exatamente o que estamos procurando.

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No entanto, o mérito de Jorge Furtado está justamente em não permitir que essa discussão pese sobre o filme. O roteiro encontra humor nas situações e, principalmente, na maneira como os personagens reagem a elas. 

A força do trio

Se o roteiro é importante, a relação entre Luisa Arraes e Daniel de Oliveira é fundamental. Grace e Rubem têm personalidades bastante diferentes, mas encontram uma dinâmica que faz o romance avançar de maneira natural. Luisa dá à personagem uma segurança que contrasta com a ingenuidade de Rubem, enquanto Daniel constrói um personagem que consegue ser engraçado justamente porque não parece saber que está sendo engraçado. Samantha Jones completa o trio com uma presença que ajuda a manter o ritmo e amplia as possibilidades da história.

O resultado é um filme que consegue fazer algo mais difícil do que parece: falar sobre assuntos atuais sem deixar de ser, antes de tudo, uma comédia romântica. Talvez seja justamente por isso que a experiência seja tão agradável. “Muito Prazer” é um daqueles filmes que nos fazem perceber que estávamos com saudades de uma boa comédia romântica nos cinemas — só não havíamos dado conta.

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Cineasta tornou-se padrinho do Festival Santa Cruz de Cinema

Responsável por clássicos como “Ilha das Flores”, “O Homem que Copiava” e “Meu Tio Matou um Cara”, o cineasta Jorge Furtado tem uma relação com Santa Cruz do Sul que já dura mais de duas décadas. 

No fim dos anos 1990, o diretor esteve na região para as filmagens de “Luna Caliente”, minissérie exibida pela Globo que contou com Fernanda Torres e Paulo Betti. A produção teve locações em Santa Cruz, Rio Pardo e São Lourenço do Sul.

Duas décadas depois, em 2018, Furtado voltaria ao município para participar da primeira edição do Festival Santa Cruz de Cinema. No ano seguinte, voltou à cidade para receber o Troféu Tipuana, tornando-se um dos nomes mais ligados à história do evento e à formação do público de cinema na região.

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A relação continuou nos anos seguintes. O cineasta, considerado um “padrinho” do evento, voltou a Santa Cruz para participar de atividades do festival, conversar com realizadores e falar sobre cinema, mantendo uma proximidade que ultrapassa a passagem eventual de um diretor por uma mostra ou evento. Por isso, o novo filme não representa apenas o reencontro de Furtado com a comédia na telona, mas de um diretor que ajudou a aproximar Santa Cruz do Sul nos holofotes do cinema brasileiro.

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