Quase 20 anos depois de “Saneamento Básico, o Filme”, Jorge Furtado retorna à comédia nos cinemas com a produção cinematográfica “Muito Prazer”. Em entrevista exclusiva à Gazeta do Sul, o cineasta fala sobre a origem do filme e a ideia de usar um motel como ponto de partida para discutir desejo, sexualidade e a influência dos algoritmos nas relações humanas.
Furtado também explica como a inteligência artificial entrou na história e defende que, diante de um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia, a melhor maneira de enfrentá-la é “ser radicalmente humano”. Luísa Arraes, Daniel de Oliveira e Samantha Jones comentaram a construção de Grace, Rubem e Nalva e a dinâmica entre os três personagens.
Entrevista – Samantha Jones, Luísa Arraes e Daniel de Oliveira, atores; e Jorge Furtado, diretor
Gazeta do Sul — O que atraiu vocês nos personagens e como encontraram o equilíbrio entre o absurdo da situação e a humanidade deles?
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- Samantha Jones – “Para mim foi um desafio grande. Quando veio o filme do Jorge, com uma comédia, eu me senti um pouco pressionada, porque pensei: ‘tem que fazer rir’. E aí, de verdade, eu entreguei’. A Nalva é séria o tempo inteiro. Acho que foi a partir dessa parceria que minha personagem foi construída, da confiança no roteiro, da direção do Jorge, do talento de todo mundo envolvido e dos meus parceiros maravilhosos.”
- Luísa Arraes – “A comédia também é uma coisa feita em grupo. A gente depende de um contraponto entre os personagens. A Nalva é muito séria, e essa é a graça dela. A Grace pensa de um jeito diferente, não tem vergonha de nada. Ela adora sexo, mas não gosta de fazê-lo. E tem o Rubem, que é mais tímido. Um vai ressaltando o outro. A gente só sabe que uma rua está vazia quando passa um cachorro. Só sabemos que um personagem é muito tímido, muito engraçado ou muito sério quando vemos o outro.”
- Daniel de Oliveira – “A situação já traz esse lance para rirmos. A Nalva fala coisas muito sérias e você ri porque aquela situação deixa aquilo engraçado. Dentro da cabeça dela é sério, mas fica engraçado.”
- Jorge Furtado – “As duas melhores comédias da história, ‘Quanto Mais Quente Melhor’e ‘Tootsie’, são tragédias. Eles não riem nunca. Podiam ser dois dramas, mas são comédias porque a gente ri deles. Eles não acham graça.”
Entrevista – Jorge Furtado, diretor
- Gazeta do Sul — O que fez você olhar para essa história e pensar: “é essa história que eu quero contar agora”? Jorge Furtado – “Começamos a ser inundados por algoritmos, que querem catalogar as paixões e os interesses humanos. E aí questionei: como isso vai lidar com a paixão e a sexualidade? Os sites pornográficos tinham só duas opções no começo: hetero ou gay. Agora os sites têm três mil categorias. Isso dá comédia. E o motel também, porque o motel é uma espécie de arquitetura do erotismo. A maneira de enfrentar o algoritmo e a inteligência artificial é ser radicalmente humano, porque a paixão não tem algoritmo nenhum. As pessoas se apaixonam pelos motivos mais incompreensíveis. Eu achei que isso dava um bom tema para uma comédia e criei esses três personagens, esses jovens, que são supertalentosos, cada um no seu estilo e na sua área, se juntando para reativar um motel. “Muito Prazer” chegou aos cinemas nessa quinta-feira, 27.
Confira o vídeo da entrevista na íntegra:
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