Uma série especial de TV que teve início nesta semana trata dos grandes desafios do Rio Grande do Sul, cujos temas foram apontados como prioritários em consultas realizadas com lideranças e representantes de diferentes setores da sociedade gaúcha.
A primeira matéria veiculada, que foi ao ar na última terça-feira, diz respeito à catástrofe climática de 2024, cujos fenômenos (enchentes, deslizamentos, vendavais, etc.) deixaram quase 800 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas e vêm se tornando mais recorrentes e ameaçadores.
Esse cenário impõe a necessidade de maior planejamento e prevenção no processo de tomada de decisão e construção de políticas públicas, que precisam cada vez mais priorizar uma adaptação a esses eventos extremos a partir de agora, para os quais todos devemos estar preparados.
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Um levantamento realizado pelo TCE-RS foi objeto de destaque por ter diagnosticado ainda em 2024 lacunas importantes na preparação dos municípios gaúchos, afinal boa parte nem sequer possuía áreas de risco mapeadas (onde ainda residem cerca de 740 mil pessoas no Estado), não contava com estrutura operacional adequada e por isso não tinha condições de realizar atividades permanentes (como ações educativas e de prevenção).
De lá para cá, houve evolução. As Defesas Civis, especialmente, receberam investimento e se reestruturaram em várias frentes: planos de contingência foram revistos e atualizados, sistemas de monitoramento passaram a operar, servidores com formação em geologia, hidrologia e meteorologia passaram a integrar as equipes e diversos equipamentos foram adquiridos e distribuídos Estado afora.
O desafio a partir de agora é duplo: de um lado, repensar a infraestrutura urbana (mediante revisão dos planos diretores) para preservar ao máximo as áreas naturais existentes (como o “cinturão verde”, em Santa Cruz do Sul) e reduzir a exposição da população em risco aos desastres (impedindo novas edificações e promovendo remoções); de outro, seguir aprimorando o grande sistema de Defesa Civil do qual todos fazemos parte, com ações periódicas e permanentes para capacitar a população acerca dos riscos em seus municípios e como agir tanto no recebimento de alertas quanto diante da necessidade de dirigir-se às rotas de fuga existentes.
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