Para conter o avanço de lixo pelo curso d’água, a Japan Tobacco International (JTI), em parceria com a Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc) e o Instituto Binemac, instalou em setembro uma ecobarreira no Arroio das Pedras. Localizada no Bairro Arroio Grande, junto à ciclovia e próxima ao Distrito Industrial, a estrutura flutuante intercepta materiais descartados irregularmente e transportados pela correnteza.
A manutenção do sistema prevê o recolhimento e a destinação adequada dos resíduos retidos a cada 15 dias, incluindo a triagem para reciclagem. A principal novidade, que integrará a próxima etapa do projeto, é a implantação de jardins flutuantes com plantas aquáticas, como aguapés. As raízes dessas espécies ajudam a reter a matéria orgânica presente na água, complementando a barreira física sem, no entanto, substituir as redes convencionais de tratamento.
A iniciativa ganha relevância diante do déficit de saneamento no município. De acordo com o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) de 2024, 75,6% da população local – o equivalente a 104,3 mil habitantes – não é atendida por coleta de esgoto. Por isso, a ação integra o Projeto Escola Sustentável e contará com um componente educativo voltado a estudantes para debater o descarte correto de lixo e a proteção dos ecossistemas.
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Segundo o gerente de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da JTI Leaf Brasil, Cristian Maciel dos Santos, o investimento em soluções locais é essencial. “Com a instalação desta ecobarreira, reforçamos nosso compromisso com a gestão sustentável da água e contribuímos para a melhoria da qualidade do corpo hídrico e das condições ambientais da região”, afirma.
Iniciativas integradas e metas hídricas
A tecnologia instalada no Arroio das Pedras amplia um trabalho que já apresenta resultados no município. O Instituto Binemac utiliza o sistema em outros pontos e, desde outubro de 2024, já recolheu 9 toneladas de resíduos por meio de ecobarreiras e mutirões de limpeza – sendo uma tonelada retirada apenas da estrutura do Arroio Lajeado. A entidade também mantém uma barreira com plantas filtrantes no Arroio Preto.
Para a JTI, a parceria soma-se a uma agenda ampla de sustentabilidade. Nos últimos cinco anos, a operação brasileira reduziu em quase 8 milhões de litros o consumo do recurso por meio de reaproveitamento e eficiência industrial. Agora, a unidade de processamento de tabaco em Santa Cruz do Sul prepara-se para a auditoria da Alliance for Water Stewardship (AWS), referência internacional em gestão responsável da água.
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A companhia também expande sua atuação na Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, que abrange 13 municípios e atende mais de 360 mil pessoas. Em 2026, a empresa promoveu o 1º Seminário de Gestão Sustentável da Água da bacia. Além disso, a Fundação JTI e a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) iniciaram o programa Muda – Rio Pardinho, focado em monitoramento da qualidade da água, conservação do solo e recuperação de matas ciliares na região.
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