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CONTRAPONTO

A desordem em construção

Como já afirmei várias vezes, não há adjetivos negativos suficientes para classificar as falas e as atitudes do presidente Bolsonaro. Agora, a exemplo das “motociatas”, uma inoportuna e inadequada mobilização. Inoportuna porque não há razões neste momento para demonstrações de viés político-eleitoral. E sobretudo inadequada haja vista que estamos em meio a graves questões sanitárias, sociais e econômicas a resolver.

É a continuada pandemia, a crescente inflação, o desemprego e, ultimamente, a suspeita de atos de corrupção. Essas questões, essas pendências, são a pauta oportuna e adequada ao presidente! Todavia, se interpretarmos o comportamento de Bolsonaro como uma reação às ações do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional, as preocupações da sociedade crescem.

Explico. Com frequência, o STF tem violado competências privativas do Poder Executivo. E, absurdamente, tem desfeito importantes ações e decisões de instâncias jurisdicionais, a exemplo da Lava-Jato. Quase sempre em deliberações monocráticas!

O Poder Legislativo mantém sua rotina de maus exemplos. E quando colabora na garantia da dita governabilidade, a contrapartida é onerosa e suspeita. A última do Senado: uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com a liderança de Aziz e de Calheiros! Mas se o ambiente está degradado com a “colaboração” dos três poderes, sempre há algo mais a acrescentar nesta receita melancólica. E o ingrediente mais recente ficou a cargo do Alto Comando das Forças Armadas.

Não bastasse a inconveniente participação militar no entorno governamental, para muito além do razoável e compreensível, ensejando previsíveis riscos à credibilidade de suas funções de estado, ultimamente, outros atos vêm a agravar o cenário. Sem falar em citações de militares na CPI, exemplo negativo foi a não punição do general Eduardo Pazuello, que cometera infração disciplinar ao participar ostensivamente de ato político com o presidente, contrariando a hierarquia, regras militares e a legislação específica.

A hesitação e a omissão do Alto Comando permitem supor que houve pressão presidencial. Dado e corroborado esse sinal negativo, não será surpresa o surgimento de novos casos de insubordinação nos quartéis. Logo, oportuno relembrar uma frase atribuída ao então marechal Castelo Branco (1897-1967), às vésperas do dia 31 de março de 1964: “Se a alguns oficiais é dado apoiar o presidente da República na pugna política, a outra facção terá o mesmo direito de criticar e repudiar o mesmo presidente!”

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