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A lembrança do padroeiro

No encerramento do mês de junho, é impossível deixar passar em branco as chamadas festas juninas ou de São João, que nos últimos dois anos, em vista da pandemia que se incorporou à vida de todos, tiveram que se adaptar ao possível. Diante da popularidade do evento nos mais diversos recantos do País, de uma forma ou de outra ele continuou a ser lembrado, também aqui, onde algumas iniciativas, como a do Shopping Santa Cruz, uniram a sua tradição à benemerência, realizando um “São João Solidário” e, assim, fazendo jus a um dos ensinamentos do homenageado nessa data, e às vezes esquecido.

É preciso dizer que a data de São João, em 24 de junho, deve servir não só para a festa e as coisas boas e simples a ela relacionadas, mas para se lembrar justamente, e de modo especial em nossa terra, do padroeiro escolhido desde os primórdios da implantação da Colônia Santa Cruz. A primeira capela construída na sua sede a partir de 1855, cinco anos após a instalação dos colonizadores pioneiros, recebeu essa denominação, assim como o próprio povoado que começava a se constituir e a chamada Freguesia a que foi elevado em 1859, onde, além do nome da colônia, já com a incorporação de “santa”, também se acrescentava o do santo.

Nesse ano de 1859, mesmo que a referida capela só ficasse pronta em 1863, viria a ser criada a ainda hoje Paróquia São João Batista, por onde germinaria cem anos depois, já em majestosa catedral inaugurada em 1939, a Diocese de Santa Cruz do Sul, com o mesmo padroeiro e se estendendo a 40 municípios. O padre Arthur Rabuske, meu patrono na Academia de Letras do Município, escreveu em 2005 uma obra sobre “A fase jesuítica da Paróquia São João Batista (1863-1959)”, registrando que, desde logo, “esta paróquia foi, sem qualquer favor ou exagero, uma das mais vastas, importantes e florescentes que jesuítas, ditos alemães ou teuto-brasileiros administraram de forma ininterrupta, desde junho de 1863 até fins de 1959, no seio da assim chamada Colônia Alemã do Rio Grande do Sul”.

O próprio bispo inicial, o santa-cruzense e secular dom Alberto Etges, inspirou seu lema no que pregava São João, o precursor de Jesus: “Preparar ao Senhor um povo perfeito”. E o atual titular do bispado, o franciscano dom Aloísio Dilli, do mesmo modo sempre enaltece o padroeiro, a começar pelo próprio nome João (identificado como Dom de Deus) e Batista (aquele que batiza), observando que se tratava de um batismo que clamava pela conversão de vida, preparando os caminhos para o que viria após ele. E um dos ensinamentos do santo padroeiro, como enfatizava o padre Roque Hammes em um momento de motivação a doações na comunidade, era de que quem tivesse duas túnicas repartisse com quem não tivesse, e quem tivesse comida fizesse o mesmo.

Dessa forma, quando se vê acontecer “São João Solidário”, constata-se que o seu clamor ainda ecoa, como um fator positivo em meio às agruras da pandemia. Faz renascer também a esperança de que assim mais boas conversões/mudanças/ melhorias possam ser inspiradas em nosso meio pelo padroeiro escolhido há tanto tempo, que, de fato, não deve ser lembrado apenas pela festa que motiva, mas pelo que ele pode nos ensinar sempre, no sentido de sermos melhores pessoas e, assim, também melhores famílias e melhores comunidades.

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