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MAGISTÉRIO

Adesão à greve nas escolas chega a 80% no Vale do Rio Pardo

Foto: Bruno Pedry

Professores e policiais se reuniram ontem com deputados estaduais na Câmara

A greve dos professores estaduais ganhou a adesão da maioria das escolas na área da 6ª Coordenadoria Regional de Educação (6ª CRE). Das 98 instituições de ensino localizadas em 18 municípios, 35 estavam totalmente paralisadas na tarde dessa quinta-feira, 21, e apenas 29 ainda mantinham suas atividades normais. Em Santa Cruz do Sul, dos 19 estabelecimentos de ensino, 12 decidiram suspender as aulas totalmente.

O andamento da greve, que não tem prazo para se encerrar, será avaliado por alguns educandários na próxima terça-feira, 26, quando o Cpers/Sindicato promoverá uma assembleia em Porto Alegre, a partir das 13h30. “Nossa ideia é fortalecer o movimento que teve início na última segunda-feira”, afirmou a vice-diretora do 18º Núcleo do Cpers, Sandra Maria Lemos dos Santos. De acordo com ela, a adesão na região chegou a 80%. Esse número, contudo, pode ter aumentado, já que o último balanço foi realizado na quarta-feira, 20.

Entre as estratégias para barrar o novo pacote apresentado pelo governo do Estado, os professores esperam contar com o apoio dos deputados estaduais da região. Na noite de quinta, a categoria, juntamente com policiais, lotou as galerias da Câmara de Santa Cruz durante um encontro com Edson Brum (MDB) e Kelly Moraes (PTB), além de vereadores e outras lideranças.

Já na manhã desta sexta, a partir das 9 horas, uma mobilização ocorrerá em frente à CRE. O ato de repúdio ao pacote também deve trazer informações à comunidade sobre como as medidas poderão atingir todo o sistema educacional. “Nós já estamos em condições precárias de trabalho. Já não estávamos contentes, e agora querem desmanchar tudo aquilo que havíamos conquistado até hoje”, afirmou Sandra.

No dia a dia
Enquanto governo e professores mantêm o impasse, famílias precisam realizar ajustes na agenda. A supervisora de vendas Adriana Lorensi Pizzolato, de 42 anos, tem procurado amparar a filha Gabriela, de 12 anos. Estudante do sexto ano da Escola Ernesto Alves, a jovem moradora do Bairro Santo Inácio tem aulas à tarde.

Com a greve, ela encontra amparo no Serviço Social da Indústria (Sesi). Além do turno da manhã, que já frequenta normalmente, Gabriela também fica por lá durante a tarde, em alguns dias. Outras alternativas têm sido acompanhar a mãe no trabalho e ficar em casa. “Moramos em apartamento. Dessa forma é mais tranquilo. Também tenho uma vizinha aposentada, muito parceira. Ela sempre ajuda a cuidar da Gabriela”, afirmou Adriana.

Mesmo diante dessa situação, Adriana avalia que a paralisação do magistério é necessária. “Apesar de acreditar que as crianças estão sendo prejudicadas, sou a favor da greve. É a única forma de os professores serem ouvidos.” Para ela, a educação no Brasil há tempos é sucateada e os professores vêm sofrendo. Não somente com salários defasados, mas com parcelamentos que tornam a situação insustentável. “Parte da população reclama, mas penso que a única forma de mudarmos a situação é apoiando a classe que contribui diretamente para a formação de nossos filhos.”

Dias de incertezas
O coordenador da 6ª CRE, Luiz Ricardo Pinho de Moura, acredita que a greve deste ano alcançou maior adesão das escolas, se comparado a outros períodos. Apesar disso, ele acredita que também é preciso respeitar aqueles profissionais que desejam manter suas atividades.

Apesar de ainda não ter recebido orientações da Secretaria Estadual da Educação, Moura acredita que, após o fim da greve, será necessário criar calendários de recuperação e apresentá-los aos conselhos escolares. “Os dias parados deverão ser recuperados na íntegra de seu componente curricular”, afirma.

Para os concluintes do Ensino Médio, Moura espera que as escolas tenham a sensibilidade de apresentar um calendário que permita que não sejam prejudicados, pois muitos pretendem ingressar no ensino superior. ”Procuramos dialogar com as direções para dar suporte e organizar todo o processo.”

A supervisora de vendas Adriana Lorensi Pizzolato, de 42 anos, tem procurado amparar a filha Gabriela, de 12 anos. Fotos: Bruno Pedry

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