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TURISMO FLUVIAL

Adriane Hilbig: a história de quem navega pela coragem de fazer acontecer

Fotos: Rodrigo Sales

Nem mesmo às 16 horas, quando o passeio finda, e todos desembarcam, o barco permanece vazio. Diariamente, pelo menos durante uma hora, ele abriga histórias que se encontram no decorrer dos três pavimentos. Mas há uma, em especial, que continua a navegar por lá, dando o toque especial ao Cisne Branco, mesmo quando atracado. Enquanto as águas passam, Adriane Hilbig permanece. Forte, decidida, aprendendo com o balanço que a mantém firme.

Na arte do jogo de cintura, cuja técnica foi aperfeiçoada com o passar do tempo, a empresária dá andamento ao legado da família. O que no fim dos anos 1970 nasceu como um projeto do pai e do tio, hoje representa o seu sustento. Mas muito mais do que isso: é a representação de seu berço, da história de Porto Alegre, quiçá do Rio Grande do Sul. A ave que flutua pelas águas do Guaíba leva a graça e a beleza de quem decidiu voltar para o empreendimento familiar, aos 24 anos de idade.

As origens, por sinal, são de Santa Cruz do Sul. Por aqui, os pais de Adriane, Alfonso Pedro Hilbig e Maria Nadir Schmidt Hilbig, construíram os primeiros anos de vida. Mais tarde, lançaram-se à capital gaúcha em busca de estudos e oportunidades. A empreitada deu certo e alcançou o setor de turismo. Da união nasceram a primogênita Adriane, em 18 de fevereiro de 1963, e mais dois filhos. Embora os demais tenham seguido outros rumos profissionais, todos passaram pelo barco, enquanto a embarcação moldava as emoções de quem se aventurava por lá. E é muita gente: são cerca de 70 mil visitantes a cada ano, aproximadamente.

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“Era a minha missão trazê-lo de volta e fazer com que ele se tornasse o que é hoje”

“Não era para ser teu. Quem tinha que assumir era o meu filho homem.” A afirmação pode soar forte; no entanto, Adriane Hilbig conseguiu lidar bem com as palavras ditas pelo pai. “Nossa relação sempre foi boa. Bateu em mim como se ele estivesse desabafando com um amigo. Eu ainda disse: ‘não nasci de calças, mas estou aqui do teu lado’”.

De uma vida familiar pautada pelo turismo, Adriane Hilbig acompanhou de perto a construção do Cisne Branco, na Ilha da Pintada, em estaleiro próprio, na época. Aos 14 anos, porém, começou a ajudar nas atividades diárias, sendo responsável por anunciar os atrativos nos passeios. O envolvimento durou até que ela decidiu seguir outros caminhos. Cursou a graduação em Educação Física, área na qual atuou por cerca de três anos.

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Depois, decidiu que era hora de voltar. O motivo? “Está na veia!”, afirma, sorridente. Hoje, além de se considerar muito criativa, Adriane se diz apaixonada pelo ofício e recompensada por todo o trabalho. Formada na primeira turma de Marketing de Serviços, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), acredita ser “fundamental gostar de gente” para exercer o ofício com maestria. Para poder proporcionar as melhores experiências, aliás, surgiu a linha turismo, com passeios rodoviários por pontos turísticos da cidade.

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O legado para a cidade

Mãe de dois filhos, hoje Adriane Hilbig gerencia o Cisne Branco ao lado do marido, o advogado Everton Luiz de Souza Nunes (o noivado e a festa de casamento, é claro, ocorreram na embarcação!). Embora ainda não haja um sucessor para o empreendimento dentro da própria família, ela diz não se preocupar com isso. “Hoje, o barco deixou de ser algo exclusivamente nosso. O projeto vai ter continuidade porque ele faz parte da história de Porto Alegre. E isso é gratificante porque é sinal de que ao longo dos últimos 48 anos construímos um legado para a cidade”.

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Exemplo disso são os laços estreitados no passar dos anos. Em 2024, quando o Estado chorou diante da maior enchente da história do Rio Grande do Sul, o barco tornou-se símbolo de solidariedade. Naquele período, sua estrutura deixou de ser sinônimo da alegria de um dia de passeio, para ser refúgio e amparo a quem mais precisava. “Algumas pessoas chegaram a morar aqui dentro, pois suas casas haviam sido levadas”, conta Adriane.

Enquanto as perdas do escritório eram contabilizadas, no píer do Gasômetro a embarcação também serviu como ponto de apoio para bombeiros, policiais militares e demais pessoas envolvidas nos resgates de vítimas. O retorno às operações ocorreu quase três meses depois, não por acaso no Dia do Amigo, em 20 de julho.

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Embora o episódio tenha sido dramático, há outro capítulo que traz lágrimas aos olhos da proprietária. No verão de 2016, no dia 29 de janeiro, quando o barco estava pronto e carregado de suprimentos para sediar uma festa de formatura no dia seguinte, um fenômeno conhecido como downburst (explosão atmosférica), com ventos de aproximadamente 120Km/h, fez com que ele virasse, dando início a um período determinante para a continuidade dos serviços.

Da comoção geral diante do naufrágio, no qual o barco permaneceu 58 dias virado, ficou o aprendizado. Naquela época, com o pai falecido, em 2014, a empresa já era gerenciada por ela. Depois, foram nove meses de reconstrução, acreditando que o negócio continuaria fluindo quando tudo voltasse à normalidade. “Ficou muito claro que era a minha missão trazê-lo de volta e fazer com que ele se tornasse o que é hoje”.

Cisne

Considerado um í­cone de Porto Alegre, o Cisne Branco começou a ser construído em 1976 pelo pai de Adriane e pelo sócio Reinadino Nauderer, o Chico. Donos de uma agência de turismo receptivo, os dois sentiram a necessidade de contar com um equipamento que permitisse mostrar a cidade a partir do Guaíba. As operações tiveram início em 1978.

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No decorrer dos anos, o Cisne Branco tornou-se referência em turismo fluvial, entretenimento e lazer flutuante. Localizado no cais do Porto, no armazém B3, também é conhecido como um espaço cultural da capital gaúcha, visto a diversidade de atrações promovidas na embarcação. Atualmente, emprega 18 trabalhadores diretos na baixa temporada. Na alta, o número sobe para 50, além de toda a cadeia de profissionais indiretos.

Com capacidade para transportar 300 passageiros e 20 tripulantes, promove passeios durante a semana, além de receber eventos privados, como aniversários, casamentos, formaturas e empresariais. O barco é composto de três pavimentos, sendo o panorâmico (superior/terraço), o restaurante e a copa (intermediário) e a boate (inferior). No Brasil, Adriane acredita que há apenas quatro equipamentos similares.

Ao longo de sua trajetória, o atrativo também tem sido palco para projetos sociais e culturais, estimulando o acesso à história e à cultura local pela população vulnerável da cidade, em especial as crianças, através de condições especiais para grupos escolares. Já nos anos 2000, projetos culturais fomentaram os artistas da região da Grande Porto Alegre e da Capital, através de roteiros com atrações artísticas.

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No momento, por exemplo, o Cisne lança o projeto “Bailanta sobre as águas”, com o objetivo de valorizar e preservar a cultura gaúcha. Os passeios temáticos serão realizados uma vez ao mês. A atração foi aberta, oficialmente, no dia 22 de março deste ano e envolve música, dança, conhecimentos específicos e gastronomia.

Em frente

Nos últimos anos, os desafios têm sido intensos. De explosão atmosférica e pandemia às enchentes, a empresária espera que 2026 seja “só alegria”. Apesar dos desafios, que extrapolam as situações cotidianas, ela busca absorver os ensinamentos. Mesmo afirmando que o turismo ainda não voltou aos níveis de pré-pandemia, ela segue confiante no futuro.

Entre outros projetos, idas à academia e funções exercidas em diferentes entidades, como a Associação Comercial de Porto Alegre, a Porto Alegre Convention & Visitors Bureau e o Conselho Municipal de Turismo, Adriane segue sendo exemplo para muita gente. No meio empresarial, predominantemente masculino, ela acredita que o universo feminino ensina muito: jogo de cintura e posicionamento firme são alguns deles. “Que a gente siga em frente e não se esconda nunca”, enfatiza.

Confira mais em barcocisnebranco.com.br.

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