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LISSI BENDER

Amor a minha Heimat Santa Cruz (do Sul)

Quantos motivos existem para amarmos o nosso lugar de viver, a nossa Heimat? Para isso, precisamos cultivar o encantamento do olhar e da alma para tudo quanto o faz ser especial, tanto para as grandes como para as aparentes pequenas coisas, preciosidades que fazem o conjunto da Heimat. Assim, perceberemos o quanto ela é abençoada e o quanto somos abençoados por nela vivermos. Não é apenas olhar para o que nossa cidade nos oferece, mas, principalmente, estarmos atentos ao que nós fazemos por ela, para que possa continuar sendo especial. Nesse sentido, faz-se importante cultivar Heimatliebe – cultivar amorosidade para tudo quanto faz nosso município notável, único e, claro, cuidar dele.

O amor por minha Heimat Santa Cruz tem muitas razões. Eu nasci no interior dela. Aqui viveram todos os meus antepassados, desde aqueles que vieram convidados para ajudar a cultivar este espaço, quando foi fundado. Graças a todos que me antecederam e aqui viveram, minha vida pôde florescer aqui. Cultivo também gratidão por todos que viveram nesta porção de terra antes de nós e cujos empenhos forjaram um desenvolvimento saudável e contribuíram para Santa Cruz ser incomum. De um lugar natural batizado de Santa Cruz para receber imigrantes germânicos, a partir de 1849, foi crescendo com mãos diligentes e se emancipou de Rio Pardo em 1878, nem bem 30 anos depois. De modo que neste 28 de setembro celebraremos 143 anos de emancipação política.

Em início de 1944, seu nome recebeu o acréscimo de “do Sul”. Foi quando o ditador Getúlio Vargas decretou que não poderiam existir duas cidades com o mesmo nome no Brasil, que a mais antiga poderia permanecer com o nome. Com a influência do saudoso Francisco José Frantz, então integrante da Associação Industrial e Comercial, foi promovido esse acréscimo. Desse modo, o fundador de nosso jornal Gazeta do Sul salvou nosso lugar do risco de perder a identidade histórica.

Muitas são as preciosidades que identificam nossa região. O verde e as flores são valiosos símbolos, também pela exuberância do cinturão. Os espaços verdes, as florestas, são proteção e lar de muitas vidas silvestres e contribuem para a qualidade do ar que respiramos.

A história e herança cultural de origem germânica se faz presente na língua alemã, muito falada nas famílias de descendentes, em eventos comunitários, entre amigos. A herança está presente no valor dado à educação, simbolizada nos educandários centenários, como o Colégio Mauá e o São Luís; na Unisc – uma universidade comunitária; no Sicredi – um banco comunitário; na Catedral São João Batista, a maior desse estilo na América Latina, construída com a participação de muitos, com espírito comunitário. A herança se faz presente em diversas delícias, a começar pelo Kuchen, a cuca que conquistou lugar perene nas mesas das famílias e das festas comunitárias, como a Kirmes (a festa da data de inauguração da igreja). A herança cultural também está presente na Oktoberfest e na Christkindfest; na religiosidade do povo e na religião de Martin Luther; no Mosteiro Benedictino da Querpikade, onde monjas em ora et labora vivenciam sua Kloster-Heimat; em igrejas históricas como a de Rio Pardinho, com a Rota Germânica, e a igrejinha do Geißenberg/Bender. Atrás do templo repousam imigrantes na paz eterna, num bem cultivado cemitério histórico.

Todas essas e outras riquezas culturais e naturais de Santa Cruz merecem e precisam ser cuidadosamente cultivadas, para nosso lugar continuar sendo único e especial, para que, através do cultivo consciente, possam continuar integradas na vida presente e futura, para qualificar o lugar e a vida de todos. Amo Santa Cruz e sou grata por todas as boas contribuições, não somente por aquelas advindas da imigração, mas também sou grata por todas as boas participações advindas de diferentes etnias que escolheram Santa Cruz para cultivar vida e por todos que se empenham pelo bem. Por tudo isso e muito mais, cultivo eterno bem-querer por minha Heimat.

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