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EDUCAÇÃO E CULTURA

Aulão de História transforma praia em memória e reflexão

Foto: Rodrigo Assmann

O teatro do Colégio Mauá entrou no clima tropical na noite dessa terça-feira, 7, para o 17º Aulão de História. Com o tema “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, o espetáculo reuniu mais de 80 participantes entre alunos, ex-alunos, professores e convidados para um espetáculo que combinou música, teatro, poesia, solidariedade e conhecimento.

Aberto à comunidade, o evento teve como ingresso a doação de um quilo de alimento não perecível, destinado a entidades assistenciais. Por cerca de duas horas, o público acompanhou uma reflexão sobre a presença da praia no imaginário coletivo, explorando as transformações sociais, comportamentais e culturais relacionadas a esse espaço ao longo do século 20. A nostalgia, como sempre, foi um destaque à parte, com comerciais, músicas e trailers de filmes que remeteram ao tema. 

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O primeiro momento da apresentação levou o público à Belle Époque, período compreendido entre o fim do século 19 e início do século 20, marcado pelo sentimento de paz, prosperidade e otimismo com os avanços tecnológicos. A encenação evidenciou como a “era de ouro” fez com que o hábito de frequentar praias ganhasse popularidade entre as elites.

Na sequência, o Aulão abordou a chamada Revolução do Biquini, relacionando as mudanças de comportamento observadas no pós-Segunda Guerra Mundial com a maior exposição dos corpos nas praias. Cada bloco teatral era embalado por clássicos do rock nacional e internacional, uma tradição do evento, incluindo I’m Yours, de Jason Mraz, Beds Are Burning, de Midnight Oil, e Somewhere Over The Rainbow, de Israel Kamakawiwo’ole.

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Já o terceiro bloco explorou a cultura do surfe e sua ligação com os movimentos de contracultura da década de 1960 e 1970. A influência do estilo de vida associado ao mar, ao verão e à liberdade foi apresentada por meio de referências audiovisuais e intervenções cênicas. 

“Procuramos mostrar que a história é viva”

A quarta parte destacou a democratização das orlas e os conflitos sociais provocados pela ampliação do acesso às praias por diferentes grupos da população. O encerramento prestou uma homenagem ao veraneio gaúcho, com referências ao litoral do Estado e às experiências compartilhadas por diferentes gerações. Intitulado “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, o bloco final brincou com as características típicas das praias gaúchas.

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Idealizador e organizador do projeto, o professor Waldy Lau Filho explicou que a proposta surgiu a partir da descoberta de um documentário produzido pela extinta TV Manchete no fim da década de 1980. Intitulado “Os Pobres Vão à Praia”, o material despertou seu interesse para as transformações sociais e culturais associadas ao litoral.

“Ao mesmo tempo em que a praia está presente na vida de praticamente todos nós, existem muitas questões históricas, culturais e sociais envolvidas nesse espaço. A partir disso, começamos a pesquisar como a praia foi se transformando ao longo do século 20”, destacou.

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Segundo Waldy, a cada edição o desafio é encontrar novas abordagens para aproximar o público da História. “Procuramos mostrar que a história é viva, não é apenas um conteúdo de vestibular ou de Enem. Ela está nas memórias, nas experiências e nos espaços que frequentamos. A praia foi uma forma de trazer essa reflexão para perto das pessoas.”

Protagonismo

Os estudantes participaram ativamente de todas as etapas de construção do 17º Aulão de História. Além da pesquisa sobre a evolução da ocupação das praias e das transformações culturais ao longo do tempo, eles colaboraram na elaboração das esquetes, na produção dos figurinos e na organização das apresentações.

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Participando das esquetes teatrais e das apresentações musicais, a aluna do 2º ano do Ensino Médio Maria Carolina Fischer Campagner, de 16 anos, define o Aulão como um espaço de expressão e autonomia. “É um símbolo de cultura. Os alunos produzem muito junto com os professores, e isso nos dá liberdade para criar e nos expressar”, afirma.

Também do 2º ano, João Vitor Rodrigues, 17, interpreta personagens em dois blocos da apresentação. Segundo ele, a pesquisa histórica permitiu compreender como os costumes e a liberdade de expressão nas praias mudaram ao longo das décadas, além de mostrar como manifestações culturais, como a música, também enfrentaram diferentes formas de censura. Para os estudantes, o Aulão vai além da sala de aula ao transformar o aprendizado em uma experiência coletiva que une pesquisa, criatividade e trabalho em equipe.

Alunos Maria Carolina e João Vitor

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