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LITERATURA

Autora destacou o nome de Santa Cruz no mercado editorial alemão

Foto: Alencar da Rosa

Três livros publicados são ambientados em Rio Pardinho, Santa Cruz e Porto Alegre

A escritora santa-cruzense Edith Freyse (1906-1992) pode ser desconhecida da população de sua terra natal, mas ela tornou Santa Cruz do Sul muito (e bem) popular na Alemanha. Isso pode ser inferido pelos seus três romances originalmente lançados pela Eugen Salzer Verlag Heilbroon, de Stuttgart. Essa editora, uma das mais importantes do mercado editorial alemão e europeu ao longo do século 20, encerrou suas atividades no apagar do século, em 1999.

O primeiro romance de Edith, de 1982, Brasilianische Sinfonie (Sinfonia brasileira), traz a informação de que se trata de Eine Familiensaga (Uma saga familiar). E certamente falou alto à curiosidade dos leitores alemães em torno dos imigrantes que, ao longo do século 19 e também no início do século 20, haviam seguido para a América do Sul. A primeira orelha do livro informa que o Rio Grande do Sul, no Sul do Brasil, era a terra das amplidões da paisagem, e que era ali, nesse espaço, que o enredo do romance estava ambientado.

A obra cita a localidade fictícia de Picada Bela, claramente inspirada na Rio Pardinho natal da autora, e o tempo do romance, como anunciado, vai de 1888 a 1938, situando o provável momento histórico em que seu pai, o ramo paterno, chegou a Santa Cruz. A família a que se refere o subtítulo é a fictícia Krahte, tendo no patriarca Karl um barão do tabaco na região e no Estado, cultura apresentada em detalhes na obra.

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O romance acompanha, portanto, a reta final do século 19 na realidade regional e nos contatos regulares com a capital do Estado, Porto Alegre. E ainda a primeira metade do século 20, com o fortalecimento da industrialização em Santa Cruz, e a afirmação dos laços comerciais com Porto Alegre e com o mundo.

O segundo romance de Edith lançado pela Eugen Salzer é Das Geheimnis der Campos: Ein Roman aus Brasilien (O segredo dos campos: um romance brasileiro), de 1984, com 294 páginas, com o mesmo acabamento de capa dura e sobrecapa. Igualmente ambientado no Estado e na região, encena um romance clássico no ambiente de colonização alemã.

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E então veio o terceiro, em 1985, Pioneer am Paraná (Pioneiros no Paraná), anunciado como Brasilianische Sinfonie II, com 301 páginas. Retrata o braço de colonização alemã em uma nova região, o Oeste do Paraná, nas imediações das Cataratas do Iguaçu, para onde descendentes da família protagonista do primeiro romance se transferiram. Mas seguem as referências clássicas a Santa Cruz e Porto Alegre, onipresentes no enredo. São três obras que certamente merecem uma tradução urgente, para leitura (e satisfação) dos leitores brasileiros das gerações atuais.

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Um trecho exclusivo

Im kommenden September wurde man auch in Picada Bela aufgerüttelt. Krieg in Europa, Krieg in der alten Heimat! Wie in der Federalistenrevolution kamen die Bauern geritten und saßen, die dreimal in der Woche erscheinende deutschsprachige Zeitung “Die Kolonie” vor sich, unter der Hängelampe in der Diele bei Krahtes. Franz, der anerkannte Kenner der portuguiesichen Sprache, mußte auch die Nachrichten aus den brasilianischen Zeitung übersetzen, uns so war man einigermaßen über die Weltgeschehnisse unterrichtet.
Franz holte die Zeitung immer bei Bertrams ab, deren Fuhrmann seit Jahren die Post aus Santa Cruz brachte. Einmal war auch ein Brief seines jüngsten Sohnes dabei und mißmutig, ohne ihn gelesen zu haben, überrreichte er ihn daheim seiner Frau. “Wenn er Gelt braucht, kannst du ihm gleich antworten, daß ich keins habe”, sagte er mürrisch.
Dann füllte er sich nebenan, in der Vorrastkammer, frischen Tee in der Kürbis. Er war nicht neugierig auf Peters Offenbarungen. Doch als er in die Küuche zurüuckkam, fand er eine veränderte Hanne vor. Sie war in ihren Schaukelstuhl gesunken und hielt den Brief in zitternden Händen.
“Franz”, sagte sie mit fast erloschener Stimme, “es ist ein Wunder geschehen. Peter hat sich verlobt und bringt uns die Braut schon in den nächsten Tagen her. Lisa wird sie begleiten.”
“So?” knurrte der Alte mißtrauisch. “Da bin ich neugierich, was das für eine Braut sein wird?”
Do romance Brasilianische Sinfonie,
de Edith Freyse, página 81-2.

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Em setembro, Picada Bela também foi abalada. Guerra na Europa, guerra na velha pátria! Como na Revolução Federalista, os camponeses vinham a cavalo e sentavam-se sob a lâmpada pendurada no salão de Krahte, com o jornal de língua alemã “Die Kolonie” à frente, que aparecia três vezes por semana. Franz, o reconhecido conhecedor da língua portuguesa, também teve que traduzir as notícias do jornal brasileiro, então fomos um pouco informados sobre os acontecimentos mundiais.
Franz sempre pegava o jornal no Bertram, cujo motorista trazia a correspondência de Santa Cruz há anos. Uma vez havia também uma carta do filho mais novo, e mal-humorado, sem tê-la lido, entregou-a à esposa em casa. “Se ele precisar de dinheiro, você pode dizer a ele imediatamente que eu não tenho nenhum”, disse ele,
mal-humorado.
Então ele se encheu de chá fresco na moringa ao lado, na sala de pré-serviço. Ele não estava curioso sobre as revelações de Peter. Mas quando voltou para a cozinha, encontrou Hanne mudada. Ela estava encolhida em sua cadeira de balanço, segurando a carta com as mãos trêmulas.
“Franz”, disse ela, com a voz quase apagada, “aconteceu um milagre. Peter está noivo e vai trazer a noiva aqui nos próximos dias. Lisa irá acompanhá-los.”
“Então?”, rosnou o velho desconfiado. “Estou curioso para saber, que tipo de noiva será?”
Do romance Brasilianische Sinfonie,
de Edith Freyse, página 81-2.

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