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Saúde e bem-estar

Como lidar com a ansiedade: profissionais indicam práticas

Foto: Pixabay

Dor no peito, nó na garganta, agitação, medo, incapacidade de reagir… Tudo isso, muitas vezes, seguido de culpa por não conseguir cumprir tarefas básicas do dia a dia. Você sentiu algum desses sintomas nos últimos tempos? A ansiedade é uma sensação natural e pode ser benéfica, ao nos estimular a agir e a estar alertas. “É muito positiva quando está a serviço da proteção da vida. Isso acontece quando, frente a um perigo, a ansiedade aciona o sistema de fuga”, afirma a psicóloga Mariângela Feijó. Quando em excesso, no entanto, necessita de atenção, pois pode limitar a qualidade das nossas experiências, interferir em nossa vida pessoal e profissional e ter reflexos no funcionamento do nosso organismo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo. E, com o impacto da pandemia e as incertezas do pós-pandemia, os transtornos de ansiedade tendem a se fazer ainda mais presentes. Para entender como evitar e controlar crises, conversamos com quatro profissionais que detalham diferentes possibilidades de tratamento e adequação de hábitos para recuperar a qualidade de vida.

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Psicoterapia

A psicóloga Mariângela Feijó destaca que a ansiedade é o motivo mais frequente de busca por ajuda em seu consultório, tanto entre adultos quanto entre crianças. “Na psicoterapia de orientação cognitivo-comportamental, que é minha especialidade, trabalha-se primeiramente a identificação e o reconhecimento dos sintomas. Depois, utiliza-se a psicoeducação, quando se indica literatura especializada para esclarecimento do transtorno, além de compartilhar com o paciente a visão psicológica de como ele funciona durante a crise.”

Durante a terapia, o paciente aprende técnicas para o enfrentamento dos sintomas, como uso de cartões-lembrete e distração do pensamento. Exercícios físicos e meditação também são recomendados. Mariângela reforça que os transtornos de ansiedade, como transtorno obsessivo compulsivo (TOC), ataques de pânico e ansiedade generalizada, devem ser tratados com medicação, prescrita por psiquiatras, e psicoterapia.

Nutrição

A alimentação também está relacionada a transtornos de ansiedade. Uma das formas mais comuns para lidar com esta emoção, segundo a nutricionista comportamental Marília Klafke de Souza, é a busca por alimentos, como uma forma de “escape”. Marília diz que a demanda por atendimentos para tratar este comer por ansiedade sempre foi grande, e um dos motivos é que os alimentos mais procurados durante as crises são aqueles ricos em açúcares e gorduras, que liberam no nosso organismo serotonina e endorfina, os hormônios do bem-estar. Mas esse alívio é apenas momentâneo e, ao longo das crises, o indivíduo precisa de mais alimentos, o que resulta em ganho de peso e outros problemas de saúde além da ansiedade.

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Para evitar as crises, Marília reforça a necessidade de autoconhecimento, para descobrir a causa e qual a melhor forma de lidar com elas. No consultório, além de orientações específicas sobre dieta, ela recomenda atividades como pintura, crochê, jardinagem, atividade física, técnicas de respiração, música, entre outras. “São formas de trazer bem-estar e alívio, e alternativas para o comer, por exemplo. Quando introduzidas na rotina, são capazes de reduzir a frequência e intensidade das crises de ansiedade.”

Yoga

Para Letícia Coelho, pedagoga e professora de yoga, a ansiedade está ligada diretamente com o controle do medo e da desorganização de pensamentos. A pessoa que sofre com crises de ansiedade, segundo ela, precisa aprender a reconhecer quais são os gatilhos. Como terapia alternativa, o yoga entra neste processo para melhorar a relação da pessoa com a ansiedade. Entre os exercícios, Letícia cita os pranayamas (técnicas respiratórias e controle da energia), posturas de yoga, mantras e meditações, que auxiliam a lidar com as emoções e a controlar o fluxo mental, gerando um estado de calma.

“Indicamos a respiração yogi: a pessoa inspira e exala pelo nariz sentindo abdômen e tórax se preenchendo de ar. Também indicamos as práticas de yoga mais leves, como yin yoga e yoga nidra.” Para quem não tem acesso a aulas, é possível encontrar áudios de meditações guiadas na internet ou em aplicativos.

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Pilates

“Corpo e mente sempre andam juntos”, lembra a fisioterapeuta Lauren Thomasi. Os exercícios físicos, incluindo os da área de fisioterapia, portanto, são um forte aliado no tratamento da ansiedade. “Acontece muito de a pessoa procurar o atendimento por dores no corpo, por exemplo, e ser identificada a ansiedade. Nossos órgãos estão relacionados com a nossa psique. Quando temos um conflito ativo, afeta nosso físico.” O pilates, além dos benefícios físicos, trabalha a respiração. “A união dos tipos de movimento que ajudam a melhorar hormônios do ‘bem’ e a respiração controlada e profunda influenciam e estimulam a produção de células cerebrais e proteção de já existentes”, destaca.

Lauren sugere a realização de exercícios em casa para movimentar o corpo nos dias em que não é possível ter acompanhamento profissional. “15 ou 20 minutos farão toda a diferença”. Ela destaca ainda que manter um ambiente organizado, em casa ou no trabalho, libera endorfina, promovendo sensação de bem-estar e conforto. E lembre-se de respirar! A fisioterapeuta recomenda parar e respirar profundamente por dois a três minutos. “Trará tranquilidade e fará muita diferença na qualidade de vida, certamente diminuindo as ansiedades”.

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