Caminhos do tabaco 15/02/2021 18h35 Atualizado às 18h51

Na capital da cebola, família constrói sua história em meio ao tabaco

Produtores da localidade de Vila Nova, em Santa Catarina, plantaram nesta safra 260 mil pés do produto. Rendimento deve passar de 12 arrobas por mil pés

Em Faxinal de Vila Nova, a pouco mais de três quilômetros da sede de Ituporanga, de 27 mil habitantes, em Santa Catarina, na direção de Agrolândia, uma família de produtores de tabaco recepcionou a expedição Os Caminhos do Tabaco 2021 na manhã da última quinta-feira, 11, para mostrar a estrutura diferenciada erguida em sua pequena propriedade rural. Já ao final das andanças por aquele ambiente, o proprietário foi taxativo ao traduzir a sua confiança na agricultura: “Dias ainda melhores virão!”, assegurou, com um sorriso no rosto. Porque também se tratava de um trocadilho com o seu sobrenome.

Ali, naquela área, o produtor Gilmar Dias e sua esposa Sílvia Dias apostaram há duas décadas para escrever sua história em comum e criarem seus filhos. De maneira que foi neste ambiente que os Dias confiaram para construir o seu futuro. Na vizinhança, um de seus irmãos igualmente adquiriu uma área, de maneira que ambos puderam se auxiliar e caminhar juntos na atividade rural. Que, hoje, inclui os filhos. Seu Gilmar tem sua confortável residência localizada bem ao lado da casa do filho Jeferson, 25, que é casado com Paula e pai de Júlia, de dois anos e meio, e Murilo, de um ano e três meses. A irmã Jéssica já se instalou com casa própria em uma das áreas da propriedade.

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Ainda que constituam três famílias independentes, os Dias plantam, manejam, cuidam e colhem o tabaco em conjunto, com seis pessoas dedicando-se às tarefas de lavoura. Jeferson plantou 90 mil pés, a família da irmã a mesma quantidade, e o pai, Gilmar, em torno de 80 mil pés, conformando 260 mil pés. A exemplo deles, muitos produtores da redondeza fizeram a opção pelo tabaco como fonte de renda, e isso em um município que é conhecido como a “capital da cebola”, pela forte aposta nesse hortigranjeiro, que se ajusta bem ao tipo de solo da região.

Nesta época do ano, quando o tabaco já foi retirado das lavouras, é o milho que cresce bonito e viçoso, para constituir uma segunda fonte de receita. Nos galpões, as folhas secas estão sendo preparadas para a comercialização, e a infraestrutura montada para realizar todas as operações recebe manutenção. Adeptos do capricho e da inovação, os Dias pavimentaram e cercaram a área na qual ficarão as bandejas para a produção das mudas visando a próxima safra.

E este zelo e a dedicação aos cuidados das plantações se revelam na produtividade que eles alcançam: na atual safra, o rendimento deve passar de 12 arrobas por mil pés, sendo que em outros ciclos já obtiveram 15,6 arrobas por mil pés, isso quando a média costuma situar-se em 10 arrobas. É uma questão de identidade com essa cultura. “Eu acho que praticamente nasci dentro de uma lavoura de tabaco”, brinca seu Gilmar. E frisa que, na verdade, isso não constitui um exagero.

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A certeza de ter feito uma ótima escolha

O jovem Jeferson Dias podia ter feito a escolha de morar e trabalhar na cidade, ao lado da esposa Paula e dos dois filhos. Afinal, é estudioso e habilidoso, e até já concluiu o curso de Técnico em Agronegócio, em Rio do Sul, sendo muito afeito à área dos números e cálculos. No entanto, optou por investir seu futuro na agricultura, confiante no bom retorno financeiro, na qualidade de vida, na permanência junto dos pais e, além de tudo, como frisa, na importância de criar seus filhos no campo e sempre poder estar junto deles.

“Na cidade, eles iriam para a creche”, salienta. “Aqui, a Paula e eu é quem cuidamos deles.” Jeferson enfatiza que a vida na lavoura é muito boa, compensadora e gratificante. “Eu não trocaria essa vida aqui por nada. Temos tudo e temos acesso a tudo. E isso não tem preço.”

Jeferson e seu Gilmar na lavoura de milho

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Um olhar de produtor

Por Giovane Weber
Produtor de tabaco

Para fechar nosso roteiro, uma ida ao Sul

Olá pessoal! Tudo bem? Depois de termos visitado propriedades nos três estados do Sul do Brasil até sexta-feira, hoje faremos nova jornada, agora para o Sul do Rio Grande do Sul. A princípio visitaríamos o casal André Tietz de Medeiros e Priscila Santos de Medeiros, no município de Camaquã. Ela está grávida e espera para esses dias a chegada da pequena Ágatha, e ontem precisou baixar no hospital porque parecia que a nenê já iria nascer. Assim, em virtude da necessidade de resguardo, optamos por visitar outra família na região, a do casal Cesar Radtke e Fabiane Griesbach, pais da pequena Emanuele, que residem na Picada Feliz, em São Lourenço do Sul, ao lado dos pais dele, Delfino e Ieda. Em oportunidade futura, claro que faremos questão de ir conhecer a realidade de André e Priscila, em Camaquã. No roteiro pelo Sul, a intenção é conferir propriedades em uma área muito afetada pela estiagem, mas que investe forte em sistemas de irrigação, como o abaixo, para evitar as constantes perdas com a falta de chuvas.

Paisagens e lugares de tirar o fôlego

Na sexta-feira visitamos a propriedade da família Camillo, em Vila Serrinha Velha, município de Segredo (RS), como foi detalhado em matéria sobre a expedição na edição de final de semana da Gazeta do Sul. Ali, além de conversar com todos os integrantes da família e de conferir a infraestrutura, o tabaco no galpão e também as lavouras, fomos convidados a conhecer a gruta e a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, em uma linda área verde, com uma impressionante cascata natural, como se pode ver na foto abaixo. É um desses espaços de inegável apelo turístico, com uma eficiente infraestrutura para receber a comunidade e os visitantes, e dos quais em geral não se ouve muito falar ou são pouco divulgados fora da região. Em todas as localidades do Sul do Brasil, em nosso roteiro, nos deparamos com pontes, rios, vistas panorâmicas de tirar o fôlego, e tudo sempre com a marca da hospitalidade, da receptividade e da gentileza da população, nas cidades e no interior

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