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Região

Moradores consertam os estragos e avaliam prejuízos provocados pelo granizo

Foto: Alencar da Rosa

Na propriedade de Valdir, em Abelina, interior de Rio Pardo, o trabalho ontem foi para substituição das telhas danificadas com a chuva de pedras

Os temporais de granizo que atingiram a região do Vale do Rio Pardo e Centro-Serra entre o fim da tarde e o início da noite de terça-feira, e na madrugada dessa quarta, afetaram pelo menos 120 residências e 168 lavouras de tabaco. Os maiores prejuízos foram registrados em Rio Pardo e Arroio do Tigre. Nessa quarta-feira, 19, o dia foi de reconstrução e balanço dos estragos.

O agricultor Valdir Santos Marques, morador da localidade de Abelina, interior de Rio Pardo, tirou o dia para consertar o telhado. Na propriedade dele, as casas da família, do primo e do tio foram atingidas pela saraivada de pedras, no fim da tarde de terça-feira. “Só deu tempo de dizer para todo mundo entrar para dentro de casa. Acho que foram uns oito minutos de chuva de pedra. A cada rajada, parte do telhado furava”, relatou.

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Os reparos na residência da família dele foram concluídos ainda nessa quarta. Na fila de prioridade estavam o tio e o primo. “Meu tio tem problemas de saúde. A casa dele está com uma lona, colocada pelo Corpo de Bombeiros. Teremos que arrumar o telhado lá também.”

Na mesma localidade, a dona de casa Nelsi Peixoto Pereira olhava, ainda perplexa, para o telhado do chalé onde vive. No local moram também os dois filhos e uma neta, mas, na noite da última terça-feira, ninguém dormiu. “Os colchões molharam com toda a chuva que caiu após as pedras que estragaram o telhado”, contou.

O coordenador municipal da Defesa Civil de Rio Pardo, Roger Matheus Rodrigues Machado, contabiliza mil telhas para reconstrução dos telhados de 60 residências, a maioria delas em Abelina. “Houve também problemas em Passo do Pai Pedro, Passo da Areia, Volta Grande, Passo da Taquara e Pederneiras.”

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Machado revelou que na manhã dessa quarta o Município já havia dado ordem de compra para telhas e materiais necessários à reconstrução das casas atingidas. “Algumas famílias tiveram que ficar fora de casa na noite de terça-feira, por causa da quantidade de chuva, mas essa situação já foi contornada.”

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Na casa de dona Nelsi, solução foi recorrer a uma cobertura de lona | Foto: Alencar da Rosa

Em Arroio do Tigre houve estragos em cinco bairros

Eram 20h20 de terça quando a chuva de granizo alcançou a região Centro-Serra. Em Arroio do Tigre, foram 30 minutos de tempestade e pelo menos cinco bairros com problemas de destelhamento.

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O coordenador da Defesa Civil, Gustavo Henrique Bencke, conta que moradores dos bairros Mohr, São Francisco, Limberger, Rutzen e Harmonia foram prejudicados. “Umas 50 residências foram destelhadas pelo granizo. Estamos com falta de telhas no município”, explicou.

As localidades de Linha Cereja e Rocinha também registraram problemas com granizo, com famílias parcialmente atingidas Nas residências. Segundo a Defesa Civil, até essa quarta os prejuízos registrados eram apenas em moradias, não nas plantações.

AFUBRA RECEBEU 168 AVISOS

O Departamento Mutualista da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) recebeu nessa quarta 168 avisos de granizo na microrregião de Santa Cruz do Sul. Rio Pardo foi o município com mais pedidos: 88, seguido por Passo do Sobrado, com 33, e Santa Cruz do Sul, com 21. Vale do Sol contabilizou 16 e Vera Cruz fechou dez. Todo o sistema da Afubra contabilizou 300 pedidos entre a madrugada de terça e a manhã de quarta.

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Na área urbana de Santa Cruz do Sul, a Defesa Civil registrou a incidência de chuva de granizo nos bairros São João e Dona Carlota. Na localidade de Alto Paredão, no interior, moradores também informaram esse fenômeno. No entanto, tanto na área urbana quanto na zona rural não foram identificados prejuízos materiais, como destelhamento.

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Em Abelina houve o maior número de destelhamentos em Rio Pardo | Foto: Alencar da Rosa

As condições climáticas que provocaram o fenômeno

Entre o fim da tarde e início da noite de terça, a quantidade de chuva suspensa na atmosfera, associada às correntes frias causadas pela entrada de uma massa de ar polar, criou as condições perfeitas para o temporal. A meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, explica que esse tipo de comportamento climático torna-se comum a partir de agora. “Embora ainda estejamos no inverno, a atmosfera já está se preparando para a primavera, onde os temporais são mais comuns. Por isso, tempestades de granizo podem ocorrer em agosto.”

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Passada a chuva de pedras, agora é a vez do frio. A massa de ar polar que chegou ao Estado nessa quarta promete derrubar as temperaturas, colocando as máximas, pelo menos até o fim de semana, na casa dos dez graus. “Serão amanheceres gelados, entre quinta e sexta-feira. Deve ter geada inclusive na região”, alertou Estael.

E para quem não gosta do frio, a notícia não é boa. Sob a influência do La Niña, o frio tende a permanecer durante o mês de setembro, no qual não estão descartadas as geadas tardias. “Geralmente em um ano de La Niña, podem ocorrer geadas durante o mês de setembro. As famílias que plantam tabaco precisam estar atentas.”

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