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Dia do Aposentado

No dia 24 de janeiro, foi comemorado o Dia Nacional do Aposentado. Instituída em 1981 para homenagear os profissionais que dedicaram parte da vida ao trabalho, a data foi escolhida para lembrar a publicação da Lei Eloy Chaves, a primeira lei brasileira destinada à previdência social, criada em 1923 pelo então presidente Artur Bernardes. Em meio a tantas datas comemorativas, previstas no calendário anual – algumas mais importantes, outras mais badaladas e a maioria apenas para constar -, o Dia do Aposentado foi matéria de jornais, como a Gazeta do Sul. Aliás, já faz algum tempo, quando autoridades, políticos e especialistas falam em aposentadoria é para lembrar e anunciar a necessidade de reformar o sistema da Previdência Social, no Brasil. O motivo seria o crescimento exponencial dessa despesa pública, o que levaria, num futuro próximo, os governos a não terem dinheiro suficiente para pagar aposentadorias e pensões.

Durante esses anos todos, muita coisa mudou nas regras de aposentadoria. Leis, emendas constitucionais e reformas trouxeram avanços, mas, também, retrocessos na vida de aposentados e de quem está se preparando para usufruir do merecido descanso remunerado. É cada vez mais evidente a necessidade de as pessoas se organizarem financeiramente para a chegada dessa fase da vida.

A última Reforma da Previdência foi promulgada em novembro de 2019 – PEC 6/2019 -, depois de quase nove meses de debates. Os principais pontos daquela reforma são o aumento da idade mínima, maior tempo de contribuição e o cálculo da aposentadoria. Com a promessa de modernizar as relações de trabalho e gerar mais empregos, embora os reflexos das novas regras sejam de médio e longo prazo, o presidente do Instituto de Longevidade MAG e do Conselho Administrativo do Grupo Mongeral Aegon, Nilton Molina, afirma que, completados dois anos da última Reforma da Previdência, há um sentimento de perda para os brasileiros.

Estudo sobre aposentadoria, realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) constatou que oito em cada 10 brasileiros não tem preparação para a aposentadoria, sendo que a maioria teme não ter dinheiro na velhice. Aliás, um arrependimento bastante comum entre os aposentados é não terem economizado mais enquanto estavam na ativa. Agora, muitos deles dependem dos familiares para sobreviverem, tiveram que diminuir o padrão de vida para poder arcar com os custos da velhice e permaneceram trabalhando, às vezes de forma precária, para conseguir pagar as contas. Por isso, o mesmo estudo sugere quatro passos para os candidatos à aposentadoria:

  1. não se precipitar para aposentar-se;
  2. diversificar as fontes de renda;
  3. levar em conta os gastos familiares;
  4. ser realista com as despesas futuras.

A maioria das pessoas já leu ou, ao menos, já ouviu falar sobre importância de começar a poupar e investir, de modo a garantir uma aposentadoria mais segura, financeiramente. Mas, quando se é jovem ou se está começando uma atividade profissional, a aposentadoria está longe das prioridades atuais. Só que os anos passam e quando a pessoa percebe já está contando os dias, meses ou até anos que faltam para se aposentar. Aí já pode ser tarde ou, no mínimo, mais difícil, conseguir fazer um “pé de meia” para esta nova etapa da vida. Assim, o especialista em educação financeira, Antônio de Júlio, listou cinco motivos pelos quais a melhor hora de investir na aposentadoria é agora:

  1. Tempo: quanto mais a pessoa dispor, mais fácil será juntar uma boa grana;
  2. Disciplina: o hábito de poupar ajuda a pessoa a policiar-se financeiramente;
  3. Estilo de vida: planejar o que quer fazer quando se aposentar – onde morar, viajar, exercer alguma atividade profissional ou de voluntariado, etc.;
  4. Demografia: com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, no futuro, a tendência é de que existam mais pessoas idosas que dependam da previdência social. Quer dizer, o que está ruim pode ficar pior;
  5. Acesso: hoje em dia, só não investe quem não quer; dizer que para poupar precisa de muito dinheiro é desculpa.

Ao se aposentarem, muitas pessoas, simplesmente, não conseguem desvencilhar-se de máscaras que eram obrigadas a usar nas empresas ou instituições, o que as identificava profissionalmente, em detrimento da autêntica identidade pessoal. Tendo exercido funções de comando, por exemplo, parece que trouxeram junto os carimbos ou estrelas, não perdendo oportunidade, em qualquer ambiente ou evento, de manifestar a antiga autoridade. Outras, não conseguem deixar de usar, diariamente, o uniforme da empresa ou, então, em casos mais extremos, de comparecer, diariamente, ao local de trabalho do qual foram desligadas, como se ainda estivessem na ativa. E, em tempos de redes sociais, principalmente em grupos de WhatsApp, tem aquele que se acha, talvez se sentindo escolhido por Deus, com a missão de alertar os colegas aposentados sobre informações que seriam de interesse da categoria; e tem aqueles que, por desinformação ou alienação, aceitam ou até pedem esse tipo de tutela, passando a pautar a vida pelas informações repassadas pelo “tiozão” do WhatsApp.

No início de um novo ano, ainda dá tempo de fazer mais uma promessa: começar a garantir a saúde, não só física e mental, como também a financeira para os anos que virão em seguida, seja lá com que idade for. É urgente a adoção da educação financeira que deve incluir  um planejamento para uma aposentadoria mais tranquila, no futuro. Pode-se juntar todos os conhecimentos e experiências, acumulados durante o tempo de trabalho e da própria vida, e usar o tempo disponível para se ocupar com atividades significativas e que tragam prazer. Às vezes, até dinheiro. Aposentadoria pode significar, pois, um tempo de muitas possibilidades. Ou nenhuma. Tudo irá depender de como a pessoa vai lidar com essa nova fase da vida.

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