A Polícia Civil concluiu dois inquéritos que investigavam casos de extorsão virtual em Santa Cruz do Sul. Inicialmente tratados como ocorrências distintas, os casos levaram à identificação do mesmo investigado e de um padrão semelhante de atuação. As apurações apontaram diferentes vítimas e crimes praticados de forma reiterada ao longo dos últimos anos.
Segundo a 1ª Delegacia de Polícia, o suspeito criava perfis femininos falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens, usando fotografias e identidades de mulheres reais sem autorização. Por meio desses perfis, estabelecia contato com homens, criava vínculos virtuais e obtinha imagens, vídeos e informações íntimas. Depois, exigia dinheiro sob ameaça de divulgar o material para familiares, colegas de trabalho, instituições de ensino ou outros grupos sociais.
Em um dos casos, uma vítima realizou pagamentos que somaram aproximadamente R$ 35 mil. Os valores eram transferidos diretamente ou por meio de contas de terceiros. Também houve exigências para a compra de medicamentos controlados. Quando os pagamentos foram interrompidos, vídeos íntimos foram divulgados em grupos de WhatsApp, e contas das redes sociais da vítima foram utilizadas para ampliar a exposição.
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Na outra investigação, uma vítima era extorquida desde 2022 e chegou a ser obrigada a instalar um aplicativo de rastreamento no celular. Após deixar de pagar, teve vídeos íntimos enviados a grupos relacionados ao ambiente profissional e passou a sofrer perseguições e ataques contra sua reputação. Em outro episódio, uma videochamada íntima foi gravada sem consentimento e encaminhada a familiares da vítima.
As investigações também apontaram que as identidades obtidas eram usadas para criar novos personagens, formular denúncias falsas e provocar conflitos entre terceiros. Em um dos casos, dados de uma vítima foram utilizados para registrar uma denúncia falsa contra ela perante uma instituição de ensino superior.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram um carimbo médico falso, receitas de medicamentos controlados falsificadas, notificações de receita e diversos receituários médicos em branco. Também foram apreendidos telefone celular, notebook e chips.
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Conforme a investigação, documentos e identidades de profissionais da saúde eram utilizados de forma fraudulenta para obter medicamentos controlados e estavam relacionados ao contexto das extorsões.
A identificação do investigado foi sustentada por diferentes elementos de prova, incluindo transferências bancárias, dados fornecidos por empresas de tecnologia e telefonia, vinculação de números telefônicos e contas de recuperação de e-mail. Os aparelhos eletrônicos e documentos apreendidos também contribuíram para a apuração.
Com a conclusão dos dois inquéritos, o investigado foi indiciado, conforme os fatos individualizados em cada procedimento, pelos crimes de extorsão, divulgação de cena de sexo ou pornografia sem consentimento, perseguição, falsa identidade, falsidade ideológica, falsificação de documento público e uso de documento falso.
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A Polícia Civil representou pela prisão preventiva do investigado, que foi posteriormente decretada pelo Poder Judiciário.
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