O Sistema Fiergs divulgou na última semana os dados referentes às exportações de março e o acumulado no primeiro trimestre do ano. O Rio Grande do Sul somou US$ 3,64 bilhões nos três meses, o que representou retração de 5,7% no comparativo com o mesmo período de 2025. Um dos produtos que puxaram o resultado para baixo foi o tabaco. Com a redução da média do preço de comercialização mundial, registrou queda de 25,7%, baixando de US$ 659,3 milhões para US$ 490,1 milhões.
Parte do resultado negativo do Estado é atribuída, segundo o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, ao ambiente internacional. “A indústria gaúcha segue sentindo os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que ainda impactam diversos segmentos, e já começa a observar reflexos do conflito no Oriente Médio sobre as exportações. Em um cenário externo adverso, é fundamental avançar na diversificação de mercados e no apoio às empresas exportadoras”, afirma.
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Além do tabaco, o levantamento aponta outros oito, de 23 segmentos industriais analisados, com retração na comparação com o ano passado. O setor de celulose e papel também teve queda expressiva, com 23,5%, somando US$ 215 milhões em vendas. Em contrapartida, o segmento de alimentos registrou expansão, com exportações de US$ 1,3 bilhão, alta de 15,9% (US$ 183 milhões).
Apesar da diminuição das taxas de importação dos produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as vendas não voltaram à normalidade, sobretudo pela incerteza quanto às próximas medidas do gestor estadunidense. Desde que as mudanças foram implementadas, o Rio Grande do Sul exportou US$ 815 milhões em produtos industriais para o mercado norte-americano. Representa queda de 35,1% (US$ 440 milhões a menos) em relação ao período correspondente do ano anterior.
Em março, comparando com igual período de 2025, houve redução de 25%. O indicador é ainda maior se for levado em consideração o trimestre, que representou queda de 31,9%.
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Em números

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Cenário de guerra pode atrapalhar logística mundial
O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) ainda está processando informações sobre as exportações e as eventuais negociações, em função do conflito no Oriente Médio. “Caso se prolongue, o setor poderá enfrentar desafios logísticos, com possíveis atrasos nos embarques e aumento dos custos de transporte”, aponta o presidente Valmor Thesing, por meio da assessoria da entidade sindical.
Outra questão que teve influência nos resultados desde o ano passado é a taxação imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as suas alterações. Os clientes do tabaco brasileiro no país norte-americano ainda não deram sinais de retomada das compras a pleno.
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“Isso se deve à incerteza em relação à política tarifária: a tarifa vigente de 10% está prevista apenas até meados de julho, sem definições claras sobre o cenário posterior. Esse contexto gera insegurança para toda a cadeia produtiva, inclusive para os clientes americanos”, destaca.
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Em números, de forma geral o setor apontou uma recuperação em março, comparado ao mesmo mês de 2025. No último ano foram US$ 122,4 milhões e no mês passado, US$ 168 milhões. O acumulado do trimestre é que aponta redução de 25,7%, baixando de US$ 659,3 milhões para US$ 490,1 milhões.
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Quanto ao volume, reforça Thesing, a demanda global por tabaco tem se mantido relativamente estável nos últimos anos. O que tem impactado os valores são as condições de mercado, especialmente a relação entre oferta e demanda. Após ciclos recentes de forte demanda, o cenário atual é marcado por aumento significativo da produção em países concorrentes, o que amplia a oferta e pressiona os preços para níveis historicamente mais baixos.
Outro importante cliente, a China, tem sido nos últimos anos o principal destino das exportações de tabaco, com trajetória de crescimento – e a expectativa é de que siga ocupando essa posição. “Análises baseadas em períodos curtos podem levar a interpretações distorcidas, já que os embarques podem ocorrer em momentos diferentes por diversos fatores, como questões logísticas”, alerta Thesing. Nas exportações gaúchas, os chineses diminuíram de US$ 704,6 milhões para US$ 403 milhões no trimestre.
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