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Empresa alemã quer firmar parceria para projeto inovador em Vale Verde

Foto: Rafaelly Machado

Gerente de projetos Décio Cézar da Silva (primeiro à esquerda) apresentou iniciativa

Uma empresa alemã pretende implantar um projeto inovador no Vale do Rio Pardo. A SunFarming Food & Energy tem o objetivo de firmar uma parceria para a produção de energia solar e de alimentos e plantas medicinais. A iniciativa prevê criação de empregos, educação por meio da formação técnica e qualificação profissional e gestão dos recursos hídricos.

No Brasil, já existem propostas em andamento em São Paulo, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, no ABC paulista, além de Fortaleza, no Ceará, e Pato Bragado, no Paraná. No Rio Grande do Sul, Vale Verde é o principal candidato a ser o município pioneiro. Também há estudos para a implantação do projeto no Amapá e Mato Grosso. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, as conversas já estão adiantadas.

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A relação da empresa com Vale Verde é intermediada pelo gerente de projetos no Brasil, Décio Cézar da Silva. Ele é natural de Santa Cruz do Sul e possui terras herdadas da família na localidade de Buraco Fundo, em Vale Verde. Por gostar da região, sempre prospectou formas de desenvolver a economia. Na apresentação do projeto, realizada nessa segunda-feira, 13, estiveram presentes o prefeito de Vale Verde, Carlos Gustavo Schuch; o vice-presidente da Afubra, Marco Dornelles; o gerente de Eficiência Energética da Afubra, Elieser do Prado Bastos; o coordenador dos ambientes de inovação da Unisc, Rafael Kirst; além do presidente da SunFarming, Peter Schrum.

Abundância de recursos

Médico e biólogo, Décio é doutor na área de envelhecimento humano. Atualmente é professor e pesquisador do Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) na Universidade Federal do Ceará (UFC) e desenvolve pesquisas sobre alimentos funcionais e terapêuticos no Departamento de Tecnologia de Alimentos (Detal), também na UFC. Desde 2016, é vinculado à Brandenburgische Technische Universität, de Cottbus, na Alemanha. Décio mora em Berlim e teve contato com a SunFarming por meio de um evento, em 2018. “Eles não queriam somente vender energia. Queriam aplicar um conceito. É a única empresa onde vi essa combinação de energia como fator para produzir. A empresa recebe subsídio e criaram essa condição para que os projetos sejam financiados”, detalhou.

Segundo ele, existe uma abundância de recursos na Alemanha para investimentos, mas faltam interlocutores. “Levei três anos para convencer o presidente da empresa, Peter Schrum, a fazer uma visita. Eles pensam que o Brasil é um país rico, mas sabemos que é necessário um investimento maior. Aqui temos o vínculo histórico dos colonizadores germânicos para estimular o desenvolvimento regional, de olho no futuro”, salienta Décio. Conforme o professor, os bancos alemães contam com recursos para investimento, mas esbarram na falta de projetos. “São trilhões de euros parados por falta de ideias”.

Importância da artemísia e do hidrogênio

Para o início do projeto, a ideia é estimular a produção de artemisia annua, uma espécie importante na indústria farmacêutica, com alta demanda na Europa. Existem estudos para a utilização da erva aromática no tratamento da Covid-19, por exemplo. Além disso, trata-se de uma alternativa para a produção de tabaco. Outro foco importante é a produção de hidrogênio, muito valorizado na Europa, que pode ser exportado via porto de Rio Grande.

Para a concretização do modelo proposto, a SunFarming conta com a colaboração de universidades, associações e cooperativas. É uma exigência dos financiadores alemães que os projetos tenham vínculo social e educacional. Assim ocorre nas unidades instaladas ao longo de duas décadas na África do Sul, Madagascar, Turquia, República Dominicana e Peru. A Argentina é outro país no radar da expansão sul-americana. “Na Turquia, por exemplo, o sistema auxilia refugiados sírios. No Vale do Rio Pardo, o projeto teria uma participação fundamental da Afubra e da Unisc, além de outros parceiros com quem estamos conversando. Sempre haverá a vinculação dos produtores a uma cooperativa ou associação”, sublinha Décio.

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Na África, por exemplo, o modelo é uma alternativa para evitar a imigração massiva da população para a Europa, dando oportunidade de emprego e renda. “Ninguém vai sair do campo se tiver condições. No Brasil, temos algo parecido com o nordestino, que deixa a terra natal em busca de coisa melhor no Sudeste. É pela falta de condições. Por isso, estamos instalando um projeto específico no interior do Ceará e Rio Grande do Norte”, comentou.

Um novo modelo de produção

O projeto é baseado em uma área de 40 hectares, com um mínimo de 30 megawatts como pico de produção. No local são implantados módulos de 2 a 2,5 metros de altura, com placas fotovoltaicas, resistentes a granizo e ventos fortes. Na parte de baixo, é possível cultivar hortifrúti, plantas aromáticas e medicinais, temperos e até mesmo animais, como galinhas e peixes. Há uma estrutura flutuante para colocação em açudes. O sistema de irrigação é por meio de gotejamento, com a água da chuva, oriunda das cisternas de armazenamento.

A energia gerada com as placas fotovoltaicas vai auxiliar a produção de hidrogênio e subprodutos, como a amônia, fator importante para a Alemanha no desenvolvimento de projetos com foco em mobilidade urbana, como ônibus e carros movidos a hidrogênio. Há uma preocupação crescente na Europa com o aquecimento global, e as formas de reduzir os poluentes atmosféricos que contribuem para o efeito estufa estão na pauta de discussão sobre o meio ambiente. A alemã Siemens, por exemplo, conta com geradores avançados para a produção de hidrogênio.

Além da transferência de tecnologia, o projeto gera empregos e renda, por meio do excedente da produção de energia solar, já que parte é destinada ao pagamento do financiamento. Décio fará contato com a cooperativa de crédito Sicredi Vale do Rio Pardo, que tem uma linha de financiamento específica para a instalação de placas fotovoltaicas.

A proposta também envolve o intercâmbio educacional, com a formação e qualificação técnica para aplicação na produção. “Ainda precisamos discutir questões legais. Se conseguirmos fechar um memorando de intenções, acredito que dentro de seis meses será possível dar início à implementação do projeto em Vale Verde”, finaliza o biólogo.

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