Preservar a história do maior desastre climático do Rio Grande do Sul para que ela sirva de lição para o futuro. Esse é o propósito do Memorial das Inundações dos Vales (Miva), lançado nessa terça-feira, 26, à tarde em Sinimbu – município severamente afetado pelas cheias de 2024 e que se tornou símbolo de superação e reconstrução.
A plataforma digital foi desenvolvida pelo Inova RS na Região dos Vales – programa da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Estado –, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (Fapergs). O ambiente virtual reúne depoimentos em texto e áudio de pessoas que viveram os impactos da catástrofe, retratando diferentes nuances emocionais, do medo à solidariedade.
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O projeto também homenageia aqueles que atuaram na linha de frente dos resgates e nas ações comunitárias. Já a seção Olhares Técnicos oferece uma compreensão aprofundada dos eventos, com análises de especialistas sobre temas como as mudanças climáticas.
Há ainda um espaço dedicado exclusivamente à prevenção, com o objetivo de debater estratégias de contingência em um cenário de eventos extremos cada vez mais frequentes e severos. O Miva documenta ainda ações inovadoras e planos de adaptação que contribuíram para a restruturação das regiões dos vales do Rio Pardo e do Taquari.
Coordenadora das gestoras de inovação e do comitê estratégico do Inova RS na região, a vice-reitora da Unisc, Andréia Rosane de Moura Valim, destacou que o projeto ajuda a população gaúcha a se preparar para novos episódios climáticos. Segundo ela, a proposta envolveu estudantes e professores de diferentes áreas do conhecimento. “Por ser um trabalho multidisciplinar, aliamos a expertise dos docentes ao cuidado e à sensibilidade da psicologia para abordar as pessoas, ouvir os relatos e compreender como enfrentaram aquele momento”, detalhou.
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Para Yhevelin Serrano Guerin, professora do Departamento de Gestão e Comunicação da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o objetivo central é promover conscientização. “Quando as pessoas acessam a memória de quem passou por todo o processo, isso toca o coração e gera transformações.”
Yhevelin salientou o caráter educativo do projeto, cujas ações de prevenção podem ser replicadas em salas de aula. A iniciativa contou com a participação de alunos do curso de Comunicação da Unisc e Agência A4, em um modelo colaborativo entre a academia e o poder público. Para ela, o contato com os relatos reais qualificou o aprendizado dos acadêmicos. “Conseguimos mobilizar os estudantes para que essa memória alcance mais mentes e corações.”
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Marco para a resiliência climática
Na avaliação de Claudir Padia, coordenador do Inova RS e diretor-adjunto do Departamento de Ambientes de Inovação da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia, o memorial é um marco para a resiliência climática no Estado. Ele explica que o programa governamental incorporou o tema após as cheias de 2024, buscando aproximar a ciência das necessidades reais das comunidades atingidas. “Neste último ciclo, focamos em pensar como trabalhar a inovação e a tecnologia nesse contexto”, disse.
Construído em parceria com pesquisadores da Unisc e da Universidade do Vale do Taquari (Univates), o Miva nasceu para salvaguardar a história regional e fortalecer a sociedade diante de futuras crises. “A Região dos Vales trabalhou para que essas informações fiquem registradas, fortalecendo o Estado e uma área tão afetada por esses acontecimentos”, apontou Padia.
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O coordenador enfatizou que a informação é uma ferramenta essencial de prevenção. Para ele, embora as enchentes tenham deixado marcas profundas, o episódio abre oportunidade para uma mudança coletiva. “Esses acontecimentos deixaram uma base para evoluirmos como sociedade e buscarmos um futuro próspero, sem esquecer o passado.”
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