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Esporte santa-cruzense se despede de Cézar Silveira

Cézar Silveira foi um entusiasta do esporte em Santa Cruz do Sul

Cézar Delmar Gonçalves da Silveira faleceu no dia 31 de julho aos 64 anos. Conhecido carinhosamente por pessoas próximas como Melinho, era casado com Josi Cortes e tinha quatro filhos: Rita Fraga, Juliana Silveira, Júlio Cézar Silveira e Vinicius Corte da Silveira. Como o próprio Cézar gostava de repetir: “é a vida seguindo seu caminho…”

Em 2017, Cézar foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença rara, irreversível e sem cura, com a qual o físico britânico Stephen Hawking também convivia. Conforme a filha Juliana, a notícia foi uma bomba para a família. Um misto de desespero, revolta e tristeza entre as reações iniciais. Após o baque, os Silveira se fortaleceram e enfrentaram a batalha juntos. “Ele lutou muito. Sempre manteve a esperança. Acreditava muito que, em meio às tantas pesquisas na área, algo novo surgiria para o tratamento da doença. Infelizmente, ele partiu antes que houvesse  qualquer avanço nesse sentido”, relata.

Na área profissional, Cézar Silveira sempre trabalhou com vendas e foi destaque nas empresas por onde passou. Ele recebeu prêmios por metas conquistadas. Por conta do reconhecimento na atuação profissional, teve a possibilidade de acompanhar o GP do Brasil em duas oportunidades. Assistiu a primeira vitória de Ayrton Senna em Interlagos e a última corrida do ídolo em casa.

Aliás, o esporte era uma grande paixão de Cézar Silveira. Era um orgulhoso camisa 5 da base do Avenida. Chegou a enfrentar o zagueiro Mauro Galvão em 1977, em uma partida contra o Internacional. Pela relação próxima com o mundo esportivo, aceitou o desafio de presidir a Associação Santa-Cruzense de Futsal (Assaf), equipe que esteve em atividade entre 2005 e 2019. “Ele encarou o desafio. Tentou fazer o melhor frente à instituição. Não foi fácil. Sem incentivo e apoio financeiro, muito pouco se consegue fazer. Ele não desistiu e acreditava na equipe, vibrava muito a cada vitória. Por inúmeras vezes, pagou o ônibus do próprio bolso para levar os atletas aos jogos. Pagava alimentação e até mesmo despesas pessoais de alguns jogadores. Estava sempre tentando resolver os problemas. Mesmo sem condições, ele dava um jeito de ajudar”, afirma Juliana.

Coragem para enfrentar a ELA

Com o avanço da doença, Cézar precisou parar de trabalhar e teve que se afastar da Assaf. De acordo com Juliana, a ELA provocou limitações gradativas no andar, respirar, falar e deglutir. Aos poucos, passou a ficar sem movimentos.

Para a família, foi um momento triste e doloroso pelo fato de Cézar ser extremamente ativo, com uma rotina na estrada por conta das vendas. “Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para deixá-lo o mais confortável possível. Por fim, ele tornou-se totalmente dependente” explica a filha. Ele ficava sob os cuidados da esposa Josi Corte e da técnica em enfermagem Patrícia Kramer.

Ele conseguia se comunicar por meio de um assistente de comunicação chamado Tobii. Pelo movimento dos olhos, conseguia acessar a internet, as redes sociais, trocava mensagenss com os amigos, e-mails com as instituições que estavam fazendo pesquisas de medicamentos para a doença, acompanhava as notícias do time do coração Internacional e ouvia os programas da Rádio Gazeta. “A Josi e Patrícia cuidaram dele com todo amor e carinho. Ele adorava receber visitas, principalmente das irmãs Rosemari Costa e Tirza Gressler e suas respectivas famílias”, conta.

Dedicação para fortalecer a Assaf

Ex-presidente da Assaf, Paulo Luiz Meinhardt acredita que o amigo foi um guerreiro por ter feito as coisas acontecerem em quadra, mesmo com as dificuldades financeiras, por falta de apoio ou patrocínio. Meinhardt acredita que a dedicação de Cézar deve ser valorizada.

“A obtenção de bons resultados é difícil. Depende de vários fatores. Desde as questões financeiras como as que envolvem a parte técnica e tática. O Cézar começou como colaborador e depois tornou-se presidente. Sempre com muito empenho, abdicando de tempo com a família. Convivia com diversas situações, tanto positivas como negativas. Mesmo com cobranças ou críticas, ele corria atrás e sempre fazia acontecer. Conhecia as artimanhas que envolvem o esporte”, relata.

Para Meinhardt, Cézar será um eterno amigo. Ficará a imagem de alguém que lutou pelo fortalecimento do esporte em Santa Cruz do Sul. “Os resultados obtidos são irrelevantes. Fizemos o máximo conforme as possibilidades. Trabalhamos, buscamos alternativos e nos reinventamos. Sofremos juntos. Sempre buscamos manter a chama viva do futsal. Tivemos percalços, mas aceitamos os desafios. O Cézar era guerreiro, assim como a Assaf”, enfatizou.

Depoimentos

Juliana Silveira – filha

“Meu pai era um apaixonado pela vida, pela família, pelas vendas e pelo futebol. Na última terça-feira, estive em um dos mercados que ele atendia, vendendo pães congelados. Recebi um abraço de um dos donos, com os pêsames. Em meio à nossa conversa, ele disse: teu pai era um cara incrível! Isso me enche de orgulho. Ele foi o melhor pai que eu poderia ter. A minha pessoa favorita nessa vida. Eu vou seguir sendo a pessoa que ele me ensinou a ser: fazendo o meu melhor, sempre!”

Júlio Cézar – filho

“No dia 31 de julho, tive a despedida mais difícil da minha vida. Me despedi do cara que me ensinou tudo. Sempre foi exemplo, do pessoal ao profissional. Meu pai sempre será um ser humano do qual ninguém poderá falar mal. Trabalhador demais, se acostumou em ser o melhor vendedor nas empresas que passou. Foram tantos prêmios e homenagens. Sonhador, acreditava demais nas pessoas. Ajudava demais as pessoas e amava muito a família!

Quis o destino que ele partisse num domingo lindo de sol. Justo no seu dia preferido. Dia do churrasco, dia de ouvir as músicas que ele gostava. Em alguns domingos também era dia de Inter. Ele não deixava de assistir. Também era o dia de reunir a família. A ELA tirou tantas coisas dele, mas nós não deixamos ela tirar o domingo dele. Sempre que podíamos, nos reuníamos pra fazer um churrasco, mesmo que a ELA já não permitisse mais que ele pudesse sentar conosco à mesa para saborear um almoço de domingo.

Fomos fortes, todos nós. Mas ele foi um guerreiro. Lutou sempre com a esperança de um milagre, um novo medicamento. Estava sempre acompanhando as notícias sobre as novidades nos tratamentos e sempre nos atualizando. Partiu num domingo lindo de sol, descansou em casa se despedindo da gente e depois rodeado por muitos amigos, algo que encheu nossos corações de um sentimento inexplicável por ter a dimensão do quanto ele é querido por tanta gente.

Falar dele é meu ponto fraco. Poderia digitar por horas e não expressaria tudo que sinto por esse cara. Meu ídolo, meu herói. Ele descansou, pois a batalha contra essa doença foi cruel demais. O que conforta todos nós é a certeza de que agora ele está bem de novo, sem limitações, sem desconfortos, sem dor e cuidando da gente lá de cima.

Pai, obrigado por tudo que fizeste por nós. Todos os ensinamentos, todos os puxões de orelha, todo amor que nos deu. Por mostrar o caminho correto a seguir e principalmente a acreditar, ser forte e nunca desistir do que almejamos. Descanse em paz meu velho, ficaremos bem!

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