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RICARDO DÜREN

Experiências congelantes da família Düren

É curioso o fascínio que o freezer desperta nas crianças. Elas acham incrível a experiência de colocar líquidos naquele ambiente e, ao cabo de algumas horas, verificar como congelaram, adotando o formato do recipiente. Adoram ver como água converte-se em cubos de gelo, como sucos transformam-se em picolés. O freezer, de fato, talvez seja uma das invenções mais surpreendentes da história da humanidade, uma das maravilhas da tecnologia. Pelo menos para as crianças.

Falo por experiência própria, como pai e como ex-criança. Quando pequeno, costumava congelar brinquedos – soldadinhos ou bonecos de animais – em recipientes com água. No dia seguinte, a pedra de gelo recheada com o boneco convertia-se, na minha imaginação, em um surpreendente artefato arqueológico ou paleontológico, encontrado por alguma expedição nos confins do Ártico. Como cientista responsável, eu tinha de remover o homem ou animal pré-histórico do bloco de gelo com muito cuidado – considerando, inclusive, que o congelamento poderia ter mantido a pobre criatura viva por milhares e milhares de anos.

Claro que eu não esperava até o gelo derreter, isso seria chato. Era muito mais divertido ir cortando o gelo com uma pequena serra para canos PVC, que o pai mantinha no galpão. Contudo, não raras vezes, eventuais erros de cálculo custavam aos soldadinhos suas mãos ou pés – o que, nas brincadeiras seguintes, convertia-se em graves ferimentos de guerra.

Por isso, não me impressiono quando, nos dias de hoje, encontro no freezer barbies, recipientes com limonada ou guloseimas – que, segundo as gurias, ficam muito mais saborosas quando consumidas congeladas. Mas, nesta semana, um desses achados me surpreendeu: era um par de meias.

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Junto às meias havia um bilhete endereçado aos incautos: “Meias congeladas, não mexa!” No mesmo papel, o desenho de uma assustadora carranca sugeria o que poderia acontecer a quem ousasse desrespeitar o aviso. O bilhete não estava assinado, mas a caligrafia denunciou a autora.

E fui cobrar explicações:
– Yasmin, por que colocaste tuas meias no freezer?
– Ora, pai, é uma experiência científica.
– Experiência científica?
– Sim. Quero saber o que acontece às meias quando congeladas.
E a caçula, Ágatha, que a tudo observava, preocupou-se:
– O freezer vai ficar cheirando a chulé!

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Yasmin, contudo, garantiu-nos que eram meias limpas. Porém, após algumas horas constatou que o experimento não proporcionava grandes novidades – as meias apenas ficaram geladas. E então a cientista teve outra ideia: molhar as meias e reinseri-las no freezer.

Desta vez, houve um fenômeno que ela considerou bastante curioso. As meias realmente congelaram. Como eram longas e haviam sido dispostas no freezer ao comprido, adotaram uma forma que lembrava a de lâminas – fato que não passou despercebido à autora do experimento, que passou a manuseá-las como se fossem espadas ninjas.
– Aiáaaaaaaa!

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A seguir, a cientista-mirim percebeu que, pressionando nos pontos certos, as meias abriam-se, permitindo que nelas fossem colocados os pés, como se fossem botas. Mas evitou seguir com o experimento, estava muito frio. Contudo, talvez nos dias tórridos de janeiro a descoberta tenha utilidade, quiçá para refrescar os pés.

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