A Fifa voltou a defender proposta de investimento privado que causaria uma ‘venda’ da Copa do Mundo e culpou a imprensa pela repercussão negativa que motivou o boicote dos países da Europa aos torneios organizados pela entidade máxima do futebol.
“Nosso processo de consulta planejado foi interrompido por informações incorretas da mídia. Prosseguiremos com este processo de consulta para garantir que cada associação membro tenha a oportunidade de expressar seu voto com base em fatos”, afirmou a Fifa. “As atividades comerciais da Fifa permaneceriam inalteradas. A Fifa Forward Enterprise (FFE) não seria criada. Ninguém está vendendo futebol. Isso jamais seria cogitado pela Fifa”, diz o comunicado da entidade.
A Fifa iniciou o processo de consulta para expandir o número de participantes da Copa do Mundo masculina para 64 seleções. A entidade dará prazo de 15 dias aos 211 associações membro para decidirem sobre a expansão. O relatório com o resumo da pesquisa foi disponibilizado em 30 de julho e a decisão final será no dia 14 de agosto. A entrega da análise completa será em 11 de setembro – oito dias antes do prazo final dado por Infantino para aceitar seu plano de venda das ações.
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Boicote da Europa
Os países europeus anunciaram, na quinta-feira, 30, um boicote aos torneios organizados pela Fifa em protesto contra o plano de investimento de Gianni Infantino. O próximo torneio da Fifa na Europa é a Copa do Mundo Feminina sub-20, na Polônia, com início em 5 de setembro.
“Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas… A Copa do Mundo da Fifa pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela nunca estará à venda”, diz um trecho da nota da Uefa. Além do boicote da Europa, a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) rejeitaram a proposta de Infantino.
Plano de Gianni Infantino
A proposta de Gianni Infantino é usar o FFE para ampliar o financiamento básico projetado de 10 milhões de dólares (R$ 50,6 milhões na cotação atual) nos próximos quatro anos para 20 milhões de dólares (R$ 101 milhões).
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A projeção da entidade máxima do futebol indica que cada um dos 211 membros vai receber 86 milhões de dólares (R$ 435,1 milhões) até 2038. O principal investidor seria uma empresa de investimentos estadunidense, criada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump – presidente dos Estados Unidos.
Executivo da Fifa renuncia e faz posicionamento duro
Carlos Cordeiro, conselheiro sênior da Fifa e ex-presidente da Federação de Futebol dos EUA, que representou a entidade máxima do futebol mundial na Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, renunciou nesta sexta-feira, 31, como protesto contra o plano da abertura do Mundial ao investimento em capital privado.
“Não posso ficar de braços cruzados enquanto a Fifa considera vender uma participação na Copa do Mundo”, disse Cordeiro, ex-banqueiro do Goldman Sachs, em comunicado no qual anunciou a renúncia ao cargo de assessor de Gianni Infantino, presidente da Fifa, e no qual convocou outros membros da alta cúpula da entidade a se manifestarem.
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Nos últimos anos, Cordeiro frequentemente acompanhava Infantino em visitas de trabalho para se encontrar com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na Casa Branca.
“Para que fique bem claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta e oponho-me a ela inequivocamente”, disse Cordeiro, ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, classificando a subsidiária comercial de 20 bilhões de dólares como “um mau negócio para o futebol”.
“O futebol tem sido fundamental na minha vida e, após mais de 35 anos no setor bancário, compreendo tanto o valor desse ativo quanto as consequências de ceder parte dele. É por isso que esta proposta deve ser rejeitada”.
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