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FALANDO EM DINHEIRO

Francisco Teloeken: “Dia dos Namorados com educação financeira”

Desde o século V, o Dia dos Namorados ou Dia de São Valentim, é comemorado na Europa e nos Estados Unidos, no dia 14 de fevereiro, a partir de  lendas e histórias difíceis de serem investigadas e comprovadas. No Brasil, a data especial só chegou no fim da década de 1940, em data diferente e por motivo nada romântico.

Em 1949, visando esquentar as vendas do mês de junho, consideradas as mais fracas do ano,  comerciantes paulistas criaram o primeiro Dia dos Namorados, no Brasil. O dia 12 de junho foi escolhido por ser véspera do dia de Santo Antônio – o santo casamenteiro -, celebrado em 13 de junho. Hoje, é um dos maiores eventos de apelo comercial. Todos interessados em transformar o Dia dos Namorados num momento inesquecível. É a dinâmica da economia de consumo que, em cada dia especial, desafia a criatividade, gerando mais rendas, lucros, impostos e – por que não? – mais momentos de felicidade.

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Nos primeiros tempos de namoro, o homem costuma assumir e pagar as despesas de restaurantes, cinemas, baladas, quando não necessidades básicas ou simples caprichos. Afinal, existe uma tradição e uma questão psicológica por trás desse comportamento. Mas, depois que a relação fica mais séria, também é hora de deixar para trás esse costume. 

O mundo já não é mais o mesmo e os relacionamentos mudaram bastante. Isso quer dizer que a figura do homem não é mais daquele que paga tudo, sempre. Não faz bem para o casal se só um dos dois, que pode ser a mulher também, paga todas as contas, mesmo porque a pessoa ficará sobrecarregada e o relacionamento pode ser visto como uma fonte de despesas e até ser repensado. A mulher conquistou seu espaço, entrou no mercado de trabalho e, agora, também pode assumir uma parte na hora do pagamento das contas.

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Um bom relacionamento é construído com transparência e honestidade. Isso não vale só para as coisas do coração; nas questões do dinheiro também. O autor Thomas J. Stanley conta em seu livro A Mente Milionária a história de um desses milionários que venceram na vida e que  justificou o rompimento de um relacionamento de mais de sete anos porque descobriu que sua amada tinha, deliberadamente, ocultada uma dívida de US$ 55 mil, nela incluídos cartões de crédito, financiamento de carro e crediário em lojas.

O milionário ficou chocado porque a namorada nunca tinha mostrado qualquer sinal de que estivesse com problemas financeiros. Pelo contrário, sempre aparentava estar bem financeiramente: tinha um emprego que pagava bem, um automóvel novo e roupas de griffe. Questionada, a namorada confessou que pretendia abrir o jogo sobre sua real situação financeira tão logo estivessem casados, acreditando que o amor do marido por ela não se importaria em pagar suas dívidas.

Pesquisa da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o SPC Brasil e Banco Central, apurou que 66% dos casais não conversam sobre o dinheiro; 21% discutem o tema apenas quando as finanças estão complicadas. O fato é que existem riscos financeiros no amor. Uma das áreas que, comprovadamente, provoca mais problemas, atritos e até rompimentos, é a financeira. Mulheres e homens são de planetas diferentes, não só em livros, filmes ou peças de teatro. Nas finanças também.

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A falta de conhecimento financeiro básico e as diferenças nas crenças sobre o dinheiro são dois dos principais fatores para a separação dos casais. A forma como as famílias de origem tratavam as questões financeiras, as primeiras experiências e o aprendizado ao longo da vida tem uma influência muito grande nas crenças pessoais sobre dinheiro de cada um. Erros e acertos podem ter ensinado muita coisa, ou não. O dinheiro não aceita desaforos.

Mesmo assim, o namoro, em geral, ainda passa longe de questões financeiras. Uma das razões, certamente, por acreditar-se que o assunto não é nada romântico e o que importa, mesmo, é o amor que um sente pelo outro. Entretanto, se serve de alerta, quando questões financeiras são postas à mesa, principalmente em namoros ou relacionamentos de mais tempo, as coisas se revelam totalmente: as diferenças aparecem e a falta de objetivos comuns faz com que cada um comece a pegar um caminho diferente, a pensar individualmente e não mais como um só.

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Assim, o Dia dos Namorados pode ser uma oportunidade especial para romper um tabu que ainda persiste: falar sobre finanças. Reinaldo Domingos, criador da DSOP Educação Financeira, PhD em educação financeira, autor de livros sobre o assunto, além de outras atividades, propõe para esse dia especial que todos os namorados:

  • conversem sobre finanças;
  • busquem educar-se financeiramente, um apoiando o outro, entendendo suas necessidades  e estabelecendo prioridades;
  • relacionem seus sonhos conjuntos de curto prazo (até um ano), de médio prazo (até 10 anos) e de longo prazo (mais de 10 anos);
  • apurem quanto esses sonhos custam, em quanto tempo querem alcançá-los e de onde vão tirar o dinheiro para a sua realização.

Algumas decisões que tomamos ao longo da vida são fundamentais para a construção de nossa tranquilidade financeira. Poucas são tão importantes quanto a escolha de parceiros, especialmente da pessoa com a qual iremos dividir nossa vida. A personalidade de cada uma e os problemas de relacionamento podem aparecer somente na hora de lidar com o dinheiro.

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Parece uma questão menor e dificilmente é discutida antes de o casal dividir o mesmo teto, quem dirá levá-la em conta. É verdade, casar ou morar juntos por dinheiro nem sempre dá certo. Mas, só por amor sempre dá? O escritor Ken Fischer diz  que “casar-se por dinheiro é uma maravilha, desde que se tenha a certeza de que é com alguém que você vai tratar bem e que vai tratá-lo bem também. O dinheiro nunca vai substituir o amor. Mas, pode ser um adendo delicioso – como crosta de açúcar em bolo”.

Então, seguindo o conselho de Liz Pullian Weston, consultora e escritora americana de finanças pessoais, “Muito menos casamentos terminariam se, no começo, as pessoas pensassem mais objetivamente sobre finanças e como iriam lidar com elas. É preciso esquecer a ideia romântica de que o amor vence tudo e passar a usar as calculadoras.” 

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