O técnico Alexandre Gallo avalia que sua saída do cargo de treinador das seleções olímpica (sub-23) e sub-20 se deve à mudança de filosofia no comando do futebol da CBF depois que Gilmar Rinaldi assumiu a coordenação e Dunga o time principal, em julho de 2014. No dia 8 de maio, a CBF anunciou a demissão de Gallo e que Dunga assumiria a seleção olímpica para os jogos do Rio-2016. Rogério Micale, ex-técnico do sub-20 do Atlético-MG, assumiu a seleção sub-20 a três dias da apresentação para o Mundial da Nova Zelândia, que começa dia 30 de maio.
“Não tenho uma versão para a saída. Primeiramente fiquei agradecido pelos dois anos de seleção, a José Maria Marin e Marco Polo Del Nero que foram pessoas generosas comigo, confiantes. Mas houve uma mudança de comando na gestão e dentro dela do pensamento do que é categoria de base”, disse Gallo ao canal SporTV. “Tínhamos com Marin a ideia de querer profissionalizar a base, dar uma cara. Hoje jogadores sub-17 ou sub-20 são profissionais e queríamos dar ênfase a esse profissionalismo. Agora, a nova gestão com Gilmar fez com que a base volte a ter uma cara de base, com pessoas que trabalhem com categoria de base. É uma mudança de mentalidade, normal de acontecer. Mas fiquei muito feliz de participar como treinador e coordenador”, completou Gallo.
Ele não acredita que a não convocação de alguns atletas para o Mundial sub-20 tenha influenciado sobre sua saída. Gallo deixou de fora Gerson, do Fluminense, e Gabriel, do Santos, que já são profissionais com destaque em seus times. Um dos motivos da saída de Gallo foi a cúpula da CBF ter achado que o treinador mentiu ao dizer que Gerson não queria ser chamado para o Mundial -o estafe do atleta, comandado pelo procurador Jorge Machado, diz que ele estava à disposição. Gallo sustentou ao SporTV que tentou falar com o atleta por telefone, para saber se ele gostaria de disputar o Mundial. E que não foi atendido.
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“Ainda não estou ficando louco. Acho o Gerson um baita jogador. A verdade é que o Gerson não quis ir para a Seleção, para o Mundial. Depois que enfrentamos a Argentina em janeiro, antes do jogo contra o Peru, o Gerson disse que tinha uma lesão e ele falou para o médico e para o fisioterapeuta que não queria mais ir para o Mundial, porque esse negócio de ficar 40 dias concentrado para ele, não tinha interesse. E que até o aniversário era em 20 de maio”, disse Gallo. “Acho que foi uma imaturidade de Gerson. Para ir para a guerra, eu só tenho uma bala. Não posso ir com um atleta que fique 40 dias com a gente insatisfeito”.
Gallo assumiu a coordenação da base da CBF em janeiro de 2013, e acumulava as funções de técnico do time olímpico e sub-20. Em fevereiro, Erasmo Damiani, executivo que trabalhava na base do Palmeiras, assumiu a coordenação do setor na CBF, e Gallo ficou apenas como treinador. A CBF já havia definido que Gallo sairia logo depois do Mundial sub-20, mas resolveu antecipar também temendo que um título na Nova Zelândia dificultasse explicar uma demissão.
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