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FALANDO EM DINHEIRO

Gastar dinheiro é gostoso

No dia a dia, existem pequenas satisfações das quais, muitas vezes, não nos damos conta e muito menos as compreendemos. Uma delas, certamente, é gastar dinheiro. Depois de um dia chato, ir ao shopping e, ao entrar numa loja preferida, sair de lá com a compra de um item que fazia parte de um sonho de consumo pode ser muito prazeroso. Um comercial de televisão já lembrava que “algumas coisas não tem preço; para outras, existe cartão de crédito”.

Para muita gente, talvez a maioria, comprar e gastar dinheiro é muito gostoso. Mas, existem duas condições iniciais para isso: ter o dinheiro em espécie para gastar ou o crédito em cartões. Como dizia um político, “as consequências vem depois”.

Por que é gostoso gastar dinheiro? Um levantamento do site Gizmodo, realizado com psicólogos comportamentais, listou quatro motivos principais que tornam o gastar dinheiro muito prazeroso:

  1. Satisfação pessoal;
  2. Sensação de poder;
  3. Recompensa imediata;
  4. Recuperar o humor: após um dia ou uma situação estressante.

Os psicólogos constataram, também, que “gastar dinheiro” não precisa estar necessariamente associado a comprar algo. Muitas pessoas se sentem felizes e satisfeitas em fazer boas ações, como a doação e caridade. A recompensa dessas pessoas não são objetos físicos, mas o sentimento de ajudar alguém.
É claro que o gosto para gastar dinheiro pode transformar o consumidor num comprador impulsivo ou, pior ainda, compulsivo. Um estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas constatou que 44% das compras realizadas pela internet são feitas por impulso. Os dados foram divulgados pelo Serasa, em dezembro de 2021, mostrando que as compras não planejadas podem acabar num grande problema quando se tornam um hábito. O Serasa recomenda que o consumidor, antes de realizar uma compra, se faça algumas perguntas:

  • 1ª – Qual o sentimento após a compra? É de culpa, arrependimento ou de dúvida se deveria ter efetuada a compra?
  • 2ª – Sente tristeza e decepção? Ou fica tranquilo porque sabe que adquiriu algo que realmente precisava, de forma consciente, após pesquisar e sabendo que aquilo não irá atrapalhar seu orçamento?
  • 3ª – Quando se depara com uma promoção, como se sente? Pensa que pode perder aquela oportunidade e compra imediatamente, sem pensar? Ou avalia se realmente é importante concretizar esta compra naquele momento?

Por isso, mesmo sendo gostoso gastar dinheiro, pelos motivos expostos acima ou por outro, é necessário ter algum planejamento, a não ser que o consumidor disponha de recursos financeiros que lhe permitem não preocupar-se com isso. Para a maior parte da população, entretanto, vale observar três passos básicos:

  • 1º – Começar com um planejamento de gastos:
    • Realizar um diagnóstico financeiro, anotando, durante 30 dias (se tiver renda fixa) ou 90 dias (se a renda for variável), todas as receitas e despesas;
    • Elaborar um orçamento doméstico, levando em conta a renda, os gastos, o que pode ser reduzido, substituído ou eliminado;
    • Ter metas e objetivos claros para os quais pretende usar seu dinheiro;
    • Pagar-se primeiro: antes de efetuar qualquer pagamento de despesas, priorizar os valores previstos para cada um dos objetivos e metas.
  • 2º – Evitar compras quando estiver eufórico ou abalado emocionalmente: mesmo que, nesses momentos, gastar dinheiro traga uma felicidade instantânea, as consequências podem ser problemas financeiros;
  • 3° – Se desejar fazer uma compra, planejar antes: pesquisar a qualidade do produto, preço e promoções; verificar disponibilidade financeira para pagar à vista ou no crédito.

Mesmo para pessoas “mão de vaca”, gastar dinheiro é inevitável e para a maioria pode ser muito gostoso, mas, também, gerar mais problemas do que a simples satisfação momentânea. Muitas das dificuldades financeiras, enfrentadas por milhões de brasileiros, são decorrentes de compras e contratações realizadas por simples prazer. Para evitar sufocos e ter que recorrer a empréstimos, um dos quais é o fácil e caro cheque especial, é imprescindível dar atenção à organização e ao planejamento financeiro.

A educação financeira vai ajudar nisso porque, muito além de técnicas – saber fazer algumas contas, pesquisar produtos, cotar preços, elaborar um orçamento, anotar receitas e pagamentos, preencher planilhas, conhecer produtos financeiros e estratégias de investimentos, etc – ela é uma ciência comportamental porque lida com propósitos e sonhos. As pessoas não se dão conta que o descontrole financeiro tem origem em maus hábitos e comportamentos, provocados pelo desequilíbrio entre o “ser” e o “ter”. Muitas vezes, as pessoas não são o que aparentam ou ostentam. Isso é que precisa ser corrigido. Existem inúmeras iniciativas no país, privadas e públicas, que se propõem a ensinar educação financeira. Uma delas é a DSOP Educação Financeira, de São Paulo, presente em todos os Estados do Brasil e até em outros países.

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