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MÚSICA

Gazeta foi conferir: show de Erasmo Carlos em Porto Alegre

Foto: Douglas Fischer

Depois de dois anos longe dos palcos, em virtude da interrupção nas atividades artísticas e culturais ao longo dos meses mais duramente marcados pela pandemia, eis que o tremendão Erasmo Carlos está de volta aos shows. E optou por começar a nova turnê justamente por Porto Alegre, onde se apresentou no último sábado, dia 27, para uma entusiasmada plateia que o recepcionou, ovacionou e aplaudiu no Auditório Araújo Viana.

Da altura de seus 80 anos, completados no dia 5 de junho, repassou alguns dos maiores hits da história da MPB, composições de sua própria autoria e outras da afinadíssima parceria com o amigo mais do que especial, o Rei Roberto Carlos. O show “O Futuro Pertence à Jovem Guarda” já sinaliza no próprio título para a preocupação de salientar a relevância do movimento musical do qual fez parte e ajudou a estruturar, desde os anos de 1960. Mas, mais do que isso, como enfatizou durante sua apresentação, a “jovem guarda” à qual se refere é também a geração nova dos dias atuais, a que merece “carinho, atenção e educação para que possa construir um mundo melhor, mais justo, mais humano e com mais amor, coisa que, pelo visto, nós não estamos sendo capazes de fazer”.

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Visivelmente ansioso ele próprio pela volta e pelo contato com o público, depois de tantos meses longe dos shows, acompanhado de sua eficiente e competente banda, Erasmo subiu ao palco cerca de 15 minutos depois das 21 horas, horário marcado para o início. E atacou com O Bom, canção de Eduardo Araújo, marcada pelo refrão “Ele é o bom, é o bom, é o bom”. Logo explicou que costumeiramente muitos fãs o abordam com elogios por essa canção, que, no entanto, nunca gravou e sequer é de sua autoria. “Então decidi incorporar ela ao meu show e até abrir a apresentação com ela”, brincou, para delírio da plateia. Na sequência, sim, emendou sucesso após sucesso de sua lavra, de Gatinha Manhosa a Festa de Arromba, Vem Quente que Eu estou Fervendo e Quero que Vá Tudo pro Inferno.

Um aspecto de pronto encantador no retorno do Tremendão aos shows é a sobriedade e a eficiência do aparato adotado. Nada de grande parafernália de luz e som, apenas o suficiente e ideal para salientar e emoldurar um currículo que se basta. Na banda, Maestro José Lourenço nos teclados, Luiz Lopes no violão, guitarra e vocal, Pedro Dias no baixo e vocal, Billy Brandão na guitarra e Rike Frainer na bateria. Tudo com a maior segurança e com o virtuosismo para a voz de Erasmo. Que até não estava lá tão segura e firme logo de início, algo que ele inclusive advertiu. A ansiedade pela volta, a necessidade de reassumir a desenvoltura diante da plateia depois de tantos meses tendo de ficar em casa, tudo era uma experiência de reinício. Nesse meio-tempo, como explicou, ele também contraiu a Covid-19, mesmo após ter tomado as duas doses da vacina, e chegou a ser hospitalizado, para um melhor acompanhamento de seu quadro clínico, uma vez que, além da idade, apresentava comorbidades.

No entanto, na medida em que foi “aquecendo” a voz, desinibiu-se e encerrou o show já com muita naturalidade. Foi uma hora e meia de um desfile de canções que, no conjunto, narram uma das passagens mais lindas e bem-sucedidas da história da música brasileira, do iê-iê-iê ao rock’n roll e a alguns dos mais belos versos do romantismo. Afinal, o Tremendão assinou cerca de 500 composições, gravadas por ele ou por dezenas de outros artistas.

Só a fama

Para quem quiser conhecer mais e melhor a história e a contribuição de Erasmo Carlos para a música e a cultura brasileiras, a sua autobiografia Minha fama de mau, de 2009 (Objetiva, 360 páginas, R$ 64,90) é leitura fundamental. Com o seu tom espontâneo e extrovertido, rememora passagens marcantes de sua caminhada, da infância no subúrbio carioca, onde nasceu, passando pela adolescência e pela convivência com um grupo que, logo adiante, viria a alterar e marcar para sempre a história brasileira. Da turma de sua rua ou de seu bairro faziam parte Tim Maia, Jorge Ben Jor, Roberto Carlos (claro!), Wanderléa, Carlos Imperial, Wilson Simonal e, mais adiante, Agnaldo Timóteo, Caetano, Gil, Chico e tantos, tantos outros.

Filho de pai baiano, que só foi conhecer já com mais de 20 anos e sempre imaginou que estava morto (em família nunca revelavam a sua ascendência), cresceu ao lado da mãe, pela qual manifesta uma admiração profunda, dona Maria Diva Esteves. Quando já convivia com Roberto Carlos, adotou também o “Carlos” como segundo nome artístico, em lugar do Esteves de batismo, e ainda em homenagem a Carlos Imperial, um de seus mentores artísticos.

Saindo “do nada” para uma gradativa construção de carreira como compositor e cantor, Erasmo é o que se pode chamar de “self-made-man”, um cara que se fez ou se construiu sozinho, e que nunca abriu mão ou renegou suas origens, muito pelo contrário. Talvez por isso, e apesar das adversidades ou dos percalços, transmite uma imagem de tão forte autenticidade. Casou-se com a gaúcha Sandra Sayonara Saião Lobato Esteves, a Narinha, sua musa, que faleceu em 1995, e com ela teve Gil (de um relacionamento anterior de Narinha), Alexandre (falecido) e Leonardo. Agora, aos 80 anos, já é bisavô.

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