Em cartaz nos cinemas de Santa Cruz do Sul, Mestres do Universo era um projeto fadado ao fracasso. Desde 1987, quando a primeira versão produzida pela infame Cannon (aquela cujos filmes “explodem feito dinamite”) com Dolph Lundgren no papel principal chegou aos cinemas, inúmeras tentativas de levar He-Man e Esqueleto foram anunciadas, mas nenhuma avançou.
Porém, o diretor Travis Knight conseguiu quebrar a maldição e proporcionar a adaptação que os fãs do desenho tanto esperavam. Na nova versão, Adam, o príncipe de Etérnia, é transportado para a Terra após um ataque do Esqueleto ao Castelo de Grayskull. Entretanto, na fuga, acaba perdendo a Espada do Poder, a única coisa capaz de transportá-lo para seu planeta natal. Passados 15 anos, ele finalmente a recupera e volta para defender o reino contra as forças do Esqueleto, que quer a Espada a qualquer custo.
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O segredo de Mestres do Universo está no equilíbrio quase perfeito entre a comédia e o drama. Mais do que isso, o filme (e os personagens) tem plena consciência da sua história boba e absurda e do visual brega e colorido, e assume isso sem vergonha. Não tenta soar sério ou realista, muito menos ridicularizar, mas entra no clima e entrega muitas risadas e diversão.
Knight poderia apenas entregar um filme genérico de uma fantasia de aventura espacial, no estilo Guardiões da Galáxia ou Thor. No entanto, o diretor se esforça para aproveitar o potencial de cada personagem nas lutas, sobretudo quando é He-Man quem aparece na tela, com cenas de ação memoráveis. O coração (e os músculos) do filme está em Nicholas Galitzine, que entendeu a essência dos dois personagens. Como Adam, ele é ingênuo, atrapalhado, frágil e perdido. Ao virar He-Man, ele assume de maneira convincente a poderosa persona de Campeão de Grayskull.
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Divertido e despretensioso, Mestres do Universo é um alento numa fase tão crítica do cinema fantástico norte-americano. Há falhas pontuais, especialmente os personagens feitos digitalmente em contraste com aqueles feitos com maquiagem. Ainda assim, Travis Knight parece ter encontrado a combinação perfeita entre humor, fantasia, aventura e nostalgia, para a velha e a nova geração sair da sala gritando: EU TENHO A FORÇA!
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