O desenhista, autor, editor e livreiro santa-cruzense Gil Kipper completa 71 anos na segunda-feira, dia 24. Pode-se dizer que o presente de 2026 ele já ganhou com alguma antecedência: foi o anúncio, no início de julho, de que é o escritor homenageado da 36ª Feira do Livro e da 2ª Festa Literária Internacional de Santa Cruz do Sul, que vão ocorrer entre os dias 6 e 15 de novembro, na Praça Getúlio Vargas, na área central da cidade, em realização do Sesc/RS e da Prefeitura de Santa Cruz, com patrocínio de Corsan e Unisc.
Na prática, Gil é um dos mais assíduos frequentadores e apoiadores desse evento, ao qual, ano a ano, comparece com sua banca, identificada como sua editora, a Zum. Desse modo, destacar Kipper é também reconhecer sua contribuição regular, anual, com o incentivo à leitura e à comercialização de livros. Além disso, ele comparece a inúmeras outras feiras e a eventos em diferentes cidades gaúchas, oportunidades em que divulga os autores regionais.
A homenagem a Gil coincide, por outro lado, com um momento muito especial em sua carreira criativa, com a recente e prolífica produção literária. Em abril, ainda antes da divulgação feita pela Feira do Livro, havia lançado um novo gibi, p&b, Conflito na selva, em que retorna a um de seus gêneros tradicionais, inspirado nos clássicos quadrinhos.
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Agora, está com novo livro direcionado ao público infantojuvenil chegando às livrarias: é Vultos na floresta: mistério e aventura, sob o selo de sua editora, a Zum, em 48 páginas, a R$ 30,00. A obra pode ser encontrada em livrarias da região, bem como com o próprio autor.
No enredo, vários personagens que ele próprio criou, e que já protagonizaram muitas peripécias, acompanham Jorge, professor de educação física da escola que frequentam, em um final de semana na Serra Gaúcha. Keko, junto do seu fiel cãozinho Lupi, e os inseparáveis amigos Eliaser, Jacson e Beti vivenciam momentos muito aprazíveis de contato com a natureza no camping Paraíso.
Entre a rotina de montar a barraca, acender a fogueira, preparar a refeição e ainda tomar um banho de rio, a certa altura estranham vultos que pressentem no meio da vegetação. Acabarão por ter contato muito mais próximo do que poderiam imaginar com habitantes desse mundo natural, e com uma descoberta digna de estarrecer.
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VULTOS NA FLORESTA: mistérios e aventura em Gramado, de Gil Kipper. Santa Cruz do Sul: Zum, 2026. 48 p. R$ 30,00.
Além desse lançamento, Gil Kipper prepara mais novidades para apresentar ao público em novembro. Uma delas é outra publicação infantojuvenil que estende novo convite a prestigiar a natureza, desta vez na realidade urbana de Santa Cruz do Sul. Essa nova incursão de seus jovens personagens é para um passeio no parque da Gruta dos Índios, ponto turístico regional. Vem aí, portanto, uma Feira do Livro em que não apenas Gil será cumprimentado pelos leitores, como estes poderão levar seus novos livros junto consigo, para casa.

O desenhista e ilustrador por ele mesmo
O Magazine desafiou o desenhista e ilustrador Gil Kipper a elaborar um autorretrato para ilustrar a capa desta edição. Ele prontamente atendeu ao convite, e se colocou na tela, como pode ser visto ao lado. Na verdade, como o leitor pode perceber, o personagem Gil é que se encarrega de idealizar a fotografia em preto e branco do Gil verdadeiro, homenageado da Feira do Livro. Tudo sendo atentamente acompanhado por um pássaro, acomodado sobre o cavalete no qual o artista desenvolve sua obra.
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A relação de Gil com a Gazeta do Sul é longa e histórica. Foi pelas páginas do jornal que ele compartilhou ao longo de anos suas criações, e entre elas esteve inclusive o suplemento Gazetinha, com leituras e atividades lúdicas que ele elaborava para os pequenos leitores. Mesmo que depois o caderno Gazetinha não mais viesse a circular, Gil nunca perdeu contato regular com o jornal.
“Acho que nasci com essa missão pré-determinada”
“Esta jornada não para aqui. Muitas produções virão por aí, agora com mais vontade e responsabilidade”, resume o escritor, desenhista, editor e livreiro Gil Kipper, manifestando seu sentimento por ter sido escolhido como escritor homenageado da 36ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul. Como ele próprio enfatiza, em entrevista ao Maganize, é a culminância de uma longa trajetória de envolvimento com o universo livreiro, em encontros literários nas mais diversas cidades gaúchas.
Em relação ao principal evento literário de sua terra natal, ele foi um dos entusiastas, ainda no começo da década de 1990, para que fosse realizado ao ar livre, na Praça Getúlio Vargas. E mais: para que adotasse um perfil mais profissional, com bancas uniformes, que favorecessem aos livreiros expor obras, para que fossem conferidas pelo público.
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O curioso é que Gil (ou Gilberto José Kipper, seu nome completo) nasceu, em 1955, bem próximo da praça, na área central da cidade. Seus pais residiam na Rua Marechal Deodoro, 714, na lateral da Catedral São João Batista, que, portanto, ficava na vizinhança, e no horizonte do olhar. Em novembro, durante a Feira do Livro, ele voltará a essa região para ser homenageado, depois de quatro décadas de envolvimento e dedicação à arte e à literatura, em especial.
Além de ter crescido nesse ambiente urbano, a família visitava com frequência a chácara que mantinham no Bairro Santo Inácio, a antiga Verena, então ainda subúrbio. De casa, na Marechal Deodoro, Gil seguia até o Colégio São Luís, na Rua Marechal Floriano, e novamente ao lado da praça. Ali fez o primário e o ginásio, até os 16 anos. Depois, estudou ainda dois anos na escola Goiás.
Aos 21 anos, em 1976, mudou-se para Porto Alegre, onde ficou por uma década, atuando em agências de publicidade. Quando enfim retornou a Santa Cruz, investiu na carreira de desenhista, escritor e editor, criando a Zum Editora, em 1992, numa carreira que agora é homenageada.
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Gil Kipper: “Sempre fui muito ligado à natureza e ela sempre me inspirou” | Foto: Rodrigo Assmann/Banco de Imagens
Entrevista
Gil Kipper
Desenhista e editor, escritor homenageado da 36ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul
- Gazeta do Sul – O que representa para ti seres o escritor homenageado da Feira do Livro de tua terra natal, em 2026? Como acolhes essa condição? Sempre é uma surpresa quando surge um reconhecimento sobre meu trabalho, em especial como agora, por parte da 36ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, pela qual tenho tanto carinho e tanta dedicação em quase todas as suas edições. Um evento que vi nascer, se desenvolver e atingir o estágio de hoje, graças à astúcia e à dedicação por parte de seus organizadores, sendo considerada entre as cinco melhores do Estado.
Quando fui convidado para uma reunião-surpresa na Secretaria da Cultura, imaginei inúmeras coisas, mas jamais a real motivação. Porém, a condição de ser o escritor homenageado vejo como missão cumprida de um trabalho dedicado à literatura infantojuvenil por mais de quatro décadas. Esta jornada não para aqui. Muitas produções virão por aí, agora com mais vontade e responsabilidade.
- Tens uma longa trajetória em especial como desenhista, mas logo também como roteirista, escritor e editor. Como todas essas habilidades surgiram e se constituíram, para ti? Acho que nasci com essa missão pré-determinada, já no período pré-escolar, quando criava e desenhava pequenas histórias, influenciado pelos gibis em quadrinhos e pelo primeiro livro que li, chamado Meu pé de laranja lima, do autor consagrado José Mauro de Vasconcelos. O desenho e a escrita sempre andaram juntos, mesmo na escola, o que chamava a atenção dos professores e dos alunos. Era minha diversão favorita, até surgirem os primeiros personagens, em 1970.
- Na segunda-feira chegas aos 71 anos. E estás comemorando em viagem, isso? Sim. Estarei no Rio de Janeiro, visitando amigos roteiristas de HQ, além de livrarias, como a Livraria da Travessa, em Ipanema, e a Livraria Letra Viva, no centro, com o propósito de divulgar minhas últimas obras. Além dos encantos naturais, o Rio de Janeiro tem muito a oferecer no âmbito cultural e artístico.
- Aliás, viagens têm sido uma constante em tua rotina, como editor e livreiro. Como avalias o atual mercado ou o cenário para o comércio de livros? É um segmento em retomada ou aquecido? O mercado editorial tem muitos segmentos no aspecto comercial ou promocional. A literatura está se dividindo entre edições físicas e virtuais. Porém, no meu modo de ver, o livro físico sempre estará no topo das preferências dos leitores. Assim sendo, jamais as livrarias e as feiras do livro perderão seu espaço. O custo de produção do livro físico é disparado mais caro do que o virtual, mas a comparação não se justifica.
Como livreiro, editor e escritor, tenho viajado muito, levando minhas obras para escolas, eventos e livrarias.
A função mais prazerosa de um autor é o momento de autografar seu livro diante de seu leitor. Assim, tenho vendido rapidamente minhas edições.
- Estás com novo livro de viés infantojuvenil, Vultos na floresta, sendo lançado. Tens na temática ambiental assunto recorrente em tua produção. Por quê? Como se estabeleceu essa tua vertente autoral? Sempre fui muito ligado à natureza e ela sempre me inspirou. Já editei várias obras com essa temática, por ela ser sempre atual, oferecendo recursos para os roteiristas criarem aventuras e ilustrações belíssimas.
Outro aspecto que valorizo é a identificação dos ambientes regionais reais. Vultos na floresta é ambientado na Serra Gaúcha, mais especificamente no interior do município de Gramado. A próxima edição, Segredos da Gruta, é ambientada no Parque da Gruta, em Santa Cruz do Sul.
- Essa obra que mencionas, em finalização, adota como espaço literário a Gruta dos Índios, em Santa Cruz. É uma forma de popularizar mais tais espaços turísticos e de contato com a natureza? Eu diria que seria uma identificação por parte dos leitores locais. Quase todos conhecem o Parque da Gruta, também conhecido como “Gruta dos Índios”. O tema provoca a expectativa de identificar ambientes, onde personagens de ficção estariam vivenciando suas aventuras, revelando situações que só a imaginação pode criar. Para o público de outros municípios, fica o convite para conhecer o local tema da obra.
- Quais são, em teu entender, os grandes desafios que a produção literária para crianças e jovens apresenta? Como convencê-los, cada vez mais, sobre a importância da leitura? O desafio é do próprio autor, elaborando suas obras pelo ponto de vista do leitor, oferecendo conteúdos de seu agrado e compreensão. O contato presencial com seu público jovem, mesmo de forma virtual, é fundamental para que o leitor valorize e tenha interesse pela obra.
O editor ou o autor que apenas deposita seus livros nas estantes das livrarias tem poucas chances de sucesso.
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