O homem de 77 anos preso no sábado, 22, por suspeita de estupro de vulnerável contra a neta de 3 anos havia sido acolhido pela família depois de passar um período vivendo nas ruas. Segundo a delegada Ana Luísa Aita Pippi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o idoso estava sem residência e com a saúde muito debilitada quando recebeu abrigo dos familiares.
Inicialmente, a família não queria acolher o homem, explica a delegada, mas acabou oferecendo um lugar para que ele pudesse permanecer diante da situação de vulnerabilidade em que se encontrava. A decisão foi tomada como gesto de solidariedade, sem que os familiares imaginassem que ele pudesse voltar a cometer um crime semelhante ao praticado no passado.
O histórico, contudo, existia. O idoso já havia sido investigado e condenado por estupro da filha. O inquérito foi instaurado em 2012 e o processo transitou em julgado em 8 de julho de 2014. Ele cumpriu seis anos de pena pelo crime.
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Foi após ser acolhido pela família que, segundo a investigação, ele teria cometido o novo abuso. A vítima, uma menina de 3 anos, relatou o que havia acontecido a uma tia. Os pais foram imediatamente comunicados e procuraram a Polícia Civil.
Durante a investigação, a criança também verbalizou o caso a uma psicóloga da DPCA. A partir dos elementos reunidos, a delegada representou pela prisão preventiva do suspeito, que foi deferida pela Justiça.
Após o crime, o homem fugiu e passou a perambular pelas ruas. Ele foi encontrado em uma praça e preso pelos agentes da Polícia Civil no sábado. A partir da prisão, a DPCA tem prazo de dez dias para concluir o inquérito.
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Qualquer informação que possa levar à identificação da vítima não será divulgada, como o nome do avô, por exemplo.

Delegada Ana Luísa Aita Pippi: familiares da menina procuraram imediatamente as autoridades | Foto: Luana Backes
Muitos casos não são denunciados
A preocupação da Polícia Civil vai além dos casos que chegam às delegacias. Segundo Ana Luísa, semanalmente a DPCA recebe ocorrências graves envolvendo crianças e adolescentes, mas muitos episódios ainda permanecem fora das estatísticas.
Há vítimas que não contam o que aconteceu por medo de não serem acreditadas ou de não encontrarem acolhimento. Também existem situações em que familiares, mesmo diante de um relato, optam por não procurar a polícia. Para a delegada, essa omissão pode favorecer a continuidade dos crimes, já que o suspeito permanece em liberdade e pode voltar a fazer outras vítimas.
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Outro fator é que algumas nem sequer compreendem, no momento em que a violência acontece, que foram vítimas de abuso. A percepção pode surgir somente anos mais tarde ou, em alguns casos, nunca ocorrer.
Ação da família
Para a delegada Ana Luísa, os familiares da menina fizeram o que era necessário ao procurar imediatamente as autoridades depois que tiveram conhecimento do relato da criança.
O caso também evidencia uma das principais dificuldades das forças de segurança no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes: os autores, em muitos casos, estão inseridos em relações de confiança ou proximidade com as vítimas.
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Segundo a delegada, a grande maioria dos casos de abuso sexual que chegam à DPCA – desconsideradas as ocorrências virtuais – envolve alguém próximo da vítima, integrando até mesmo o círculo familiar. Ela explica que predadores sexuais tendem a buscar vítimas em situação de maior vulnerabilidade. Por isso, destaca a importância de que crianças sejam ouvidas e tenham um ambiente seguro para informar qualquer situação que provoque desconforto ou medo.
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