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Instituto Crescer Legal apresenta resultados em reunião da ITGA

Neste ano, com a pandemia, os aprendizes recebem atividades para realizar em casa

O Programa de Aprendizagem Profissional Rural do Instituto Crescer Legal foi um dos assuntos tratados durante a reunião anual da International Tobacco Grower’s Association (ITGA), realizada nessa terça-feira, 24, de forma virtual. A gerente do Instituto, Nádia Fengler Solf, apresentou aos participantes os resultados do inovador método, que transforma projetos de vida dos jovens rurais no Sul do Brasil ao mesmo tempo em que combate o trabalho infantil.

“O Instituto é resultado do esforço do setor no combate ao trabalho infantil. Ele tem como objetivo oferecer alternativas, especialmente para filhos de produtores de tabaco, bem como ferramentas para implementar a sucessão rural se esse for o desejo do jovem”, ressalta Nádia. “Os adolescentes envolvidos, que têm entre 14 e 17 anos, são contratados como jovens aprendizes. Com esse formato, eles recebem uma remuneração mensal sem realizar atividades na indústria e no campo, mas participam de um curso de formação sobre gestão rural e empreendedorismo no contra-turno escolar”, relatou.


Segundo Nádia, o Instituto Crescer Legal já envolveu aproximadamente 500 jovens em suas atividades desde a fundação, em 2015. “O índice de conclusão do curso no último ano foi de 94%. Esse é um indicador que nos anima, uma vez que é muito superior ao índice brasileiro, estimado em 68%, e de alguns países europeus, como a Alemanha, que tem o índice de 75%”, destacou a gerente.

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Nádia: combate ao trabalho infantil

Importância do tabaco em pauta na reunião

A relevância do tabaco para a economia de vários países e as formas sustentáveis de produção também estiveram em pauta na reunião online da ITGA. O presidente da entidade, Abiel Kalima Banda, disse que os produtores continuam engajados em desenvolver uma produção sustentável. “O compromisso deve ser firme e aceito por todos os envolvidos. A solução precisa ser conjunta e viável. Além disso, não podemos adiar mais a discussão sobre diversificação e alternativas.”

O ministro da Agricultura do Malawi, Robin Lowe, falou com preocupação sobre o futuro do setor. “No Malawi, a produção de tabaco contribui com até 60% das divisas de todo o país. Tratar do futuro do setor é iminente para evitar efeitos econômicos drásticos não apenas no Malawi, mas em todos os países onde a cadeia produtiva está presente.”

Lowe: tabaco em até 60% das divisas


“Onde o tabaco continua sendo plantado, ele certamente é importante para a economia”, complementou Antonio Abrunhosa, diretor-executivo da ITGA. “No Brasil, ele é muito importante para os estados do Sul. Assim, nosso papel é defender os produtores, mas também o mercado, uma vez que os produtores precisam vender o seu produto. A regulação é o que tem impactado nosso negócio e precisamos estar atentos. Atualmente, o tabaco está dependente das decisões da Convenção-Quadro”, disse.

As perspectivas do setor em tempos de pandemia e o panorama do mercado mundial foram temas de apresentações de Ivan Genov, especialista da indústria do tabaco, e Shane Macguill, chefe de pesquisas sobre tabaco da Euromonitor International. Segundo os dados apresentados, o Brasil continua no topo das exportações mundiais de tabaco e com grande distância comparativamente – mais que o dobro do próximos países exportadores.

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Abrunhosa: defesa também do mercado


O encontro anual da ITGA reuniu porta-vozes do setor de diferentes países. O vice-presidente da Universal Leaf Tabacos, Lea Scott, por exemplo, falou sobre a diversificação da propriedade como uma importante ferramenta para a sustentabilidade. Gary Foote, da Alliance One, falou sobre agentes de proteção de cultivos e como o uso apropriado pode aumentar a produtividade e evitar prejuízos. Tratou das orientações relacionadas à saúde e segurança do produtor.

Vuk Pribic, diretor da JTI, citou uma série de novas regulações que devem ser implementadas em breve na comunidade europeia. “Precisamos estar juntos com os governos e com outros elos da nossa cadeia produtiva”, frisou. E Carlos Palma, gerente da BAT, falou sobre o centenário sistema de produção integrada, introduzido pela empresa. “Temos uma longa história de produção integrada e de relacionamento com os produtores, e isso nos auxilia a levar as melhores práticas agrícolas ao campo.”

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