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IDEIAS E BATE-PAPO

Jasper: “É lamentável o que se lê e ouve nestes dias sombrios em veículos da mídia atual”

Sou jornalista há quase 50 anos. Na verdade, me considero “repórter há quase meio século”. Comecei na profissão por volta dos 16 anos, de maneira informal. Mais tarde cursei Comunicação Social, habilitação Jornalismo, na Unisinos, em São Leopoldo. No ano da formatura atuava na nossa Gazeta do Sul, experiência inesquecível guardada no coração.

Sempre nutri profundo orgulho pela profissão que abracei e que acredito ser uma vocação. Talvez como presente pelo devotamento de tanto tempo, meu filho tornou-se profissional da área. Ele atua há anos em Brasília, onde cumpre diversas funções, algumas que eu sequer arrisco experimentar e que, confesso, desconheço totalmente.

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Apesar do júbilo por minha escolha, admito que jamais senti tanta vergonha por tantos colegas que rasgaram o compromisso de fazer jornalismo com imparcialidade e isenção. É lamentável o que se lê e ouve nestes dias sombrios em veículos da mídia atual. Tamanho engajamento político-ideológico é inadmissível, incompreensível, imperdoável.

Chegamos ao disparate de ver o público escolher o canal/jornal/rádio e TV/site conforme suas conveniências e predileções partidárias. Ou, pior ainda: de acordo com o ódio nutrido pelo veículo contra determinado político ou partido. Para piorar, a batalha das redes sociais turbina ódios e ressentimentos que só aumentam.

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É difícil encontrar coerência e serenidade em comentários ou editoriais – espaço destinado à opinião da empresa proprietária do veículo de comunicação. Antigamente eram setores nobres para a publicação de reflexões e de análise, isenta e técnica, capaz de formar opinião.

Atualmente as reportagens (ou matérias) quase sempre carecem de contraponto, ou seja, da opinião de quem é acusado ou indicado como responsável por um escândalo ou alvo de denúncia. E quando isso acontece, o espaço destinado é minúsculo, onde é impossível um raciocínio lógico.

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Impressiona, na mesma medida, o fato de que a partidarização da imprensa envolve profissionais de larga folha de serviços prestados. Guardo, em pastas de papelão, recortes de jornais amarelados contendo reportagens históricas e comentários de analistas que, com o tempo, se mostraram como previsões certeiras ao longo do tempo em nosso país.

Ouvir várias fontes, checar dados, conferir números e cifras e dar espaço para o contraditório antes da publicação são ensinamentos perenes. Preceitos que aprendi na faculdade e redações por décadas. A imprensa foi instrumento fundamental para a redemocratização do país, ao lado da política. Ambas, no entanto, se perverteram, perdendo credibilidade e o respeito do público que pede elementos informativos. Para que ele mesmo faça seu julgamento. Sem manipulações.

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