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ELEIÇÕES 2026

Juliana Brizola defende programas para reduzir filas na saúde

Deputada estadual em três mandatos e vereadora de Porto Alegre, Juliana Brizola (PDT) disputa o Palácio Piratini liderando chapa integrada por PDT, PSB e Avante e as federações Brasil da Esperança – FE Brasil (PT, PCdoB e PV) e PSol Rede. Em suas falas ao público tem defendido a adoção de programas como o Pró-Hospitais e a melhora do SUS Gaúcho, como formas de reduzir as filas à espera de atendimento na saúde.

Sobre o primeiro, explica que é uma forma de o empresário doar até 5% do que pagaria em ICMS para santas casas e hospitais filantrópicos. “Isso pode injetar até R$ 1 bilhão na nossa saúde e vai direto para o combate às filas”, ressalta. Quanto ao reforço nos valores pagos pelos procedimentos do SUS, afirma que deve manter e ajustar ao modelo do SUS Paulista, que teria zerado as filas. Juliana também aponta a necessidade de reconhecimento à cadeia produtiva do tabaco, por envolver grande número de produtores e pelo peso na economia gaúcha.

Entrevista – Juliana Brizola, candidata ao governo do Estado

  • Gazeta do Sul – O que a levou a concorrer ao governo do Estado? Na verdade, foram as pesquisas que começaram desde o ano passado. No primeiro momento, até achei que aquilo ainda era um recall aqui de Porto Alegre, muita gente também pensava isso, mas as coisas foram tomando outra proporção. As pesquisas seguiram e nós mantivemos, e isso vem acontecendo até agora. Ou estamos em primeiro ou em segundo, ou empatado. Foi a pesquisa, a viabilidade eleitoral. E, claro, venho me preparando para esse momento há bastante tempo.
    Então, eu encaro isso como um grande desafio, com muita responsabilidade, mas também como uma grande oportunidade, da tentar fazer com que o Rio Grande do Sul volte a crescer economicamente e tenha mais protagonismo político, sobretudo em Brasília, mais articulação para que possamos trazer tudo aquilo a que o Rio Grande do Sul tem direito. Quando nós olhamos para o Nordeste vemos uma articulação tremenda dos políticos, fazendo com que muitos projetos e programas cheguem até lá, enquanto aqui nós ficamos de mão abanando.

 

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  • Como a senhora vê a cadeia produtiva do tabaco e imagina que a agricultura familiar de pequeno porte possa ser incentivada? A agricultura familiar é a nossa grande força. Cerca de 80% do alimento que chega à mesa dos gaúchos vem da agricultura familiar. Na verdade, o tabaco não envolve só quem planta. É uma cadeia que movimenta produtores, transportadores, trabalhadores, enfim, indústria e comércio. No Rio Grande do Sul, são mais de 66 mil famílias produtoras que têm nessa atividade uma forma de renda.
    Então, defender o produtor e a produção tem que ser prioridade. Hoje o Rio Grande do Sul é o maior produtor de tabaco em folha. O Estado precisa ter uma posição ativa na defesa dos interesses dessas famílias e da cadeia produtiva. Inclusive, voltando a essa palavra que tenho usado muito, no diálogo com o governo federal e nas discussões nacionais e internacionais que tenham impacto sobre o setor, a questão dos preços e tudo mais.
    Agora tivemos esse tarifaço, com 70% das exportações do agro gaúcho sendo atingidas, e o tabaco está entre os setores. Por isso é tão importante o governo do Estado mostrar ativismo político e trabalhar junto à União. E trabalharmos como um país para defender os produtores rurais e as entidades representativas do setor, para que possam preservar mercados.
    Precisamos de segurança para o nosso produtor diante, por exemplo, dos eventos climáticos. Acredito que quem produz tabaco também enfrenta o mesmo problema que hoje ameaça a agricultura gaúcha, porque além das enchentes, também temos alguns períodos de secas, esses eventos extremos.
    Precisamos ter uma política permanente de Estado para irrigação, reservação de água, manejo e conservação do solo, assistência técnica, prevenção e instrumentos de proteção e recuperação da produção. A nossa agricultura é o que move a economia, e o Estado não pode ser um entrave. O Estado precisa estar ao lado.

 

  • Como a senhora pretende atuar para minimizar os impactos dos fenômenos climáticos? O Rio Grande do Sul é o Estado mais atingido por desastres naturais nos últimos 30 anos. Foram cinco estiagens e duas enchentes desde 2018. Depois do Nordeste, é a região com mais estiagens e secas. Essa é outra questão climática muito forte. Além da água, precisamos dar segurança para o nosso produtor. Aliás, precisamos de segurança. Hoje, todo mundo tem medo quando começa a chover.
    As previsões são sempre difíceis. Como agora, estamos na iminência de que vai chover muito na sexta-feira, 28. E não sabemos. O que eu vejo, com sinceridade, é uma falta de comunicação, de transparência com as pessoas. Se começar a chover, muita gente não sabe o que faz, se é para sair, se não é para sair. Não existe um protocolo claro de alerta. Além da questão das obras estruturantes, os diques, as casas de bombas.
    Essas obras estruturantes também não têm transparência. Não sei como está sendo feito o dique aqui em Porto Alegre, no Sarandi, que é um bairro histórico com esse tipo de problema. Muitas dessas obras talvez estejam sendo refeitas. Será que há um olhar resiliente para o futuro?
    O que eu posso te dar como exemplo é esse bairro aqui de Porto Alegre. O dique que está sendo reconstruído ali, já tem pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) dizendo que ele está aquém daquilo que deverão ser as próximas chuvas. Então não adianta só reconstruir, nós precisamos reconstruir com um outro olhar.
    Há um tempo, mais ou menos um mês, o governo do Estado lançou alerta afirmando que o Rio Taquari não subiria. E, de madrugada, as pessoas tiveram que sair correndo das suas casas. Isso não traz segurança. Eu acho que isso é o mínimo, já que as obras de reconstrução são mais demoradas.

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