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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Matheus Nachtergaele: “Me desfaço e refaço a cada trabalho”

O homenageado do 4º Festival Santa Cruz de Cinema tem um dos rostos mais conhecidos da tevê e do cinema brasileiros. Ele já encarnou Carreirinha e Cenoura, recentemente foi Trindade e o Prefeito Olegário e é lembrado sempre por João Grilo. Aos 53 anos, o ator Matheus Nachtergaele já arrebatou audiências com seus papéis marcantes tanto no drama quanto na comédia, gravando seu nome na história do audiovisual brasileiro.

O paulista figura em títulos já clássicos do cinema nacional, como O que é Isso, Companheiro?, Central do Brasil, O Auto da Compadecida, Bicho de Sete Cabeças, Cidade de Deus e Narradores de Javé. O Magazine realizou uma entrevista exclusiva com o ator nessa semana, enquanto ele descansava após finalizar no Ceará as gravações de seu filme mais recente, Mais Pesado é o Céu.

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Na conversa por WhatsApp, o ator se disse honrado com a homenagem prestada pelo Festival Santa Cruz de Cinema. “Algo em mim sempre desconfia do valor da minha arte. As homenagens me acalmam, me beijam, me dizem: segue firme que estamos confiando na parte amorosa do teu trajeto! Fico emocionado”, declarou. Matheus, que já recebeu inúmeros prêmios, é formado pela Escola de Belas Artes da Universidade de São Paulo (USP). Além de atuar, ele já dirigiu e também gosta de desenhar e pintar. Seu primeiro trabalho como diretor foi com o longa-metragem A Festa da Menina Morta (2008).

Infelizmente, por conta de um imprevisto de saúde, o ator não poderá comparecer presencialmente ao evento em Santa Cruz do Sul. No entanto, a organização do festival já confirmou que ele virá ao município para outros eventos que serão realizados na preparação da próxima edição, no ano que vem. “Foi um imprevisto completo que não tem como contornar. Ele vai continuar ajudando na divulgação. Ficou muito chateado, pois estava tudo muito certo para ele vir. Mas são circunstâncias com as quais a gente lida”, frisa Rudinei Kopp, professor da Unisc e um dos organizadores do festival.

O Festival
Além de Matheus, o evento também homenageia o ilustrador rio-pardense Benicio, que vai receber o Prêmio Tuio Becker. O Festival Santa Cruz de Cinema começa nesta segunda-feira, 29, e vai até a próxima sexta-feira, 3. O evento tem realização do Sesc/RS – Unidade Operacional Santa Cruz do Sul, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e da Pé de Coelho Filmes, com patrocínio de JTI, Prefeitura de Santa Cruz do Sul e Corsan – Governo
do Estado do RS – Novas Façanhas, além do apoio de Gazeta Grupo de Comunicações, Cine Santa Cruz, Proeza Beer, Legend Music Bar, Heilige, Aquarius Hotel Flat, Iecine – Governo do Estado RS, Gaveta, Hbier, Amigos do Cinema e Domcello.

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ENTREVISTA
Matheus Nachtergaele
Ator e diretor

Magazine – Na opinião do senhor, qual o papel dos festivais para o fortalecimento do cinema nacional?
Matheus Nachtergaele –
A grande maioria dos bons filmes brasileiros jamais serão vistos por um volume grande de pessoas. Isso acontece pois concorremos com uma indústria de cinema norte-americano muito forte e invasiva. Os festivais são, na minha opinião, algo muito mais poderoso do que o encontro das gentes do ofício e a celebração do cinema feito aqui, mas as janelas fundamentais para o público acessar, por todo o Brasil, o melhor da nossa arte e cultura!

Ao rever sua própria trajetória, no cinema, no teatro e na televisão, como o senhor avalia o trabalho que realizou até agora?
Sou um instrumento do cinema para o tateio tragicômico da brasilidade. Meu corpo de ator, minhas capacidades todas, tudo serviu e serve, me parece, para que façamos uma viagem pelos interiores marginais do Brasil. O ator é ao mesmo tempo pastor e ovelha de imolação para vermos e purgarmos a nossa desgraça e celebrarmos nossos encantos. Creio que meu trajeto, desde a retomada do cinema brasileiro, em fins dos anos 90, até agora, pode servir de guia para como o cinema retratou, pensou e lutou pelo País nesse período.

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Na situação atual do Brasil, de crise e desvalorização da cultura, qual o papel do cinema e da arte, em sua opinião?
Me espanta o rumo que o País decidiu trilhar após um período de retomada do amor próprio que resultou em uma variedade linda de filmes, artes, e nos tirou do mapa da miséria no mundo. Há uma espécie de desistência do sonho de Brasil com S. Uma exaustão muito provocada pela doença corrupta que germina sempre na nossa política. Mas não há como desistir de querer que sejamos a invenção de um futuro lindo para o mundo. Talvez seja tarde demais, mas, se ainda há caminho, que a arte seja um foco de luz, uma guia bonita, um desejo humanista. Será preciso amar muito o Brasil, para amá-lo. Sigo aqui, como arlequim dessa gente linda e tão vilipendiada. Estarei rindo e chorando junto com os meus.

Além de suas extensas realizações no cinema, tanto como ator quanto como diretor, quais são os seus objetivos ou sonhos que ainda pretende realizar na sua carreira?
Me desfaço e refaço tanto a cada trabalho: a cada peça, filme, série de televisão, me procuro e procuro minha gente, me encontro um pouco e depois me perco novamente. Eu sou um eterno recomeço cheio de cicatrizes e boas lembranças. Acabei de rodar Mais Pesado é o Céu, longa-metragem de Petrus Cariry, em Quixadá, no Ceará, e daqui sigo para continuar a segunda temporada de Cine Holliúdy, a série da TV Globo, cujas gravações foram interrompidas pela pandemia de Covid-19.

Quais os próximos projetos em que trabalha a serem lançados?
Os longas Carro Rei, de Renata Pinheiro, e O Clube dos Anjos, de Angelo Defanti, estão correndo por festivais mundo afora e devem estrear no Brasil no ano que vem. Tenho também projetos para retornar aos palcos com Molière, musical antifascista dirigido por Diego Fortes, e um projeto inédito de Ariano Suassuna com Orquestra Sinfônica. Seguimos!

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