Sobre a mesa, novelos de lãs e linhas coloridas se misturam a agulhas, sorrisos e conversas animadas. A cada ponto tecido, nasce muito mais do que uma peça artesanal: surgem histórias de amizade, acolhimento e amor ao próximo. É esse o espírito da oficina Casaquinhos com Amor, que chegou ao seu quarto encontro reunindo mulheres dispostas a transformar linhas em gestos de solidariedade.
A iniciativa já produziu dezenas de peças cuidadosamente confeccionadas para aquecer recém-nascidos durante o rigoroso inverno gaúcho. Casaquinhos de crochê, calças de tricô e, em breve, mantinhas feitas à mão carregam consigo o carinho de quem dedica parte do seu tempo para ajudar famílias que mais precisam.
A história do projeto começou a ser tecida em 2024, durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. Naquele período, um grupo solidário de Curitiba mobilizou esforços para auxiliar as comunidades afetadas. Foi nesse contexto que a artesã Rosani Azevedo aprendeu a confeccionar casaquinhos para bebês. O aprendizado rapidamente se transformou em ação: ela produziu mais de 30 peças, que foram levadas para Sinimbu.
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A experiência inspirou novos passos. Sensibilizada com o potencial da iniciativa, a secretária municipal de Desenvolvimento Social e primeira-dama de Santa Cruz do Sul, Fátima Alves da Silva, convidou Rosani para confeccionar peças destinadas ao Programa Família Gaúcha e, ao mesmo tempo, ensinar outras mulheres interessadas na arte do tricô e do crochê. Em parceria com o Grupo Arte de Viver, foi conseguido um espaço para os encontros – em uma sala no Ginásio Poliesportivo – e a ideia ganhou forma.
Hoje, a oficina é coordenada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedesi), por meio da Coordenadoria da Mulher e do Escritório do Idoso, em parceria com a Associação de Proteção à Vida (Aprovi). Todas as terças-feiras, das 14 horas às 16 horas, donas de casa, aposentadas e voluntárias se reúnem para compartilhar conhecimento e produzir peças que serão destinadas a famílias atendidas por programas sociais do município.
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O material utilizado chega por meio de doações e também da solidariedade de quem acredita na causa. Entre as participantes está a dona de casa Ana Paula de Oliveira, de 44 anos. Artesã talentosa, ela domina com habilidade o tricô, o crochê e a costura criativa. Enquanto os filhos estão na escola, aproveita as tardes para fazer aquilo que mais gosta e, ao mesmo tempo, contribuir com uma causa social.“Desde criança eu faço tricô, sempre gostei, mas aprimorei depois dos cursos. Vir aqui é muito bom porque a gente faz amizades e ainda pode ajudar”, conta.
A corrente do bem continua crescendo. A Aprovi irá disponibilizar uma máquina de costura para que o grupo possa ampliar a produção e confeccionar mantinhas para os bebês. Além disso, nesta semana serão instaladas caixas coletoras em lojas de aviamentos do município para arrecadar doações de lã. A comunidade pode colaborar doando novelos novos ou mesmo sobras de lã que estejam guardadas em casa. Interessados podem levar na Sedesi, no Ginásio Poliesportivo.
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