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Não lixar-se para o lixo

Muitos ainda não se ligam e se preocupam devidamente com o lixo, ficando indiferentes em relação ao seu manuseio e destino, ou, em outras palavras, se lixam para o lixo. Mas, diante do aumento gradativo de resíduos que ocorre em paralelo ao crescimento populacional e de novas opções de produtos e embalagens, é preciso cada vez mais direcionar atenção e cuidados para essa realidade.

Santa Cruz do Sul, com 130 mil habitantes e produzindo cerca de 2,6 mil toneladas de lixo por mês, mostra progressos na área, mas por certo precisamos avançar. Uma cidade que tem tradição germânica de limpeza sempre olhou com carinho essa questão, houve momentos em que problemas aumentaram e em outros diminuíram, e ocorrem melhorias, que exigem o permanente aperfeiçoamento.

Na área em que resido (Santo Inácio), passou a ser introduzido o recolhimento do lixo em contêineres, o que de início se mostra interessante no melhor acondicionamento dos rejeitos orgânicos, para os quais se destinam os equipamentos. Com sua disponibilização constante e boa higienização, pela empresa que presta o serviço ao Município, veio ao encontro do manuseio mais adequado dos resíduos. Porém, ainda restam dúvidas sobre o lixo seco, que, pelo menos nos primeitos momentos, foi recolhido uma vez por semana (por cooperativa do setor), mas não todo ele, ficando parcela nas cestas dispostas à frente das casas.

Por certo, deve ser assegurada a retirada total do lixo, sob risco de se misturar novamente o orgânico com o seco, não praticando o que se prega, com correção, de que precisa ocorrer a devida separação e correta destinação, possibilitando o reaproveitamento e reciclagem dos materiais. Inclusive, no final do último mês, ocorreu a Semana Lixo Zero na cidade, em sua segunda edição, que tem o respaldo de instituto com atuação em todo o País e o propósito de incentivar ações de sustentabilidade e educação ambiental nessa área, como as citadas.

As atitudes estimuladas merecem toda atenção, mesmo a redução das sacolas (não a proibição, como já se tentou, pois seu fornecimento nos mercados permite não só o uso para transporte das mercadorias como a posterior acomodação do lixo, com consciência, sob pena de nova aquisição e gasto para esse fim). De modo especial, o descarte e destino corretos, com a separação, requerem o maior apoio, o que já estaria avançando, mas precisaria melhorar muito, pois os índices de reciclagem ainda estariam muito baixos.

Creio que cada um pode colaborar, em casa, para essa conscientização e iniciativa. No caso particular, procuro desempenhar o papel, propiciando recipientes diferenciados para cada tipo de lixo e orientação constante, embora reconhecendo que não é fácil. Mas, acredito que, se cada qual fizer a sua parte, poderemos progredir sempre mais na ação, que, sem dúvida, contribui de forma decisiva para nosso ambiente, qualidade de vida e saúde, e ainda com a tradição de povo educado e limpo. De fato, não podemos nos lixar para o nosso lixo. 

» Leia colunas anteriores do jornalista Benno Bernardo Kist

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