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FORA DE PAUTA

Nossas façanhas

Como um governante consegue dormir sabendo que uma escola pública não tem sequer um prédio decente? Me fiz essa pergunta nas ocasiões em que estive na Escola José Mânica nos últimos anos. Todo mundo conhece a história: o antigo prédio da escola teve que ser demolido em 2012 e apenas na semana passada – sim, uma década depois! – o projeto foi encaminhado para ser licitado. Quem acompanha concorrências públicas sabe o quanto esses processos podem ser lentos. E as obras propriamente ditas, então, nem se fala. Está aí o calçadão da Floriano para provar.

Estamos tão anestesiados neste país que perdemos a capacidade de assombro com certas situações escandalosas. Como assim uma escola com mais de 400 alunos, em uma cidade que ostenta um dos maiores PIBs e alguns dos melhores indicadores de qualidade de vida do Estado, fica sem um prédio digno por mais de dez anos? É verdade que a Mânica nunca deixou de atender. Mas não é preciso ser engenheiro para ver que a estrutura improvisada ali está a léguas do apropriado. Não passa de um remendo provisório que o descaso, a incompetência e a falência estatal permitiram que criasse raízes.

Descaso, aliás, que é suprapartidário: foram duas trocas de governo desde que o drama começou. Todos os principais partidos, à esquerda e à direita, passaram pelo Palácio Piratini e nenhum teve a capacidade de resolver o problema. O atual, justiça seja feita, foi o que mais avançou, mas, como bem disse o diretor da escola, não há o que celebrar enquanto a chave do prédio não estiver entregue. Até lá, tudo não passa de papel e boas intenções.

É inconcebível que estejamos convivendo passivamente com isso há tanto tempo. E nem dá para culpar só o Estado. A Prefeitura fez vista grossa durante todos esses anos ao escárnio que ocorre no nosso quintal. Não lembro de isso ter sido pauta entre os sucessivos prefeitos e governadores. Só no ano passado levantou-se a ideia de uma municipalização – uma boa ideia, por sinal, mas que chegou tarde, muito tarde.

Não é novidade que o ensino público carece de uma série de coisas. Na campanha que se avizinha, inclusive, é bem provável que apareçam mil e uma proposições. Ouviremos falar em investimentos em tecnologia e em valorização de professores, e os chavões do tipo “a educação é a prioridade zero” serão repetidos incessantemente. Não se enganem: se ainda nos faltam paredes e teto, é porque ninguém priorizou realmente a educação até hoje. E nada vai adiantar colocar recursos em estradas, dar incentivos para empresas gerarem empregos, construir presídios ou estimular o turismo. Enquanto existirem casos como o da Mânica, seguiremos na vanguarda do atraso.

Questiono-me com o que mais os nossos gestores estarão preocupados se temos estudantes de Ensino Médio em contêineres apertados e tomados por goteiras. O que precisamos é de mandatários que se envergonhem de situações como essa e não durmam enquanto não forem resolvidas. Urgentemente.

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