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RICARDO DÜREN

O cofre da esperança

As gurias aqui de casa me surpreenderam esta semana com mais uma de suas ideias inusitadas. Desta vez, criaram um cofre destinado a reunir economias, a serem gastas apenas – e tão somente – na praia, nas próximas férias de verão. Mas não é apenas um cofrinho… é um cofrão, feito com um pote de sorvete de dois litros, onde as marotas abriram um orifício para inserir moedas.

Para evitar o risco de alguma tentação, as gurias lacraram a tampa do pote com várias voltas de fita crepe. Junto ao orifício, desenharam uma seta com um aviso: “Coloque aqui suas moedas”. Em uma das laterais, colaram um bilhete com as “Regras do pote”:
1- Apenas para colocação, proibida a “retiração” de dinheiro.
2- Não espiar pelo buraquinho.
3- De vez em quando, coloque uma moeda aqui no cofre.

O “dez vem em quando”, no caso, é um eufemismo. A ideia é que o cofre seja alimentado com grande regularidade. Foi a caçula, Ágatha, quem me alertou para uma nova regra em vigor aqui em casa:
– Pai, a partir de agora, sempre que receber alguma moeda de troco, deve colocar no cofre. Nada de deixar moedas na carteira ou nos porta-trecos do carro.
– Mas então só poderei comprar com notas?
– Isso. Assim vem mais troco e mais moedas para o cofre.

Não creio que tal regra agrade ao comércio, sempre em busca de moedas para o troco, mas, enfim, a norma seguirá em vigor até as próximas férias de verão.

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As gurias também me avisaram que a economia do cofre destina-se à aquisição, na praia, do que chamam de “frescurinhas” – sorvetes e picolés, refri, milho verde, crepes…
– Se o cofre estiver bem cheio, talvez consigamos até comprar algumas boias – antecipou-me a caçula.
– Boias?
– Óbvio. Precisamos de boias para enfrentar o oceano. E também de óculos de mergulho.

Ou seja, a economia do cofre não será aplicada em despesas com combustível e hospedagem. Mas, ainda assim, a iniciativa das gurias me deixou bastante animado. Não deixa de ser uma demonstração de esperança em tempos
melhores a caminho, no pós-pandemia.

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Ocorre que desde a eclosão do coronavírus praticamente não saímos mais de casa em família. Passeios longos foram riscados da agenda. A esperança das gurias, latente em seu cofre, é que nas próximas férias de verão a pandemia esteja, enfim, vencida, possibilitando até mesmo nosso regresso ao Litoral após tanto tempo.

Creio que essa esperança tem sua razão de ser. A vacinação, enfim, ganhou ritmo mais acelerado, pelo menos aqui no Estado. Eu mesmo recebi a primeira dose nessa semana, minha esposa está prestes a recebê-la também, e já antevemos dias menos angustiantes ali na frente.

Particularmente, prevejo o início de uma época bem mais feliz para a humanidade. O filosofo grego Epicuro dizia que a felicidade é a ausência de sofrimento, o que me leva a crer que esses dois sentimentos – o sofrimento e a felicidade – tenham entre si uma relação de dependência, ou seja, um depende do outro para existir. É preciso conhecermos o sofrimento para, em sua ausência, sermos felizes. A pandemia tem sido uma grande experiência de sofrimento para a humanidade e, uma vez vencida, deixará espaço para a felicidade – para muitos, uma felicidade maculada pela saudade das pessoas que partiram, vítimas da Covid; mas, ainda assim, uma felicidade.

Por isso, aderi com alegria à iniciativa das gurias lá de casa e sempre que reúno algumas moedas, deposito-as no cofre da esperança.

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Hora do merchand:
Pessoal, está quase esgotada a tiragem física do meu último livro, O homem da sepultura com capacete – uma
história inspirada em fatos reais (Editora Gazeta, 2020), lançado no fim do ano passado com o prestimoso apoio cultural da JTI. Os últimos exemplares (últimos mesmo!) podem ser adquiridos na Casa de Clientes Gazeta (com desconto para assinantes).

Para quem não conhece o enredo, vale antecipar que a história gira em torno do drama do austríaco Carl Schreiner, ex-soldado que sobreviveu aos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial para morrer assassinado, em 1936, em Sinimbu, vítima de um amor proibido. Schreiner está sepultado no Cemitério Católico de Sinimbu e seu túmulo chama a atenção por apresentar, esculpido na lápide, um capacete militar.

Como os exemplares estão praticamente no fim, disponibilizei o livro também em formato digital no Kindle, o aplicativo de leitura e venda de livros online da Amazon. Basta entrar no aplicativo ou no site amazon.com.br e “bater” o meu nome na busca.

Ali o leitor também encontra outros livros meus, como o Assassinato na Real Biblioteca (Editora Gazeta, 2013) e o Crônica policial (Clube de Autores, 2020) – que conta histórias reais sobre crimes que chocaram a região. Boa leitura!

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