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CINEMA

“O Dragão e O Feiticeiro”: a fantasia sombria envelheceu bem

Em 2026, a sétima arte vive seu auge no que diz respeito aos aspectos técnicos. Da poltrona de uma sala de cinema, o espectador é transportado para universos muito distantes e testemunha criaturas jamais vistas vivas. Contudo, é notável a dependência das produções nos efeitos digitais a ponto de a história e os personagens serem pano de fundo em um espetáculo visual por vezes deslumbrante, mas vazio.

Enquanto cineastas e engravatados dos estúdios batem cabeça, uma obra de fantasia que completou 45 anos em 2026 demonstra que é possível produzir um filme para entreter equilibrando (como poucos) efeitos especiais e uma boa história. Trata-se de Dragonslayer, lançado no Brasil como O Dragão e o Feiticeiro, coprodução entre a Disney e a Paramount.

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Dirigido por Matthew Robbins, que assina o roteiro ao lado de Hal Barwood, Galen (Peter MacNicol) é um aprendiz do feiticeiro Ulrich (Ralph Richardson), que é convocado para ajudar um reino ameaçado pelo dragão Vermithrax Pejorative. Para impedir que o monstro destrua o lugar, o Rei Casiodorus oferece a ele um sacrifício duas vezes por ano, escolhendo virgens por meio de uma loteria. Após a morte inesperada de Ulrich, resta a Galen combater o dragão e salvar os habitantes do reino.

A trama é simples e objetiva, sem reviravoltas ou tramas paralelas. Isso permite dar o destaque necessário para a jornada do protagonista e a sua evolução, além de oferecer espaço para os coadjuvantes, sem estender a história ou torná-la repetitiva.

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A aventura de Galen é engrandecida pela presença de Vermithrax. Criada pela equipe da Industrial Light & Magic, responsável por desenvolver os efeitos de Guerra nas Estrelas, a criatura ganhou vida por uma combinação de animatrônicos enormes, miniaturas e o go motion, técnica inovadora muito superior à utilizada na época. A iniciativa resultou em uma evolução dos efeitos tradicionais, com um resultado mais dinâmico e mais convincente, sendo considerado um dos melhores trabalhos para o cinema e que lhe rendeu uma indicado ao Oscar de melhores efeitos especiais, perdendo para Caçadores da Arca Perdida.

Apesar do visual impressionante e da sua história, a fantasia sombria não caiu no gosto do público de 1981, especialmente entre as crianças e adolescentes. O clima de terror e a violência acabaram assustando os espectadores, criando um certo desconforto para a Disney, conhecida por produções familiares. Com um orçamento de US$ 18 milhões, acabou faturando mundialmente US$ 14 milhões, sendo considerado um fracasso.

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Por décadas, O Dragão e o Feiticeiro ficou escondido no catálogo da empresa do Mickey. Porém, tornou-se um clássico cultuado, tendo como fã grandes cineastas, inclusive Guillermo Del Toro. Em 2023, o filme recebeu o tratamento merecido, sendo restaurado e lançado em mídia física. Para alívio do diretor, os fãs e as novas gerações finalmente puderam assistir à obra como ele foi realmente imaginado, na versão sem cortes e fiel ao aspecto visual do que o público presenciou em 1981.

Lição para Hollywood

Passados 45 anos, O Dragão e o Feiticeiro é considerado um marco para o cinema norte-americano pela ousadia visual e a escalada no tom dos filmes de fantasia medieval. Para o público contemporâneo, a produção pode não ter o mesmo encantamento e Vermithrax pode não gerar mais medo.

Contudo, o filme pode ser visto como uma lição para o cinema atual. Mesmo com orçamentos mais robustos e mais tecnologia, as obras atuais dificilmente alcançam o mesmo impacto, reduzidas a um passatempo descartável, carecendo de originalidade. Um dia, quem sabe, Hollywood pode voltar a investir em filmes arrasa-quarteirão mais simples, mais divertidos, criativos e impactantes.

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